escarafunchando no baú...

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sábado, 8 de setembro de 2012

Bloco democrático e popular


Bloco de Esquerda é um partido ingovernável, uma amálgama de facções até intolerantes entre si. É por isso um partido estagnado, de estagnação, exilado no abrigo da contestação, da negação, da exaltação, da revolução anárquica se for caro disso. A sua instabilidade percebe-se em alturas de “cava” no seu prestígio, como as de hoje, e então saltam todas as suas dúvidas existenciais.
O Bloco só foi possível graças aos seus fundadores, ainda que vindos das diversas facções internas entendiam-se bem. Só alguém tão inteligente como sofista como Francisco Louçã poderia liderar uma manta destas. Mas o seu tempo, como em tudo, acabou.
Na sombra

Os partidos das extremas politicas não convivem nada bem com conflitos nas suas “quintas”, democracia interna dizendo de outra maneira. Embora, como já tenha escrito, os seus seguidores (mormente os de Esquerda) sejam os que mais pregam ao exercício democrático dos outros (pessoas e colectividades).
Essa é uma característica idiossincrática, que se manifesta em alturas-chave: as sucessões internas.
No Partido Comunista o “novo” líder é eleito por meia dúzia de “camaradas”, camaradas do antigo líder claro, num círculo fechadíssimo, propício a reeleições sem-fim. Ao melhor estilo de Havana.
No Bloco de Esquerda o caso “muda” de figura. O líder do partido tem até outra designação para dar a ideia que não manda coisa nenhuma. E parece que findo um decadente ciclo político de quase década e meia, o “Coordenador” decide quem lhe sucede, numa lógica dinástica ao melhor estilo de Pyongyang. E no caso de Louçã a imaginação nem tem limites. Escolheu não um mas dois príncipes para o substituir, um e uma pois claro, pela “política do século XXI”. Uma solução para durar pouco, para enfraquecer a nova geração só pode, para eternizar o poder que a velha não quer perder na sua prole.
É assim que se pratica democracia “digna” nas “Esquerdas” “democráticas” de hoje.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Novela de país

Nota prévia: depois de um período de jejum para recarregar e renovar “amores”, “ódios” e assuntos, O Jusdiceiro volta, esperando que para ficar e durar.

Programação de "serviço público", de facto
O inacreditável da história Borges-Relvas-Passos-administração da RTP é a desnexo de toda ela. O seu maior contra-senso é que quem tinha mais condições para passar a “batata quente” foi quem mais desbocou: António Borges. Não sei se o fez por livre convicção ou a mando de alguém (o mais provável, a meu ver), mas o assustador é que ele parece saber e decidir mais do que quem está no Governo. O senhor, que falou mais numa hora do que muitos ministros num ano, lançou o barro à parede. Caiu mal. Pelo menos "queimou-se" um "consultor" e não um ministro (oficial).

A questão da propriedade pública de canais de TV coloca-se essencialmente a dois níveis. O primeiro, a utilidade que eles trazem à sociedade, a famosa cantilena do "serviço público". Quanto a isto, não é preciso um grande esforço para perceber que os programas do Malato, do gordo Mendes ou as palhaçadas do Baião não interessam nem ao diabo. O mesmo se aplicando às novelas brasileiras e às imensas horas dedicadas ao futebol, ao comentário do futebol e ao comentário do comentário do futebol. Está tudo lá para "encher", atraindo populaça. Concorrem apenas com o lixo da SIC e TVI. É esta a função da RTP? Não!
Em contrapartida, a programação mais rica é a mais ignorada delas: fascículos histórico-culturais, mostra do Portugal "remoto", das tradições locais, da gastronomia, das minorias étnicas, dos imigrantes cá e emigrantes lá, debates religiosos, parlamentares etc. são deitados fora por "não serem rentáveis". Ora, a RTP2 desempenha toda esta função mas é posta de lado como se de nada valesse. E até a RTPInformação desempenha melhor na função de informar do que o canal 1.
É portanto sobre isto que deveria cair o debate. Se me perguntarem o interesse que tem a RTP1, eu respondo tirando o “Telejornal” e o “Prós e Contras” de nada ela me vale. Se me perguntarem o valor (não financeiro) da RTP2, eu respondo muito. Se me perguntarem se a RTPInf deve continuar, eu respondo obviamente. Do canal Internacional não sobram grandes debates da sua importância para os emigrantes. Que se junte ao canal África então.
O segundo patamar de discussão para este tema deveria ser a influência governativa na Televisão. É inevitável: a informação é "vigiada" por quem é manda. Na RTP1 senão directamente pelo Governo, pela administração do canal que agrada ao Governo. E neste âmbito a RTP1 não tem saído muito bem na fotografia.

Partindo desta base não me importaria nada que o canal 1 fosse vendido. Até agradeceria já que é o mais caro e o menos útil deles. Assim, o Estado concentrar-se-ia nos canais mais valiosos e venderia a espelunca que sai cara aos privados.
Nada disto tem sido debatido. Ao Governo só interessa concessionar vs. vender, e não o quê e como concessionar/vender. A oposição só interessa se o Estado é rico ou não, se detém ou não detém, e não se preocupa (principalmente BE e PCP) com a eterna promiscuidade Governo-informação na RTP1 e com a inutilidade da maioria dos seus programas. Depois temos constitucionalistas-videntes que (como sempre) leem na CRP o que não está lá, mal disfarçando o alinhamento ideológico. E ainda os "especialistas em Televisão" que pregam como se a questão não fosse eminentemente politica.

E assim vai: Relvas não fala, Passos encaminha, Cavaco como de costume, Jerónimo grita, administração da RTP não concordava com Governo mas não se demitia (felizmente já se desfez por ela mesma), Governo não a demitia, Balsemão desespera e Borges actua. Um terror nesta novela de Pais.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Até dá pena!

O (in)Seguro governa-se com um grupo parlamentar que é, digamos, de bradar aos céus!
A pocilga que o qualificado emigrado lá deixou é sinistra (para além de “sinistra” que já é, segundo o vocábulo italiano). É gente inútil e abutre a mais. Não quero dizer que o dito António José não seja nada disso (claro que é, e em boa conta), mas coitado, ele que já de si não vale um caracol, porem-lhe à "disposição" uma bancada que lhe faz não mais do que a folha todos os dias, é de facto de ter compaixão pelo homem.
Agora é a história do orçamento no TC. Mas podia ser outra qualquer. É um pretexto, uma birra. Que não os leva a lado nenhum, e se levar será para o Tarrafal do descrédito…

PS: Se eu fosse o prof. Adriano Moreira (coisa que nunca serei, dados os inigualáveis respeito, conhecimento e lucidez que a ele são amplamente reconhecidos), teria vergonha de ter como filha dona Isabel. Parece impossível como alguém possa ser tão intelectual e espiritualmente diferente do seu digníssimo progenitor. Shame!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Grande Ocidente Lusitano


Anda por aí grande agitação acerca da Maçonaria. Descobriram-na. Parabéns!
Foi preciso chegar-se tão tarde para (começarem a) perceber os nefastos efeitos que as sociedades secretas têm produzido nas Democracias. Na nossa, particularmente. Aliás, pergunto-me, tal como fez Sousa Tavares: porque carga de água existem "sociedades secretas" se a “democracia” em que estamos vai sendo livre e transparente? Que escondem?
Escondem os interesses económicos, sociais, políticos. Escondem os negócios, as vigarices, a corrupção, o tráfico de influências. Escondem a chulice ao Estado, o compadrio, os favorecimentos nos casos judiciais, os arranjos nos ajustes directos, ... Percebe-se.
O que não se percebe é como foi possível passar-se tanto tempo sem que (quase) ninguém se tenha apercebido do que se denomina por "bloco central" mais não é que o jogo em que a Maçonaria participa. O que não se realiza é como tenha sido possível passarem-se tantas legislaturas sem que estas questões tenham sido decentemente enquadradas na Lei. O que não se entende é como andam os partidos há décadas nesta cega-rega, deixando-se infiltrar por esta gentalha, sem alcançarem o perigo que ela traz para o seu futuro e o da própria “democracia”.
Ou melhor, talvez se perceba, realize e entenda, já que falamos de "secretas" e da mesma gentona que tomou as rédeas do tal "bloco" desde sempre...

PS: Para mais, ler os esclarecedores textos de Franciso Fonseca e de Daniel Oliveira.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Querido?

«Querido», mudei de "casa"!
Parece que a Coreia do Norte tem novo líder, cujo o nome me é indistinguível dos demais, por infortúnio do «grande cansaço físico e mental» que o governo da nação provocou no seu ditador. Dizem que, o sucessor, igualmente ditador, é tão “querido” como o outro, não sei é bem para quem. Talvez para os desgraçados que contam as poucas “senhas” ao ano (assim designadas) para comer uma taça de arroz… Ou talvez, antes que todos, para os “ocidentais”, como os camaradas do Partido Comunista Português, que endereçaram «sentidas condolências» a tal regime pelo fatídico acontecimento. Pagode absoluto de gente que vive num Mundo à parte! (Ou será este o modelo que querem para o «País de Abril»? Claro que é!)
Mas o que salta é que o raio do (novo) homem (novo) não se sabe se nasceu há 27, 28, 29 ou 30 anos. É como determinar a idade de Cristo. Ninguém sabe ao certo. Deve-se então louvar (como eles lá tanto gostam) a visão do pai sepultado: foi escolher logo, para o substituir, o mais novo de entre os que tinha, para durar mais; esqueceu-se foi que, de tão "novo" que o rapaz parece ser, só gosta de whiskies escoceses e de tabaco. E o mais "engraçado" é que com a saúde deste “querido” não se brinca: é diabético e sofre do coração. Que o tem, concluímos…
Outra pergunta que me salta é a seguinte: já que na prática (confiando que na teoria não se passa assim) eles são todos iguais (no que toca às feições, na nossa vista pois então), não será este (novo) “caramelo” (novo) um daqueles aselhas que participou na épica jornada dos 7 “secos” dos lusitanos no Mundial futebolesco de 2010 nas Áfricas, em que até Carlos Queiroz conseguiu pôr a "Selecção" a ganhar?

domingo, 18 de dezembro de 2011

O Escol do Xilofone

Para aqueles que, como eu, fazem questão de (re)lembrar o passado… perdão, parece que é um "presente"…, aqui fica uma relíquia: um post do blog "irritado" (assim se chama), da autoria de António Borges de Carvalho, a quem me vergo, sobre as marimbas que por aí vagueiam, no meu seguimento do Já percebemos!. Este, diga-se em abono do rigor, é um tesouro bem ao jeito do referido autor que, criativa e frontalmente, vem lavando o nosso contraditório, dia após dia… Recomendo (mais que) absolutamente a sua morada: http://irritado.blogs.sapo.pt/.













Está mais que glosado o discurso do homem das marimbas, bobo ao serviço do PS, truão de quinta ordem de entre os muitos que o estudante(?) da Sorbonne(?) nos deixou. Nada a acrescentar, que o discurso marimbado nem um escarro merece.
Interessante é ver como este desgraçado, assim que o exilado chefe abriu a boca lá nas franças, tratou de o glosar, de o apoiar, até de ir mais longe que ele na propaganda da doutrina do calote, ao ponto de achar que, com as suas bocas, os bancos alemães se borrariam de medo!
Interessante é verificar que este homúnculo mental é nem mais nem menos que vice-presidente do Zorrinho, quer dizer, do ilustre grupo parlamentar do partido socialista!
Interessante é olhar, e ver que o gatuno dos telemóveis (e não só), um tipo tão mau, tão mau, que nem o César o quis lá nas ilhas é outro vice do Borrinho!
Interessante seria saber quem são os outros vices … esperem aí!, lembrei-me de mais um, um vira-casacas de alto gabarito, um parlapatão que apelida de ordinário tudo o que não for do PS, um gajo que veio do CDS (fundador!), comeu um lugarzinho em Paris na malga do PSD, passou a serventuário encartado do Pinto de Sousa e continua, ferocíssimo, a tonitruar as cassetes que o ex ou actual chefe lhe envia de cidade da luz!

Ao ver os inúmeros representantes do emigrante que pululam na bancada, somos levados a ter pena da insegurança do Seguro. Coitado, cercado pela gentalha do outro!
Mas o homem não merece a nossa pena: a gentalha, o miserando “escol”, não subiu a escada sem o seu acordo, presume-se. Sem o seu acordo não se teria rodeado de “conselheiros económicos” tais que o tipo das marimbas e essa intragável e desagradável criatura que dá pelo nome de Galamba.
O Seguro, afinal, tem o que merece. Se calhar até gosta.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Já percebemos!

Primeiro, Pinto de Sousa (vulgo Sócrates)…

Depois, Pedro Nuno Santos (figura ilustre do nosso Parlamento)...

Diz a notícia: Durante um jantar de Natal, no passado fim-de-semana, em Castelo de Paiva, o deputado socialista [membro da comissão de acompanhamento do memorando da troika] e líder do PS-Aveiro, Pedro Nuno Santos, disse que o Governo devia "marimbar-se" para as exigências dos credores internacionais. O vídeo explica-o mais que bem.

Era só para avisar: ó camaradas, não precisavam de se “explicar” tanto. Era-vos já largamente reconhecido o apetite pelo borlismo, desleixo e despesismo. E há muito!
Se vocês, no quadro destes “encontros populares e informais”, perante pessoas, se saem com estas “bujardas”, não hesitando nas palavras, nem temendo a opinião a gerar-se, o que farão quando estiverem a sós com as vossas “consciências”, a postos para decidir o futuro dos vossos concidadãos?

Na vida real, a polícia faz “figas” para que os ladrões confessem os crimes. Essa prova (testemunhal) vale, muitas vezes, mais do que qualquer outra pericial que se possa obter no decurso da investigação.
Neste conto também há ladrões e os polícias são facilmente inidentificáveis. É tudo semelhante: os ladrões assaltaram a casa e “deram à sola” em seguida, para longe dessa “casa” claro. Mas, por incrível, andam a “colaborar” com os investigadores, dando-lhes pistas (falseadas, pois bem) sobre a autoria de tal crime. A casa é de todos nós, chama-se Estado e é bem grandinha, mas agora quase já só tem paredes; as pratas foram-se… A polícia, personificada na troika, decidiu pôr trancas à porta (bem conforme o famoso ditado): poupar, gastar menos, arrecadar mais dinheiro. Os ladrões, no alto da sua habilidade, dizem que as “trancas” não são essas, ou que elas estão mal postas… Também nesta história, as palavras valem mais do que mil números…

Entende-se então agora que, quando os “outros” reclama(ra)m a irresponsabilidade destes “finos sábios”, co-finalizada no sucessivo adiamento da ajuda internacional, não estavam mesmo a exagerar. Exagerar é antes vir um discípulo papaguear, “marimbando”, a cartilha do mestre. Não era preciso. Já tínhamos percebido!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Greve ao esforço

Em nome do Povo, do Pão e da Pátria!
É fascinante verificar o agrado descontrolado dos “trabalhadores” (dos seus “verdadeiros” representantes) pela paralisação económica e social que estes dias provocam. É tão bonito reparar nos “jornais que ficam por vender nas bancas”, nas filas imensas das paragens de autocarro e comboio, nas escolas sem professores, nos correios por abrir, no trânsito matinal suplementar…
Se juntarmos a isto as belíssimas “pontes” que se podem construir com estes eventos, ainda para mais seguidas de outros “viadutos” nas semanas que se seguem, chegamos sem hesitação ao “dia histórico” que o de hoje representa, à “vitória“ da plebe “oprimida”, na “luta” da classe operária, contra o “grande”, médio, pequeno, nenhum “capital”. Em geral, contra os que querem trabalhar, os ricos, os pobres, os assim-assim – os que se entregam ao “privado”.
O “direito à greve”, Fundamentalmente consagrado no “Estado dos direitos”, tornou-se um luxo. Razão pela qual apenas a função pública, à sombra do trabalho “precário“ e dos salários em atraso, tem folga para se prestar a estes happenings.
Tudo, sem grande esforço…

sábado, 19 de novembro de 2011

Iniciativa de Auditoria Cidadã à Dívida Pública

AR: saibam vós que o Povo está/deve estar atento!
Anda por aí um movimento peticionário (a juntar à colecção vasta de manifestos e de “iniciativas cívicas” que enchem as nossas caixas de correio electrónico) que “pede” uma auditoria pública, civil, participada às dívidas do Estado.
Muito provavelmente, como tem acontecido com petições e posições públicas semelhantes, esta também não vingará. O Governo tem “mais que fazer” e, este ou outro qualquer, não vê com bons olhos essas “modernices” da democracia participada e vigilante, seja a responsabilidade do problema, sua ou dos seus antecessores (o que parece verificar-se neste caso). Essa discordância dos nossos mais altos gestores públicos não me impede de apoiar a ideia, embora reconheça a sua impossível aplicação.
Concordo pela “simples” razão de que é direito e dever de todos, aqueles que se “interessam” e os que “nem querem ouvir falar” dos “assuntos dos políticos” e das “coisas” da finança, estar atentos, perceber e descobrir o rasto dos seus impostos, no estreito exercício da vigilância popular aos actos e negócios públicos, para análise eficiente dos efeitos por estes causados, tanto no passado, quanto (mais) no presente e futuro, seja na esfera económica e social, ou na política e jurídica. É obrigação de todos os cidadãos, não obstante de poderem considerar justa a fundamentação que alicerça esses actos, avaliar as suas consequências e investigar, auditando, as suas origens.
Como tais consequências se revelam brutais no quotidiano hoje vivido, essa necessidade de intervenção, não necessariamente pelo uso da força física, do protesto desgarrado, mas antes da importância da presença e acompanhamento das políticas públicas pelo povo, torna-se absolutamente premente. Ainda para mais, se é preciso mais, quando há a desconfiança do dolo e do desbarato terem suportado as decisões objecto de análise.
Por isso: subscrevo e faço subscrever!

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Vergonha para quê?

Aqui há dias, no espaço de poucos, os correligionários de Sócrates, responsáveis primeiros pelo desgraçado estado deste País, saltaram para a praça pública a criticar as opções do Governo actual. A dose de descaramento foi tão grande que o meu espanto virou colossal. Trago quatro exemplos.
Ditadura do proletariado

Primeiro, um dos mais capazes e isentos de culpas de todos eles, Fernando Teixeira dos Santos (FTS, chamemos-lhe assim), veio intervir no debate e lançar algumas ideias. O senhor, que «agora já não é político» (leia-se irresponsável) e que «só dá aulas» (leia-se tornou-se “sensato”), veio dizer que o Orçamento de 2012 exigirá «sacrifícios muito significativos, incontornáveis e inadiáveis». Mais disse Teixeira que espera que o OGE seja aprovado, pelo PS, forçando a prol de Seguro a aceitar este OGE como seu, não desperdiçando o honroso legado do precedente secretário-geral do partido e de Teixeira, já agora.
Curioso seria um político, saído pela “porta pequena” de um tão dramático descalabro que representou a governação de Sócrates, vir agora dar lições sobre “como governar em tempos de crise”. Não foi completamente isso que FTS fez, mas quase. Ainda sobre o OE’12, o ex-ministro (nós adoramos ex-(primeiros-)ministros, que, aos nossos olhos, passam de bestas a bestiais por simplesmente não os vermos, não nos aparecerem no ecrã da TV todo o santo dia!) veio reclamar austeridade digna, dizendo que «sacrifícios devem ter sentido de equidade». Espero que Vítor Gaspar siga os conselhos de quem realmente percebe do assunto, e não opte por caminhos errados, espinhosos e tragicamente consequentes.
Depois de brilhante lição do «professor», FTS foi ao seu livro de memórias e aí conseguiu “surpreender-nos”. Adiantou o “académico” que, nos longínquos tempos em que passava os dias na Praça do Comércio (vulgo Terreiro do Paço/Ministério das Finanças), esteve para se demitir… e agora, para estupefacção geral… por alturas da aprovação de uma nova Lei das Finanças Regionais (em 2010 – com a famosa “coligação negativa”/”santa aliança” na AR). Diz o senhor que isso só não aconteceu graças às enxurradas que vitimizaram o Povo madeirense (em Fevereiro), impedindo simultaneamente por acordo de várias partes que a Lei não seguisse em diante. É sempre lamentável quando acontecem estas fúrias da Natureza, mas neste caso esse lamento multiplica-se por indeterminadas vezes, já que, se esse fenómeno não se sucedesse, o senhor sairia mesmo do Governo e aí poderia ser que a catástrofe (financeira) não fosse tão gravosa. É também fascinante perceber como um governante, depois de tanto disparate acumulado, depois de tanta política prejudicial ao nosso futuro, depois de se “agachar” perante tamanha irresponsabilidade do seu primeiro-ministro, venha revelar que esteve para abandonar o cargo que ocupava há cinco anos, não pelos “disparates”, não pelas “políticas prejudiciais”, nem muito menos pelas “irresponsabilidades do seu PM”, mas antes por um despique partidário (errado, é certo) com relevância marginal para os nossos destinos. Bem sei que o outro (Manuel Pinho) também se demitiu por fazer uma “macacada” na Assembleia e não pelas gaffes sucessivas que cometia, e que talvez FTS tenha querido seguir o exemplo. Que raio de vírus insensato!
Segundo, no dia seguinte a FTS, de manhãzinha, a ex-ministra da Saúde Ana Jorge veio reforçar um repto já lançado por outros: os cortes [no Ministério da Saúde] não podem pôr em causa a qualidade do Serviço Nacional de Saúde [SNS]. Diz a ex-governante (agora co-promotora da Fundação Serviço Nacional de Saúde – mais uma para espremer dinheiro aos contribuintes; gostava de saber o que vai fazer esta Fundação…) que se atingiu «um patamar de qualidade e de nível de Saúde que é importante salvaguardar». Mais uma vez, descartou-se de responsabilidades pelo estado do sorvedouro de dinheiros SNS: Ana Jorge entende ainda que a culpa de alguns erros nem sempre é dos decisores políticos, mas também é de «quem está no terreno, que tem de fazer escolhas e transmitir informação correcta para ser tomada a decisão» (conclui a noticia). Dá vontade de perguntar: Que alternativas arranja a Sr.ª para reduzir os desequilíbrios da instituição SNS? Que medidas tomou a Sr.ª no seu tempo para resolver essa problemática? Será que elas (as políticas pela Sr.ª decididas) não afectaram a «qualidade do SNS»? Que autoridade tem a Sr.ª para vir reclamar cortes “dignos”? Pois…
Terceiro, depois do brilhante preparo do ex das Finanças (primeiro) e da Saúde (de seguida), foi a vez de Basílio Horta brilhar, na tarde seguinte. No Parlamento, numa interpelação do Bloco de Esquerda ao ministro da Economia Álvaro (Santos Pereira), numa das vezes do PS intervir, Basílio Horta tomou a palavra e, como de costume, a coisa não lhe saiu bem. Ou antes, talvez tenha sido mesmo aquilo que o senhor queria introduzir no debate, mas mais parecia que o mesmo estava sentado (ainda) mais à esquerda (nunca fiando, o homem ainda acaba no POUS – só lhe faltam duas letrinhas), por ventura na bancada parlamentar do Bloco ou do PC. Foi ridículo!
Na circunstância, o camarada Basílio disse que, e passo a citar, «o senhor [Álvaro Santos Pereira] ficará conhecido como o ministro do desemprego». Justificou com o seguinte: «como a prioridade do Governo não é a retoma económica, como a prioridade do Governo é aumentar impostos, cortar salários e viver no momento permanente da contracção, obviamente que o Sr. ministro deixa de ser o ministro do Emprego para passar a ser ministro do Desemprego». Como é possível um cagarola destes, um dos braços direitos do anterior Executivo que se caracterizou por bater recordes atrás de recordes no que toca ao número de cidadãos laboralmente desocupados (será que Vieira da Silva e Helena André eram conhecidos nas conversas de Basílio como «ministros do Desemprego»?), à (falta de) crescimento económico, ao corte de poder de compra dos cidadãos, ao aumento de impostos, à redução de salários dos funcionários públicos e a outros mais mecanismos usados para sacar tostões aos que sustentam o “monstro”, vir agora vociferar, que nem “virgem ofendida”, contra esse flagelo económico-social, que ele, enquanto presidente da AICEP, pouco fez para corrigir? É de mim ou o homem não está bom da cabeça? Considerando que o senhor, uma vez feita a travessia desde o CDS para o PS (sem passar pelo PSD) e misturando-se nesse percurso umas quantas palavras simpáticas ao histórico fundador do partido que agora representa de “alma e coração”, talvez terei de refazer as minhas considerações: é capaz de não estar “mau da pinha”. É o seu estado natural!
Quarto, para atestar que a falta de vergonha não raras vezes se faz acompanhar pela estupidez crónica, Paulo Campos, um dos ilustres deputados da “Casa da Democracia” (que serve neste momento de cemitério para os beneméritos dos Governos de Sócrates), veio rebater aqueles que acusam (sem fundamento, certamente) o governo da qual fez parte de ter sido o “pai” dos encargos futuros a suportar, por via das Parcerias Público-Privadas (as egrégias PPP’s).
Interrogou o “Dr.” Campos: «onde é que está o desvario das PPP’s»? Na casa dele não me parece que esteja, porque um esperto destes, que fez toda a sua vida a rondar os meios partidários, conhecido como o agente do lobby da construção civil (respeitável máfia deste Portugal) nos governos socialistas, representante maior do boyismo partidário invasor da Administração, que tirou um curso universitário “para inglês ver” (embora a um dia de semana inglesa, estou certo), que conseguiu impingir compadres seus para variadas instituições públicas e participadas, fazendo-os passar por inquestionáveis profissionais, qualificados missionários para o bem de todos (eles), nunca assumiria como sua a factura do serviço público que prestou a todos os seus concidadãos.
É mais do que sabido das deficiências contabilísticas, para não dizer da deliberada intenção de maquilhar a realidade, de que os Orçamentos de Sócrates estavam viciados, no que respeita às PPP’s. A esse propósito, o quadro ao lado é capaz de elucidar o Sr. deputado. Caso a luz não chegue ao cérebro do camarada Campos através deste documento, poderá sempre o caro amigo consultar os relatórios do Tribunal de Contas (e do meio académico) sobre esta temática e, aí, tenho a certeza de que não mais terá estes acessos de dúvida.

Depois do espectáculo de intervenções destes aprendizes, fomos surpreendidos, ou não, com o jogo de pressão operado pelo mestre de todos eles. Ao que adiantou a imprensa no fim-de-semana que se seguiu, Sócrates, D. José, andou, se ainda não estiver, a pressionar os deputados socialistas da sua “ala” (que são poucos diga-se: basta pensar que os ex-ministros e secretários de Estado são todos agora deputados…) para que, por sua vez, pressionassem o líder (oficial) do partido a votar contra o Orçamento de 2012. Segundo dizem, agir no contrário seria legitimar, não o corte nos dois subsídios, não a falta de estratégia para o crescimento, não a decadência do “Estado Social”, mas antes… pasme-se… a expressão “desvio colossal” nas contas estatais. Para os príncipes, o facto do PS se aliar ao PSD de Passos e CDS de Portas na concordância dum Orçamento que, em larga medida, se limita a aplicar as medidas constantes no acordo internacional que o PS, e o rei, assinou, significaria aceitar a herança, injustificada decerto, que o novo governo recebeu, e que tanto usa para fundar a imposição de nova austeridade. Este comportamento só pode vir mesmo desta gente. Gente preocupada, em primeiro, segundo, terceiro… e último lugar, em salvar a sua pele, em acamar os seus projectos futuros e em garantir um além digno para os seus bolsos. E nunca procurar consensos, assegurar a estabilidade político-financeira e desanuviar a carteira… do Povo.
Esta atitude, ultra censurável, não aparece por graça de espírito difuso, mas antes explica a acção da mesma gente nos últimos seis anos em que esteve no “poleiro”. Obviamente que tais atitudes, as primárias e as derivadas, devem ser criminalizadas. Em Portugal, ao contrário do que já fazem outras Nações europeias, nada disto é feito, Num dos exemplos a seguir, a sociedade é muito mais vigilante e o seu meio de comunicação social muito mais investigador, e, num outro, há uma Justiça que não tolera e julga o dolo (eventual ou mesmo premeditado) que possa conduzir a que a “populaça” ande nem de “tanga”. Falo pois dos casos de Inglaterra e da Islândia.
A criminalização dos políticos nunca será levada a sério nesta Democracia. Algo só se realizará, caso o País entre num novo “Estado Novo” ou num qualquer outro regime mais restritivo, numa hipótese que se não exclui nos tempos que correm. Aí, esse “Salazar” que tentar gerir esta bagunça vai-se deparar com uma situação insustentável, cujas origens são diversas e os protagonistas variados foram, mas rapidamente chegará aos principais culpados do paradigma e, nessa altura, levá-los-á ao banco dos réus, se não estiverem a monte. Agora, neste regime oligárquico, onde a Maçonaria domina e as elites se protegem, os legisladores e executores nunca proporiam uma norma em que eles mesmos seriam os únicos prejudicáveis.
Afirmam os detractores da responsabilização penal dos governantes, em casos de muito prejudicial performance destes nas funções representativas, que o seu julgamento não faz sentido por não haver uma extensão ao caso empresarial. Mas enganam-se. É certo que um patrão nunca será posto na cadeia por dever a um trabalhador, mas poderá, em caso de insolvência da empresa, responder por gestão negligente ou mesmo danosa dos dinheiros da firma que conduziu ao incumprimento perante o credor (trabalhador), e não pela dívida em si. As práticas de dolo eventual estão previstas no Código Civil e no Código Comercial podem em alguns casos os proprietários serem chamados a entregar património para que as dívidas sejam saldadas. Ora, como a dívida pública já anda nos 100% do PIB e 40 pontos percentuais dela foram da responsabilidade do “Eng.” José, parece-me incomportável alguém assumir estes débitos, quanto mais uma pessoa que não está habituada a admitir os seus deveres… Mas claro, se alguém garantir que essa quota-parte for saldada, a questão da gestão danosa põe-se na prateleira.
A prerrogativa do julgamento de políticos não é inédita. É uma causa a que me associo totalmente, tendo em mente a materialidade dos números com que estamos a lidar: Falar dum agravamento do défice de 1 pp, num único ano, não é o mesmo que fazê-lo para valores de 8 ou 9 pp, em períodos consecutivos, por teimosia e calculismo partidários, porque se acha que um País pré-falido nunca deve pedir apoio externo mesmo que quase não tenha cash para solver os seus compromissos mais básicos (retribuir salários e pagar pensões). E o mesmo acontece com a dívida estatal: quase dobrar a percentagem de passivos a saldar no futuro, no espaço de 6 anos, para uma Democracia que já leva perto 40 de existência, é uma perfeita loucura.
No que concerne a esta temática, Teixeira dos Santos também tem a opinar. E obviamente que a sua posição é previsível. «Convém fazermos um esforço para não entrarmos todos em delírio, num delírio colectivo», avisa FTS. E prossegue dizendo que «nem quer ouvir falar na criminalização dos políticos», pela lógica de que, caso ela estivesse consagrada na Ordem Jurídica Portuguesa, ele, o próprio do mesmo FTS, seria dos primeiros a responder perante a Justiça. E, por isso, ninguém é bom juiz em causa própria.
A proposta ganha adeptos, ao ponto desse assunto já ser comentado nos media. A esse respeito, destaca-se a mensagem de José Gomes Ferreira, um seu entusiasta dentro do possível (passo o paradoxo), que, refira-se, sempre alertou, um pouco contra-corrente, para o abismo que Sócrates e a sua gentinha nos estava alegremente a levar. Numa sociedade responsável, que saiba elogiar e criticar, inocentar e culpar quem deve, e onde “quem não deve não teme”, a criminalização da política incompetente, desleixada e dolosa seria perfeitamente exequível. Ainda por cima, para um País Europeu que se quer próspero e livre da corrupção, do compadrio e das “cunhas”. Mas, claro, é sempre mais fácil e divertido comparar-nos a Nações da América do Sul (onde já não estamos há mais de século e meio) do que equiparar-nos a Estados da Europa (onde sempre estivemos).

Para terminar, pensemos no seguinte: Um sujeito, seja quem for, está sentado confortavelmente em casa a ver Televisão. Nisto, o programa a que estava a assistir pára no exacto momento de maior suspense e vai para intervalo. O/a nosso/a homem/mulher continua preguiçosamente no mesmo lugar, no mesmo sofá, encostado às mesmas almofadas, enquanto assiste inutilmente à catadupa de anúncios publicitários que se seguem na sua TV. Por obra do diabo, a pessoa em questão é “forçada” a interiorizar uma publicidade duma conhecida marca de cigarros (a Mariboro, vamos supor). Daí em diante, por (des)graça dum almoço de amigos, o mesmo indivíduo converte-se infantil e tragicamente aos encantos do fumo. Ao fim de anos a inalar o alcatrão viciante, o/a dito/a é aconselhado/a (como todos nós) a fazer um check-up à sua saúde. Nesse percurso, descobre um problema oncológico sério que o confronta com a necessidade de se submeter a um tratamento de choque: deixar de fumar e tratar o cancro.
A analogia é simples: Perante um doente debilitado, sem poder nem autoridade de escolha do seu melhor, como é o Portugal de hoje, a conversa que cola é a de deixar o “vicio” ou de continuar na irresponsabilidade e no facilitismo, correndo o risco de se colapsar? E a quem se deve dar ouvidos: aos técnicos da “marca de cigarros” que “convenceram” o País a “fumar” ou ao “médico” que o está a tentar "curar"? Será que os tais técnicos da “cigarreira”, por muito conhecedores que possam ser dos antídotos para as crises que eles próprios provocam, têm credibilidade para propor este ou aquele “fármaco” a um País que se encontra em risco de “morte”? Não, obviamente! Aliás, qualquer pessoa de juízo que apanhe um “susto” destes, não mais pegaria num cigarro. Sabemos que nem sempre isso acontece. Mas, africanos que morram à fome não faltam por aí, e não é por isso que o Mundo está mais justo!
Defronte para o cenário que vivemos, a história é a mesma: Temos um PS, que personifica a cigarreira, que andou a vender uma marca altamente potente e viciante em défices que se seguiram a défices, acumulando dívidas e encargos a suportar pelos futuros, instalando um sistema impossível de sustentar para aquilo que angariávamos, durante anos a fio. Um médico, que se representa pelo PSD, não de todo dos mais capazes, mas que é chamado para os teatros de pânico, que se vê obrigado a operar vários órgãos do paciente, por não haver alternativa (ou melhor, por a alternativa ser fatal), e que é estritamente vigiado pelo chefe clínico (leia-se a troika), não podendo falhar sob pena de ser despedido (leia-se perder financiamento), para lá dos prejuízios para o próprio doente. E um doente, chamado Portugal, com 10 séculos de História e 10 milhões de habitantes, que, seja qual for o culpado da situação onde foi metido (e se meteu), tem de sobreviver para contar mais um conto, dê lá por onde der.
Nesta lógica, os socialistas não têm moral para criticar quem anda a reparar aquilo que eles quase destruíram. Mas acham que têm, e ainda não passou meio ano desde que foram humilhantemente desterrados para os assentos do quinto anel do Plenário do Parlamento. Para eles, a “lata” é tudo, a vergonha nada. Vergonha para quê?

sábado, 22 de outubro de 2011

Estado de Direito

Deputado arguido eleito para o CEJ
Ricardo Rodrigues vai ser julgado por atentado à liberdade de imprensa. Juízes e procuradores contestam escolha de um arguido para o Conselho Geral do Centro de Estudos Judiciários.


Ricardo Rodrigues (aquele que palma gravadores a jornalistas em flagrante delito (!), quando estes lhe fazem perguntas não totalmente do seu agrado) foi nomeado para o Conselho Geral do CEJ, com o acordo dos partidos com assento parlamentar.
Nada melhor do que um gatuno (para além de outras coisas – um tipo que ainda tem, e não "teve", problemas com a Justiça) para um órgão do Centro onde se formam juízes e magistrados.

Brilhante conluio partidário e o progresso do Estado de Direito ao virar da esquina...

domingo, 18 de setembro de 2011

Estou Seguro que não vales nada!




 
 

O ciclo de sempre: ganha, disparata, perde, exila-se

 

O País carrega a cruz que merece...

O esfrangalhadíssimo (pelo resultados eleitorais de Junho), desnorteadíssimo (pelas suas responsabilidades na crise que Portugal atravessa e pela inversão ideológica que significou o consulado de Sócrates) e desavergonhadíssimo (pela ignorância dessas responsabilidade) Partido Socialista escolheu o seu novo líder: António José Seguro. Um senhor de bom coração, mas de pouca razão.
Diz a Wikipédia que António José Martins Seguro nasceu em Penamacor há 49 anos e é um “assistente universitário e político português”. Acrescenta: “estudou Organização e Gestão de Empresas, no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, mas acabou por se licenciar em Relações Internacionais, na Universidade Autónoma de Lisboa Luís de Camões”. ”Foi ainda director do jornal A Verdade de Penamacor, e chegou a secretário-geral da Juventude Socialista.
Interpretando a sua história de vida (a parte que nos interessa), chegamos à conclusão que o perfil de Seguro se enquadra bem com o daqueles que compõem a nova geração política nacional. Talvez seja isso que mais se revela: a sua plena adaptação ao meio político que se criou ultimamente, com o governo das J’s e a construção de uma vida partidária activa e cheia de “méritos”!
Contudo, dele (ele, António José Seguro – AJS), os portugueses não conhecem percurso académico rico em aproveitamento e credenciais, apenas que se formou e lecciona na “Universidade Autónoma de Lisboa Luís de Camões”, o que não se afigura muito prestigiante, convenhamos. Dele, os cidadãos, e seus potenciais votantes, não notam percurso profissional fora da política que se recomende. A ele, o Povo não associa grandes causas sociais. Dele, os eleitores não se lembram de trabalho parlamentar (em Lisboa e em Bruxelas) apresentável, à excepção da “Reforma do Parlamento”. Dele, os socialistas e não-socialistas não têm memória de crítica construtiva às políticas de Sócrates, em tempo oportuno, e reparo audível à herança por este deixada, nos dias de hoje, cujos danos estamos e continuaremos todos a pagar. Dele, todos os que se interessam pela política (quase) não se lembram que fora ministro: “Ministro-Adjunto do Primeiro-Ministro” – essa invenção usada para reforçar o peso partidário (e ex-juvenil-partidário) nos nossos decisores. Da sua eleição (para secretário-geral socialista), saberá o menos crítico dos cidadãos que fora conseguida sem grande surpresa; graças à mais meticulosa gestão de silêncios durante esta década; fruto do seu “trabalho” nos “bastidores do partido”; pós-cedida dum resultado em urnas devastador, duma ala socratista socialista (aparentemente, sua oponente interna – representada por Francisco Assis) enfraquecida na legitimidade de criticar o centro-direita e malvista pelo eleitorado que a massacrou; em consequência da recusa (provisória) de António Costa (mais forte candidato ao cargo) em “chatear-se” à frente do aparelho, nestes dias de oposição, preferindo o sr. o cómodo lugar de Presidente da Câmara de Lisboa e comentador na Quadratura do Circulo, para previsivelmente “roubar” o cadeirão a AJS mais tarde, deixando queimar em lume brando a imagem do seu “líder” até lá, candidatando-se depois às Legislativas de 2015. Dele, destaca-se pouco mais que uma vida política com mais de 30 anos, cheia de coisa nenhuma. Digam-me lá que não foi e é brilhante e inspirador o percurso académico e “profissional” de Tó Zé – o carinhoso?
E assim foi eleito. Durante o XVIII Congresso Nacional do PS, AJS expôs-se. Expôs principalmente o seu discurso vazio em ideias novas que ajudem a Pátria a sair donde a meteram e cheio em “propostas” consensuais, banais, triviais, como: a defesa do crescimento económico, do combate à corrupção, da diminuição das desigualdades sociais e da “igualdade na distribuição dos sacrifícios”, da criação de uma agência de rating europeia, da introdução imediata das eurobonds e do reforço da integração política da União Económica e Monetária. Enfim, um manancial de “pensamentos construtivos” que podiam ter origem na mente do mais comum dos mortais. Basta sondar na rua, no café, no estádio de futebol… para perceber isso! Expôs ainda a sua estratégia global de “afectos”, virada para a “intimidade” com os media, fundada no show off e assente no reforço do partidarismo no Estado (impressão minha), algo que não o distancia em nada do rumo de José Sócrates. Não creio, e não sou só eu que “creio”, que seja isso que Portugal mais precisa. Já o teve no passado e o resultado não foi bonito. Mas, “isso” veremos mais tarde…
O PS está então num beco: promoveu e assinou o acordo com a troika, cheio em medidas duríssimas para aplicar e sacrifícios por distribuir; carrega o fardo das governações socialistas e das responsabilidades que lhe são inerentes (em 16 anos, o PS executou em 12), das quais se destacam as de Sócrates – o auto-exilado, completas de medidas negligentes, irresponsáveis, criminosas (como se lhe queira chamar); e tem o seu espaço de afirmação política reduzida ao tamanho da Betesga: à sua esquerda tem a via do protesto anti-troika, a “rua”, as políticas anti-capitalistas e anti-“neoliberais” que são absolutamente incongruentes com aquilo que ele (PS) praticou, e à direita tem a aplicação do acordo cujo primeiro outorgante é ele mesmo. Por isso, não tem nexo nem autoridade a arrogância da crítica ao governo PSD-CDS. A sorte do PS e de Seguro é que a memória de “cada uma das portuguesas e de cada um dos portugueses” é curta, muito curta, para se lembrarem do mal que a “rosa” lhes tem feito!
É com isto que temos de conviver. Com políticos sem chama nem passado, sem obra nem trabalho (nas suas várias acepções), sem luz nem competência. Com políticos que se orgulham de terem fumado charros em tempos (sim, em entrevista ao Expresso, há coisa de 3 ou 4 meses, AJS admitiu-o), apresentando-o sem receio, como forma de ganhar simpatias. Com políticos que nem no partido que “lideram” conseguem ganhar carisma e construir unidade (ao contrário do que apregoam). Seguro, vais-me desculpar a franqueza/brutalidade, mas acho-te, como político, muito fraquinho – mas, descansa, não é só de ti que acho isso!
Num momento único do Nosso Estado (porque o Estado é Nosso – de quem o sustenta), precisávamos de gente decisora capaz, audaz, sagaz, eficaz. Mas não é o que temos. Não me revejo nestas pessoas, mas vou fazer o quê? Esperar, mas nunca calar…

domingo, 31 de julho de 2011

Velhas Oportunidades para a nossa (re-)Educação

  
A propósito desta “coisa” das “Novas Oportunidades”, do “copianço” no CEJ, dos tão brilhantes, quão repetitivos, resultados dos exames nacionais do ensino primário e secundário e do desemprego de milhares de jovens licenciados e cérebros deste Portugal, apraz-me buscar as causas para estes fenómenos.

Por todos é reconhecido, tal como fiz referência no texto Uma Política cheia de tudo. Uma Assembleia cheia de nada., a mudança de valores verificada na nossa sociedade, decorrida do passar dos tempos e comum a outros países do “mundo desenvolvido”. Essas mudanças tiveram um mais imediato e outro mais distanciado efeito sobre a população jovem (que se está a formar para substituir os pais e avós nos seus próprios destinos e nos do País), contribuindo em boa e má conta para a formação física, intelectual e moral dessa franja etária.
Hoje, as famílias são mais pequenas, têm cada vez menos crianças e os adultos são pais mais e mais tarde, por força da formação superior e da procura de emprego que tarda em satisfazer os critérios da estabilidade. São em cada vez maior número os agregados monoparentais e com um só filho. Os adultos são sujeitos a cargas horárias de trabalho que lhes “comem” quase todo o dia, para lá do pouco dinheiro que ganham. Acrescenta-se ao stress causado pelo chefe no emprego, os afazeres em casa, depois do primeiro. Somando tudo, dá um estado de muita impaciência e difícil de aturar “putos” cheios de energia, e de irreverência às vezes! Em consequência do pouco tempo disponível para os “piquenos”, estes são depositados em frente ao ecrã, a comer bolachas, enquanto a mãe, ou o pai, cozinham o jantar; ou então, alternando, quando a força e a necessidade são maiores, depositados em frente ao caderno, sem grande apoio pedagógico, ou com o possível tendo em conta todas as tarefas anteriores dos progenitores. Amalgamando tudo, não pode dar coisa boa: a veia da intolerância e rabugice passa alegremente para as crianças, a do esforço e trabalho fica pelo caminho.
“O pepino é mal torcido desde pequenino”, quero dizer, a educação que os pais de hoje prestam aos de amanhã não é seguramente, nem podia ser de maneira nenhuma, a que os pais de ontem deram aos de hoje. Não pode, porque a sociedade é “outra”: o regime (português) mudou, as coisas são diferentemente vistas, as pessoas têm menos tempo umas para as outras, a religiosidade entre nós atenuou-se, o culto está hoje na pessoa (na pessoa-criança, especialmente) e no material, no virtual, no fictício.
 
IEFP - Iludimos os Esperançados num Futuro em Portugal

Como se não bastasse uma sociedade pouco “interessada” em educar os seus filhos, a política vem “ajudar à missa”. Prova disso é o sistema de educação que hoje temos. Não renego os avanços verificados no Portugal democrático pela maior amplitude do acesso ao ensino, mas todos concordamos que o sistema montado não capacita os jovens para enfrentar os desafios da vida, e até se configura como elitista: o facto de a escola pública estar carente de meios, disciplina e exigência e organização leva os jovens-ricos à procura das escolas privadas (com notória vantagem comparativa face ao conjunto das primeiras). Aglutina-se a isto as teorias do “eduquês” – «o deixar desenvolver o jovem sem a interferência tiranizante do indivíduo adulto» (ver O «eduquês» em Discurso Directo: Uma crítica da Pedagogia Romântica e Construtivista, Nuno Crato, Gradiva, 2006) –, que imobilizam as capacidades de crítica, de memorização, de auto-disciplina e trabalho, de perseverança e paciência dos jovens portugueses. Acrescenta-se ainda o materialismo na Educação (como são exemplo os “Magalhães”) e a ausência de planos de leitura obrigatórios nos cursos de línguas na formação escolar. Tudo isto “obra e graça” dos sucessivos governos desta democracia que, na vanguarda da “educação progressista”, não se deram ao trabalho de “parar para pensar”, preferindo o conforto do “quanto mais tarde [a reforma do sistema] melhor” ou do “quanto mais dinheiro [no sistema] melhor”. O resultado é o que se vê e segue!

Um dos mais acabados exemplos desta política educativa errónea são as “Novas Oportunidades”. O programa em questão só traz mesmo “novas oportunidades” ao nome que tem, porque aos que ele frequentam oferece pouco mais que ilusão. Constitui, porventura, um crime a acreditação de mais e menos jovens a torto e a direito, valendo para a obtenção do diploma pouco mais que a assiduidade às sessões dos cursos oferecidos. É um crime, não porque as pessoas não tenham "direito e prazer em estudar" e "saber mais" e “regressar à escola”, nem sequer pelo “risco” de termos “literatos a mais” em Portugal; mas antes porque se quer fazer querer aos frequentadores que três semanas nas “Novas Oportunidades” equivalem a três anos no Ensino Secundário, porque os conhecimentos lá "adquiridos" não se revelam nem úteis nem suficientes para desafiar no mercado de trabalho, porque a diplomação feita não corresponde aos efectivos conhecimentos dos alunos do programa.
Sendo assim, não nos admiremos dos problemas de inclusão social, estrutura mental e preparação para a vida activa da geração jovem (que, por sinal, é a minha).
CEJ - Cultivamos a Ética Juvenil

Não constitui por isso surpresa, ou não devia constituir, o episódio do “copianço geral” no Centro de Estudos Judiciários (CEJ). É bom lembrar que não estamos a falar de uma cena numa qualquer EB23 ou mesmo numa Secundária (que, mesmo aí, seria grave); estamos pois a lidar com licenciados em Direito que frequentam um curso de elite de formação de magistrados (juízes e investigadores do Ministério Público), cujas funções a desempenhar são nevrálgicas no Estado de Direito Democrático que formamos – integrarão um dos órgãos de soberania da República – a Justiça e os Tribunais. Seria suposto exigir aos futuros “Sr.s Juízes” e "Sr.s Magistrados" que se pautassem pelos mais cuidados critérios de honestidade e integridade; mas, pela solução que a direcção do CEJ encontrou para “resolver” o caso, só posso mesmo [infelizmente] exclamar “estão bem uns [direcção do CEJ] para os outros [alunos do mesmo]”! Repara-se que os decisores (os de primeira instância – direcção do CEJ – e os de última – deputados e governantes) não se mostram muito incomodados e preocupados com o assunto. Afinal, quem nunca copiou nos exames?!

Os resultados dos exames nacionais são outro dos mais visíveis e mensuráveis efeitos da política educativa. A esse propósito, eles não são famosos! É ainda mais intrigante a diferença estabelecida entre as notas atribuídas pelo professor na avaliação contínua escolar e aquela dada pelo corrector do exame nacional, a cada disciplina. Esta “inflação” torna impossível uma comparação histórica credível: quanto vale um "16" hoje comparado com outro de há três décadas? Ainda para mais, é reconhecidamente diminuído o nível de exigência praticado nessas provas, sendo algo que me conduz à interrogação: quais seriam os resultados dos exames, e a diferença entre estes e as notas da referida avaliação contínua, se as provas nacionais avaliassem realmente os conhecimentos de todos os estudantes necessários à matéria respectiva? A resposta permitiria-nos avaliar o estado do nosso sistema educativo. Mas ela não existe. Há muito que mudar!

A consequência futura das medidas tomadas no sector formativo é o desemprego juvenil. Já hoje, esse problema é dramático. Não só nesse escalão etário, mas muito particularmente nele. Segue-se inevitavelmente a emigração dos jovens desempregados, muitos deles (ou alguns deles) com ideias, sentido empreendedor e experiência ao melhor nível mundial. Um desperdício geracional. Um sinal dos tempos.

A política do “não desagradar o Povo” deu e dá no que se viu e continuará a ver. Como se montar um sistema educativo exigente, que não se foque apenas nos momentâneos resultados dos exames nacionais (mas que os torne efectivos medidores das capacidades dos alunos), mas tão-somente em tendências de longo prazo e em reformas duradouras, fosse “desagradar o Povo”. Essa construção não tem de implicar o retrocesso do que foi conseguido em democracia: liberdade universal do acesso ao ensino. É preciso um acordo político total, sob pena de mais e mais miséria e dependência no futuro, à custa da má preparação da geração de hoje e das ilusões criadas por esta ao frequentarem cursos superiores de pouco valor prático.
A vida é só uma. Não se pode pôr no lixo uma geração, dizendo-lhe que se está a colocá-la num resort de luxo. Se a política educativa for verdadeiramente progressista, a sociedade será mais saudável, autónoma e esforçada, terá menos filhos irreverentes e egoístas e tornará possível o progresso com base na energia dos seus jovens. Cabe tudo nas mãos dos governantes. Portugal agradeceria melhores práticas, o Resto do Mundo também!