escarafunchando no baú...

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sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Novela de país

Nota prévia: depois de um período de jejum para recarregar e renovar “amores”, “ódios” e assuntos, O Jusdiceiro volta, esperando que para ficar e durar.

Programação de "serviço público", de facto
O inacreditável da história Borges-Relvas-Passos-administração da RTP é a desnexo de toda ela. O seu maior contra-senso é que quem tinha mais condições para passar a “batata quente” foi quem mais desbocou: António Borges. Não sei se o fez por livre convicção ou a mando de alguém (o mais provável, a meu ver), mas o assustador é que ele parece saber e decidir mais do que quem está no Governo. O senhor, que falou mais numa hora do que muitos ministros num ano, lançou o barro à parede. Caiu mal. Pelo menos "queimou-se" um "consultor" e não um ministro (oficial).

A questão da propriedade pública de canais de TV coloca-se essencialmente a dois níveis. O primeiro, a utilidade que eles trazem à sociedade, a famosa cantilena do "serviço público". Quanto a isto, não é preciso um grande esforço para perceber que os programas do Malato, do gordo Mendes ou as palhaçadas do Baião não interessam nem ao diabo. O mesmo se aplicando às novelas brasileiras e às imensas horas dedicadas ao futebol, ao comentário do futebol e ao comentário do comentário do futebol. Está tudo lá para "encher", atraindo populaça. Concorrem apenas com o lixo da SIC e TVI. É esta a função da RTP? Não!
Em contrapartida, a programação mais rica é a mais ignorada delas: fascículos histórico-culturais, mostra do Portugal "remoto", das tradições locais, da gastronomia, das minorias étnicas, dos imigrantes cá e emigrantes lá, debates religiosos, parlamentares etc. são deitados fora por "não serem rentáveis". Ora, a RTP2 desempenha toda esta função mas é posta de lado como se de nada valesse. E até a RTPInformação desempenha melhor na função de informar do que o canal 1.
É portanto sobre isto que deveria cair o debate. Se me perguntarem o interesse que tem a RTP1, eu respondo tirando o “Telejornal” e o “Prós e Contras” de nada ela me vale. Se me perguntarem o valor (não financeiro) da RTP2, eu respondo muito. Se me perguntarem se a RTPInf deve continuar, eu respondo obviamente. Do canal Internacional não sobram grandes debates da sua importância para os emigrantes. Que se junte ao canal África então.
O segundo patamar de discussão para este tema deveria ser a influência governativa na Televisão. É inevitável: a informação é "vigiada" por quem é manda. Na RTP1 senão directamente pelo Governo, pela administração do canal que agrada ao Governo. E neste âmbito a RTP1 não tem saído muito bem na fotografia.

Partindo desta base não me importaria nada que o canal 1 fosse vendido. Até agradeceria já que é o mais caro e o menos útil deles. Assim, o Estado concentrar-se-ia nos canais mais valiosos e venderia a espelunca que sai cara aos privados.
Nada disto tem sido debatido. Ao Governo só interessa concessionar vs. vender, e não o quê e como concessionar/vender. A oposição só interessa se o Estado é rico ou não, se detém ou não detém, e não se preocupa (principalmente BE e PCP) com a eterna promiscuidade Governo-informação na RTP1 e com a inutilidade da maioria dos seus programas. Depois temos constitucionalistas-videntes que (como sempre) leem na CRP o que não está lá, mal disfarçando o alinhamento ideológico. E ainda os "especialistas em Televisão" que pregam como se a questão não fosse eminentemente politica.

E assim vai: Relvas não fala, Passos encaminha, Cavaco como de costume, Jerónimo grita, administração da RTP não concordava com Governo mas não se demitia (felizmente já se desfez por ela mesma), Governo não a demitia, Balsemão desespera e Borges actua. Um terror nesta novela de Pais.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Metamorfoses no apocalipse


Que raio de bicho mordeu em Judite de Sousa?
Desde que saiu da RTP para a TVI está outra: inquisitorial, “atrevida” e indiscreta. Está uma verdadeira jornalista “à TVI”, com tudo o que isso traz de mau, obviamente. Inclusive, imagine-se, anda por estes dias a decorar os ditames do populismo e do sensacionalismo, in apocalipse de Medina Carreira.
Não gosto que a bota não bata com a perdigota. Não gosto, pronto!

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A TVI

 A TVI está de volta às polémicas. Parece um íman que se leva aos casos e controvérsias sociais. Já os teve por várias razões. Depois dos episódios de Manuela Moura Guedes, do caso “PT-TVI” e de outros mais recatados que apareceram, agora a “Casa dos Segredos”. É a demonstração prática da teoria de Schumpeter que, não raras vezes, os próprios economistas têm dificuldades em passar do papel. De tempos a tempos, a TeleVisão Independente (assim lhe chamam) faz gáudio de aparecer nos catálogos da estupidez nacional.
"Uma televisão feita por si": podera...!

Nunca gostei da TVI. Irritam-me várias coisas nela. Desde já, a obsessão pela “ficção nacional”. Só pelo facto do seu mais honroso serviço ser o de passar novelas aos serões, é algo já de si bem demonstrativo da pobreza da estação.
Mas fora isso, o resto também não se aproveita. O jornalismo é paupérrimo. Faz questão de o ser: sensacionalista, populista, demagogo, tendencioso, pouco rigoroso. O que sobra não é melhor. Os programas de entretenimento, as manhãs do Goucha e as "Tardes da Júlia", ou qualquer coisa parecida que agora ilumina a ignorância nacional, são o espelho dum canal que só dá “bosta” (e acho que não estou a exagerar). Mas claro: nada disto a plebe ignora, por razão alguma a TVI é líder em audiências (só mesmo nisso). Salvam-se apesar deste tudo algumas reportagens irreverentes, não menos populistas, embora mais didácticas, e alguns comentários políticos. Uma gota neste oceano.
E depois vêm os reality shows. Uma moda importada, infelicíssima, não tão recente assim. Já conhecíamos os “Big Brothers” e as “Quintas das Celebridades”. Agora, essa “Secret Story” transposta.
Ainda sobre “celebridades”, que aliás a TVI tanta questão faz em formar, promover, idolatrar, lembro-me de João Gobern (fulano um tudo irritante, mas que desta acertou na mouche) que se entristeceu com um “País onde as baratas tontas da fama nada fazem para se aproximar desta, a não ser rastejarem nos comportamentos e disparatarem nas ideias”. Estas criaturas “célebres” são-no porque desempenharam papéis de “bruxa má”, “engatatão”, assassino em série, ou uma tipa que não hesitou em mostrar as mamas, nas novelas ou nos ditos “shows”, que o mesmo canal patrocina. Um ciclo interessante!

Não nos deve surpreender, neste colo tão inútil e abjecto, que a tal “Casa dos Segredos” seja um resultado disto tudo.
O País já tinha tido oportunidade de apreciar a forma mais genuína da ignorância da sua populaça, superiormente iluminada por uma concorrente. A juntar a isto, deu-se a pensar que, afinal, em consonância com o verbo “descarado” do nosso actual primeiro-ministro, por alturas da campanha de Maio, a história das “Novas Oportunidades” não serve mesmo para nada (como fiz referência em tempo “longínquo”). Obviamente não me querendo alongar na caracterização dos outros resíduos de tal “Casa”.
Agora, o Portugal do “nobre Povo” espanta-se (?) com o “segredo” dum tipo que, à boleia de fama tão instantânea e esperta, decidiu-se tentar enfiar em tal concurso, contando que o seu pai fora, em tempos, um praticante de corte e costura nos ventres humanos. (Recomendado o artigo de Ricardo Araújo Pereira na Visão desta semana, com o titulo: Édipo e Teresa Guilherme: um estudo)
Ao passo de tanta paralisia intelectual, a situação era a de uma combinação filho-pai (não sei qual o mais esclarecido), para que aquele, em potencial sacrifício deste, atingisse o trilho do “conhecimento”: que todos o conhecessem!
Isto tudo contado por um semanário sedento de investigações originais, irrequietas e incómodas, por meio duma jornalista experimentada, que muito tem prestado à Nação pelas histórias que escreve (com dose de seriedade). Mas que, francamente, neste caso, caiu numa esparrela ridícula. Merecia mais cuidado.

Um episódio delirante este numa Pátria entregue a Chico-espertos, ignorantes, aldrabões e ociosos. Tal coisa que só vem mostrar o triste fado da nossa “Justiça”, a passividade da Investigação Criminal que cá actua, a insensatez desta “Sociedade” e a parolice da Comunicação Social lusitana.
E é caso para perguntar, numa altura em que o Governo tem ideia firme sobre o modelo de imprensa e de “serviço público”: como conseguirá ele (o Governo) garantir uma televisão responsável, culta e informativa, ao mesmo tempo que entrega mais uma estação pública ao privado? Como se compatibiliza uma TV privatizada como uma TV credibilizada? Ou não estará o mesmo nem aí para se ocupar com tais questões?

Finda a estupidez generalizada (?), e findo o meu discurso, apetece questionar: quando o secretario de Estado da Juventude incitou os jovens à emigração, estaria ele a pensar em quem cá ficaria para tomar as rédeas desta Cidadania, ou a magicar forma mais simples de se reeleger à pala de eleitorado tão cultivado?
Este “concurso mentecapto, corruptor e perverso” (de novo citando o referido fulano) é tão-só a consequência dum sistema educativo débil, desresponsabilizante e flácido, e não a sua causa. Por esta razão “é o funcionamento da Democracia Portuguesa que está em causa”, como disse Balsemão, mas não pelas suas justificações. Um aviso seríssimo!

domingo, 20 de novembro de 2011

Uma lição

Desgraçado! João Duque, pessoa amável, respeitável e cheia de méritos, com um grande trabalho à frente do ISEG (dos melhores directores que o Instituto já teve), foi-se meter numa alhada com o “grupo de trabalho para definir o conceito de serviço público”.
A responsabilidade do relatório final não é apenas sua, faltando lembrar àqueles que tão brutalmente o atacaram, inclusive com insultos à sua idoneidade, que o grupo de trabalho era constituído por mais gente, gente alguma muito mais experiente e responsabilizável.
Contudo, pese embora a maioria das boas ideias que no relatório foram inscritas (como a óbvia necessidade de desonerar os contribuintes da factura da Rádio e Televisão de Portugal), a sua forma é desastrosa. E espanta-me a falta de rigor e de grau científico do mesmo, proliferando os juízos de valor, as opiniões, os “gosto disto” e os “detesto aquilo”. Há inclusive erros gramaticais, o que se apresenta imperdoável para gente de tanta capacidade. É por isso humilhante todo este episódio. Em consequência, esse “grupo de trabalho” está a ser criticado por todo o lado, quase na exclusividade à pessoa que o dirigiu, juntando a própria entidade que o encarregou – o Governo. Uma vergonha.
Agora, João Duque aprendeu que com Miguel Relvas não se mete. Uma lição que não vai esquecer tão cedo.

sábado, 19 de novembro de 2011

Serviço quê?



João Duque, economista, elaborou, em conjunto com mais uns quantos pensadores, a pedido de Miguel Relvas, um relatório sobre o “serviço público” de informação, para definir o conceito de “serviço público”. Ou antes, como reduzir o “serviço público” de comunicação.
É que a questão é essa mesma: o relatório fala de tudo, menos do seu móbil – o que é esse tal “serviço”?
É mesmo como diz hoje (19 de Novembro) Vasco Pulido Valente no jornal Público: «O problema do serviço público de televisão esteve sempre em definir o conceito de “serviço público”»!