![]() |
| VG: ele fala, fala, fala, mas não diz nada (que nos agrade!) |
![]() |
| Nuno Crato: dos melhores |
![]() |
| Paulo Macedo: este decide(-se) |
![]() |
| Santos Pereira: não queria estar no teu lugar, mas também não queria falar tanto como tu! |
Em Portugal, quando alguém não atinge o que quer ou é mal visto por aquilo que faz ou tenta fazer, seja na política ou noutra “ciência” qualquer, o problema é da comunicação. “A mensagem não passa”. Talvez o mal do nosso défice e desemprego esteja mesmo nas palavras e não nos actos!
Lembrei-me disto ao ouvir comentários, principalmente vindos de militantes do PSD, há coisa de 2/3 semanas, à actuação do governo de Passos nos três meses que já leva nos nossos destinos. Diga-se que já tinha ouvido esta “versão” noutras bandas e alturas, mas só agora me suscitou a opinião.
Não vou insistir que as medidas de ajustamento das nossas finanças, contidas no memorando, são duras. Não insisto nisso, já todos sabem. Mas, como o dito é mesmo para aplicar, a sua dureza não varia consoante o partido que o executar.
Como parênteses, acrescento: a questão do “ir além da troika” ou “ir aquém da troika” é, convenhamos, ridícula de se pôr nestes termos. Que se saiba, “troika” não é nenhuma marca de termómetros para se medir o nível de “troikismo” em que estamos a ser governados, seja “além”, “aquém” ou exactamente no ponto em que o documento foi assinado (seja qual for a interpretação que se faça dele!). E “memorando” também não é nenhum muro de Berlim, muralha da China ou outro obstáculo “colossal” que não possa ser atingido, passado ou contrariado. A atitude crítica face ao acordo de assistência financeira outorgado não deve desaparecer, mas também não o deve a responsabilidade, sob pena dessa assistência ser interrompida ou terminada. O que “tem de ser” tem muita força: aquilo que é necessário não pode ser desprezado ou esquecido, pelo que, qualquer que seja o nosso governo, as medidas imprescindíveis para assegurar um futuro próspero para todos têm de ser postas em acção. O resto é conversa!
Fechada esta nota, continuemos então.
Apesar de, mormente, estar a aplicar o tal acordo, a acção deste governo tem sido criticada. Imagine-se, as críticas mais contundentes vêm dos partidos que suportam a coligação de centro-direita. São, por isso, as que mais “doem”. Contudo, muitas delas (elas, as críticas) não passam mais do que vinganças antigas e rancores mal disfarçados, cuja fundamentação (ainda que existente em parte) não tem origem na razão mas na emoção, como no caso do “ajuste de contas” Ferreira Leite-Passos Coelho e Pires de Lima-Portas. A razão sobrante para que a oposição mais forte venha de dentro e não de fora dos partidos apoiantes da “aliança” prende-se com o desnorte dos partidos da extrema-esquerda (em prática devido aos fracos resultados eleitorais que obtiveram – PC e BE) e da pouca legitimidade que a outra “esquerda” tem para criticar qualquer medida deste governo (pelas responsabilidades que lhe são devidas sobre a situação em que o País se meteu – PS).
Prosseguindo. Não venho fazer de advogado deste governo, embora o suporte com o voto que depositei em urna no dia 5 de Junho. Sou crítico da sua acção, como se pode ver por outros textos aqui publicados, e nem sequer me apreciam as personagens que hoje nos destinam (concretizando, o PR e o PM). Mas devo confessar a minha admiração pela coragem, embora desajeitada, deste executivo. É histórico o esforço dos seus ministros para reparar os disparates orquestrados pelos anteriores ministros e primeiros-ministros. Refiro-me principalmente aos “independentes” que, no desígnio da “salvação nacional”, largaram as suas vidas profissionais bem remuneradas e reconhecidas para irem governar sob críticas vindas de tudo o que é canto, vencimentos bem abaixo do que estão “habituados” e situações dificílimas de gerir na nossa Administração Pública.
Contudo, acho de pouco nexo, por exemplo, Rui Machete vir dizer que o problema das políticas do governo de Passos seja a “comunicação”/“explicação dada às pessoas”. Se há muito que este executivo faz é falar: fala demais, promete muito e faz pouco do que pensa para Portugal, talvez pelas forças de bloqueio que encontra, talvez porque não se deve nem pode fazer tudo de uma vez, talvez porque ainda esteja no início da sua legislatura, talvez pela inoportunidade política de lançar algumas medidas mais “sensíveis”. Talvez por tudo isso. Mas o que é certo é que o governo fala muito.
Um dos belos rostos dessa “diarreia” verbal é Vítor Gaspar (VG). Um senhor de inquestionável respeitabilidade e de demonstrada competência, segundo dizem (o que parece estar-se a confirmar). Um senhor que, cada vez que intervém, anuncia algum aumento (de impostos). Um senhor que, cada vez que convoca os jornalistas para conferencias de imprensa, explica-se, com o seu tom vagaroso e o seu timbre professoral, durante horas e horas, até os próprios repórteres, habituados a “sessões semelhantes”, se cansarem. Mas é um facto: VG tenta “passar a mensagem”, fundamentando as medidas que toma (embora, algumas vezes, não entendamos, no sentido valorativo, as políticas que decide).
Se calhar, calhando mesmo, a questão não está na comunicação, mas sim na natureza das decisões do governo. Não será tanto um problema de forma, que poderá, num ou noutro caso, existir, mas sim outro de conteúdo. É que, quando elas (as políticas) “batem”, batem mesmo, por muito bonito que seja o powerpoint apresentado pelo ministro das finanças, ou muito eloquente que seja o sua declaração ao País. É, por isso, quase impossível, perante a pobreza com que Portugal se confronta, desemprego que tem de resolver, falta de crescimento que tem de inverter e défice que tem de diminuir, evitar a contestação social a: cortes (em 50%!) no subsídio de natal, aumentos de 17 ppt no gás e electricidade e incrementos de 20% nas tarifas de transporte, entre outras.
Por isso, o recado é: se aquilo que nos é exigido pelos credores internacionais (e não estou a falar dos “mercados”) contribuirá para que, se e quando sairmos deste marasmo, a Pátria seja mais pujante no crescimento, mais rica na qualidade de vida do seu Povo e mais sólida nas suas finanças públicas, então não há volta a dar – tem de ser, menos paleio e mais acção! Como diz Alexandre Soares dos Santos, “o País tem de arregaçar as mangas, trabalhar e levantar-se” – e concordo com ele. Não quererá isto dizer que as decisões não precisem de ser justificadas a quem mais está interessado, quererá antes que o governo não deverá nem poderá hesitar se julgar imprescindível uma determinada reforma para um “depois” mais promissor para o seu Povo.
Vamos a isso: “explique” menos, aja mais!










