O ciclo de sempre: ganha, disparata, perde, exila-se |
O esfrangalhadíssimo (pelo resultados eleitorais de Junho), desnorteadíssimo (pelas suas responsabilidades na crise que Portugal atravessa e pela inversão ideológica que significou o consulado de Sócrates) e desavergonhadíssimo (pela ignorância dessas responsabilidade) Partido Socialista escolheu o seu novo líder: António José Seguro. Um senhor de bom coração, mas de pouca razão.
Diz a Wikipédia que António José Martins Seguro nasceu em Penamacor há 49 anos e é um “assistente universitário e político português”. Acrescenta: “estudou Organização e Gestão de Empresas, no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, mas acabou por se licenciar em Relações Internacionais, na Universidade Autónoma de Lisboa Luís de Camões”. ”Foi ainda director do jornal A Verdade de Penamacor, e chegou a secretário-geral da Juventude Socialista”.
Interpretando a sua história de vida (a parte que nos interessa), chegamos à conclusão que o perfil de Seguro se enquadra bem com o daqueles que compõem a nova geração política nacional. Talvez seja isso que mais se revela: a sua plena adaptação ao meio político que se criou ultimamente, com o governo das J’s e a construção de uma vida partidária activa e cheia de “méritos”!
Contudo, dele (ele, António José Seguro – AJS), os portugueses não conhecem percurso académico rico em aproveitamento e credenciais, apenas que se formou e lecciona na “Universidade Autónoma de Lisboa Luís de Camões”, o que não se afigura muito prestigiante, convenhamos. Dele, os cidadãos, e seus potenciais votantes, não notam percurso profissional fora da política que se recomende. A ele, o Povo não associa grandes causas sociais. Dele, os eleitores não se lembram de trabalho parlamentar (em Lisboa e em Bruxelas) apresentável, à excepção da “Reforma do Parlamento”. Dele, os socialistas e não-socialistas não têm memória de crítica construtiva às políticas de Sócrates, em tempo oportuno, e reparo audível à herança por este deixada, nos dias de hoje, cujos danos estamos e continuaremos todos a pagar. Dele, todos os que se interessam pela política (quase) não se lembram que fora ministro: “Ministro-Adjunto do Primeiro-Ministro” – essa invenção usada para reforçar o peso partidário (e ex-juvenil-partidário) nos nossos decisores. Da sua eleição (para secretário-geral socialista), saberá o menos crítico dos cidadãos que fora conseguida sem grande surpresa; graças à mais meticulosa gestão de silêncios durante esta década; fruto do seu “trabalho” nos “bastidores do partido”; pós-cedida dum resultado em urnas devastador, duma ala socratista socialista (aparentemente, sua oponente interna – representada por Francisco Assis) enfraquecida na legitimidade de criticar o centro-direita e malvista pelo eleitorado que a massacrou; em consequência da recusa (provisória) de António Costa (mais forte candidato ao cargo) em “chatear-se” à frente do aparelho, nestes dias de oposição, preferindo o sr. o cómodo lugar de Presidente da Câmara de Lisboa e comentador na Quadratura do Circulo, para previsivelmente “roubar” o cadeirão a AJS mais tarde, deixando queimar em lume brando a imagem do seu “líder” até lá, candidatando-se depois às Legislativas de 2015. Dele, destaca-se pouco mais que uma vida política com mais de 30 anos, cheia de coisa nenhuma. Digam-me lá que não foi e é brilhante e inspirador o percurso académico e “profissional” de Tó Zé – o carinhoso?
E assim foi eleito. Durante o XVIII Congresso Nacional do PS, AJS expôs-se. Expôs principalmente o seu discurso vazio em ideias novas que ajudem a Pátria a sair donde a meteram e cheio em “propostas” consensuais, banais, triviais, como: a defesa do crescimento económico, do combate à corrupção, da diminuição das desigualdades sociais e da “igualdade na distribuição dos sacrifícios”, da criação de uma agência de rating europeia, da introdução imediata das eurobonds e do reforço da integração política da União Económica e Monetária. Enfim, um manancial de “pensamentos construtivos” que podiam ter origem na mente do mais comum dos mortais. Basta sondar na rua, no café, no estádio de futebol… para perceber isso! Expôs ainda a sua estratégia global de “afectos”, virada para a “intimidade” com os media, fundada no show off e assente no reforço do partidarismo no Estado (impressão minha), algo que não o distancia em nada do rumo de José Sócrates. Não creio, e não sou só eu que “creio”, que seja isso que Portugal mais precisa. Já o teve no passado e o resultado não foi bonito. Mas, “isso” veremos mais tarde…
O PS está então num beco: promoveu e assinou o acordo com a troika, cheio em medidas duríssimas para aplicar e sacrifícios por distribuir; carrega o fardo das governações socialistas e das responsabilidades que lhe são inerentes (em 16 anos, o PS executou em 12), das quais se destacam as de Sócrates – o auto-exilado, completas de medidas negligentes, irresponsáveis, criminosas (como se lhe queira chamar); e tem o seu espaço de afirmação política reduzida ao tamanho da Betesga: à sua esquerda tem a via do protesto anti-troika, a “rua”, as políticas anti-capitalistas e anti-“neoliberais” que são absolutamente incongruentes com aquilo que ele (PS) praticou, e à direita tem a aplicação do acordo cujo primeiro outorgante é ele mesmo. Por isso, não tem nexo nem autoridade a arrogância da crítica ao governo PSD-CDS. A sorte do PS e de Seguro é que a memória de “cada uma das portuguesas e de cada um dos portugueses” é curta, muito curta, para se lembrarem do mal que a “rosa” lhes tem feito!
É com isto que temos de conviver. Com políticos sem chama nem passado, sem obra nem trabalho (nas suas várias acepções), sem luz nem competência. Com políticos que se orgulham de terem fumado charros em tempos (sim, em entrevista ao Expresso, há coisa de 3 ou 4 meses, AJS admitiu-o), apresentando-o sem receio, como forma de ganhar simpatias. Com políticos que nem no partido que “lideram” conseguem ganhar carisma e construir unidade (ao contrário do que apregoam). Seguro, vais-me desculpar a franqueza/brutalidade, mas acho-te, como político, muito fraquinho – mas, descansa, não é só de ti que acho isso!
Num momento único do Nosso Estado (porque o Estado é Nosso – de quem o sustenta), precisávamos de gente decisora capaz, audaz, sagaz, eficaz. Mas não é o que temos. Não me revejo nestas pessoas, mas vou fazer o quê? Esperar, mas nunca calar…


