escarafunchando no baú...

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quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Essência e aparência na catástrofe


Maria Teresa Horta (MTH)
Os últimos dias políticos têm sido inacreditáveis. Um governo de amadores que não se governa nem a ele mesmo. Uma coligação que está a quebrar porque o partido mais pequeno acha que é maior do que é realmente e que consegue estar a governar e a opor-se ao mesmo tempo. Com o ministro de Estado, líder desse partido, que quer ter mais papel mas que anda a correr Mundo não se sabe bem para quê, sendo que quase nunca cá pára. Tudo isto é inacreditável, na fase em que o País não parece ter rumo nem esperança. Mas há ainda assim outras coisas que me deixam perplexo.

Quem lê o jornal Público tira uma ideia do que é o cartório anti-governo. Não se percebe de onde vem este ódio, desde a nascença. Talvez pelo governo não ser de “esquerda”. Mas o anterior que lá esteve era pouco mais de "esquerda" e nunca fizeram tamanha celeuma ao jornal.
Na edição de ontem (19-9), a páginas tantas, na 15ª reportagem a criticar ou a intermediar a crítica de alguém contra o governo, vem notícia: "Nem prémio leva Maria Teresa Horta a dar mão a Passos". Ao lê-la, caí para o lado.
Segue: a escritora foi galardoada pelo júri do prémio literário D. Dinis pelo romance As Luzes de Leonor Diz que lhe honra muito receber o prémio mas nunca das mãos do primeiro-ministro, «pessoa que está empenhada em destruir o nosso país». Cancelou a cerimónia de entrega. Ora, isto para além de se configurar como falta de educação e nível é ainda uma palhaçada por parte da escritora, por um par de razões.

A sra. afirma que sempre foi uma mulher de "esquerda" e que lutou pelas "causas de Abril". Para mim, quando gente começa com tal conversa, nem vale a pena ler/ouvir mais. Porquê? Porque estigmatizam os outros como de "esquerda" ou de "direita", independentemente do mérito potencial da sua acção ou personalidade. Porque apresentam um cartão-de-visita, "ser de esquerda", relegando os outros a um patamar de legitimidade inferior, deslegitimando-os de qualquer opinião contrária ou estatuto que mereça respeito aos primeiros. Porque se sabe de onde vêm tais frases: cartilha do Partido Comunista ou proto-comunista, sendo então que a probabilidade de não ter feito aquilo que diz ter feito (pela "liberdade", "democracia", "Abril", galinha da vizinha e outra balela qualquer) é enorme.

Tal atitude apresenta-se ironicamente como uma incoerência (ao contrário das palavras de MTH que repete esse vocábulo um sem-número de vezes na entrevista). O criminoso-ministro que lá esteve antes dizia-se de "esquerda" também, mas foi-se a ver quase tão de "direita" como o arara que lá está agora.
Aquele sim estava apostado em destruir o País e fá-lo-ia para se manter no poder, se os cidadãos continuassem opiados pela capacidade retórica do distinto fulano "esquerdista". Ele sim destruiria o País, entregando-o às empresas de obras-públicas como a Mota Engil do camarada Jorge Coelho e canalha semelhante como o "dr." Paulo Campos. Esse sim era criminoso, tendo sido indiciado por uma série de crimes gravíssimos que não levaram a condenação porque este País se chama Portugal: ordens maçónico-mafiosas ambulantes. Mas na altura em que ele lá estava, quando mais se precisava (até para se evitar chegarmos onde estamos agora e que até Passos Coelho fosse para o governo fazer os disparates que está a fazer), ninguém apareceu tão indignado deste jeito. Tudo "baixou a cueca" de subserviência e cobardia, desde o Presidente da República a simples escritoras de "esquerda" como MTH passando por jornais como o Público.
A Passos pode-se acusar a impreparação para o cargo, a burrice até, ingenuidade em alguns casos, mas nunca a falta de seriedade, boa intenção ou um instinto criminoso. Passos usou da mentira para ser primeiro-ministro como todos os anteriores fizeram, ou talvez pensou mesmo que as coisas da governação seriam mais mecânicas e fáceis do que são realmente. Mas Passos não quer destruir o País. O problema é que está seriamente convicto de que Portugal se desenvolverá com a cartilha da troika porque tem a seu lado Gaspar, que pensa por Passos e que governa o País por ele mesmo ao melhor estilo da escola de Chicago, lavando o cérebro de Passos todos os dias.
E até mesmo em percentagem de gente canalha no governo, o anterior vai léguas à frente do actual. Ninguém percebe o que faz ainda Relvas no governo de hoje, estando a sua presença seriamente a danificar qualquer imagem possível de boa vontade e credibilidade do Executivo, mas ele sozinho não faz o governo todo e o facto de Relvas ser perigoso não significa que os outros o sejam.

Sempre nos habituámos a perceber que a “esquerda” goza de maior tolerância da “direita”. Muito maior mesmo.
A questão coloca-se na equidade embora: quando os de “esquerda” afirmando-se como tal mas agindo como de “direita”, asneiam com más intenções, iludindo deliberadamente tudo e todos, continuam a merecer benevolência; quando os de “direita”, não escondendo que o são, agem na sua estreita convicção de estarem a ir no rumo certo (mesmo que não estejam) recebem pedregulhos e ofensas vindos de tudo o que é canto, como se estivessem a fazer o que fizeram os primeiros.
Queria dizer: não brinquem! A situação de Portugal é gravíssima e este governo, mal ou bem, tem de aguentar pelo menos até 2015. Tenham juízo e sejam verdadeiramente coerentes. Não venham arrotar barbaridades etiquetando as pessoas. Olhem à essência e não à aparência! Tenho dito.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A conta e o perdigoto

A propósito da actualidade que saltita na praça, não querendo exactamente estar a bater no ceguinho (até porque já o fiz), queria apenas registar um apontamento sobre o caso das Cavacas.

Cavaco Silva representa o português típico tornado em classe média/alta.
Veio duma família numerosa, pobre, de zona rural, agrícola, do que os lisboetas chamam, prosaicamente, de “província”. Tal como os agregados das regiões fora dos grandes centros urbanos, os pais de Cavaco dedicavam-se à agricultura, sendo ajudados pelos filhos mais velhos. Por isso, eram poucos os que seguiam os passos da literacia avançada, excepto se revelassem grandes dotes nos números e nas letras.
O aconteceu com Cavaco: seguiu a “instrução primária” e o “liceu” nas suas vizinhanças, empenhou-se, mostrou-se o melhor dos seus pares e veio para Lisboa tirar um curso superior, coisa pouco vulgar em rapazes de semelhantes origens.
Jovem aplicado, “marrão” como invejosamente chamam agora, lá se fez licenciado nas Economias. Prosseguiu-se com mérito e, daí para outros voos (BdP, política, …), foi um salto pequeno.
No meio dessa carreira fantástica, viu-se enriquecido, com poder e cheio de importâncias.

Enfim, duma ascensão tão rápida e “fácil” como esta, não se está à espera que o sr. não se fizesse acompanhar das suas origens, dos seus hábitos, das suas “maneiras”.
É, pois, isso que (me) irrita em Cavaco: Um burguês nos estilos de vida mas mesquinho nos seus “pormenores”, arrogante na “ciência” mas humilde nos tiques, requintado no guarda-fato mas saloio nas manières.

Por isso, não joga a conta bancária com o perdigoto!

sábado, 21 de janeiro de 2012

Os calos do “trabalho”

Carvalho da CGTP e Sicasal de Mafra: diferenças?
A Sicasal das Nobre salsichas quase foi à vida com um incêndio há 2 meses. Agora, depois de recomposta pela solidariedade e boa vontade de “patrões” e “trabalhadores”, tem programado o aumento da produção, para exportação, e a consequente contratação de pessoal.
Numa altura em que o camarada Silva da CGTP(C) deu à sola das suas responsabilidades na Concertação e na Negociação, há pessoas que, em contraponto, para grande infelicidade de inatingível sujeito, querem mesmo trabalhar, esforçar, reerguer o País, fazer mais por elas próprias. Felizmente para elas que não tinham um semelhante Carvalho na sua “comissão de trabalhadores”, senão já tinham ido parar às arcadas do Convento de Mafra, por falta de satisfação de “direitos adquiridos”.
Trabalhar traz vantagens! Preguiçar é que não de todo…

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Confirmações

O autor deste post confirmou finalmente várias coisas.

1)      Confirmou porque carga de água o país onde nasceu e vive desde sempre teve um primeiro-ministro tão bom, tão bom, durante 7 anos, que conseguiu somente arruiná-lo até ao tutano;
2)      Confirmou porque razão figuras tão distintas e brilhantes da nossa praça, como Mário Soares e o seu clã, Manuel Alegre, Almeida Santos, António Vitorino, e por aí em diante, apoiaram incondicionalmente esse benemérito socrático ao longo dessa estada;
3)      Confirmou porque mania Moita Flores decidiu, de repente, deixar de apoiar Ferreira Leite, nas Legislativas de 2009, para suster e agraciar o mesmo dito Sócrates;
4)      Confirmou porque motivo Armando Vara, Rui Pedro Soares e Paulo Campos são tão amigos do mesmo fulano (agora emigrado);
5)      Confirmou porque raio o belzebu do Supremo (Tribunal) e o saloio do Ministério (Público) se compadeceram (e se abstiveram) com as artimanhas e esquemas do mesmo tipo;
6)      Confirmou porque diabo o qualificado ex-governante conseguiu licenciatura ao domingo, com distinto louvor académico, em não menos distinta desmembrada universidade.

Confirmou tudo isto, por uma simples justificação: José Sócrates é maçom. Estas figuronas são todas da Maçonaria.
E depois venham-me falar das bondades daquela Instituição, e da sua coerência com o Bem, a Justiça, a Dignidade, a Consistência Moral e a Profundidade Intelectual. Será por isso que talvez que albergam na mesma sacola do Grande Oriente tipos tão dispares como do PC ao CDS…

domingo, 8 de janeiro de 2012

“Leves” doses de populismo

Anda por aí um sacerdócio militante a dizer que Alexandre Soares dos Santos (ASS) fez e aconteceu com a Jerónimo Martins, e que até faz lembrar o Eduardo também dos Santos, ditador das Angolas, ou mesmo o Ricardo Carvalho, desertor das "bolas".
Bem estaríamos nós se mais empresários houvesse como ASS, que criasse tanto emprego como ele cria e que pagasse tantos impostos como ele paga, coisa aliás que parecem (querer) duvidar por estes dias.
Até Rebelo de Sousa veio, sei lá em nome de quê ou "quem", dizer assado, frito e cozido que o outro fez ao “patriotismo” e a “crença” na “Nação”.
Isto sim é um limite que se impõe ao bom senso e juízo, e não cada um pensar e fazer o melhor que tem a fazer para se/nos tirar do fosso.
Raios partam o populismo!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

2011-2012

O ano que está a acabar foi brutal. Em todos os sentidos. Não poucos foram os momentos marcantes, espectaculares e arrasadores. Estou em dúvida de o não esquecer ou de o nunca mais me recordar.
Confesso que aquela praxe de se desejar um ano próspero, cheio de paz, amor, saúde e dinheiro me faz cada vez menos sentido. Em 31 de Dezembro de 2011, muita foi a gente a desejá-lo, e não foi por isso que 2011 foi sortudo para a Humanidade. Bem pelo contrário!
Num Globo a ferver, onde os interesses se sobrepõem ao humanismo, e o que importa é a matéria e não o sentimento, prever a prosperidade dos Homens e a compaixão dos seres é cada vez mais uma aposta de risco.

2011 marcou pela guerra, pelo conflito, pelo desassossego. Desde a “Primavera árabe” ao “Occupy Wall Street”, da morte de Bin Laden à matança na Líbia, da deserção de Sócrates à detenção de Duarte Lima, de Jardim ao(s) "buraco(s)" e "desvio(s)", de Isaltino à Face Oculta, do Strauss-Kahn ao(s) Berlusconi(s), das eleições às manifestações, da(s) austeridade(s) à troika, das cimeiras ao par Merkozy (ou Merkely, melhor dito), da(s) Grécia(s) aos bancos, das agências de rating (e do “lixo” que lhes seguiu/e) ao colapso (por oficializar) da União Europeia, tudo mudou (alguns destes e outros mais eventos acompanhados n’O Jusdiceiro).
Um tempo terrível este. Não se está bem em quase parte nenhuma do Mundo. A Europa está debilitada na autoridade e no bem-estar. Os EUA enfraquecidos na economia e na influência. O norte de África e o golfo pérsico assolados pelo sangue e pela rebelião. O sul e centro de África avassalados pela miséria e pelas cheias. A China orientada para a desumanidade capitalista e para o autoritarismo intransigente. As Coreias impenetradas pela tensão político-militar permanente. A Noruega assustada pelo fanático assassinato. E até o Japão, então das mais “calmas” nações, foi invadido pela tragédia natural e energética este ano.

Num Mundo sem norte, com cada vez mais gente (7 mil milhões) e cada vez menos condições para lhe oferecer (o Ambiente, os solos, os recursos, o ar, a água,…), está-se a tornar uma miragem o progresso, a paz e o amor, quanto mais a saúde e o dinheiro para todos…

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Olha para a esquerda, e pisca-pisca!


O concílio de "Estaline" e "Trotsky": já se falam!


Portugal é diferente no Mundo em muita coisa: pela sua História, pela sua gente, pela sua paisagem, pela sua comida, pela “sua” meteorologia, etc., etc.. Também na política este País se destaca do Resto do Mundo, ou, no mínimo, do Resto da Europa. Um dos melhores exemplos disso é o peso comparativo da Esquerda-radical.
Há muito que explique esse fenómeno, mas também muito que não o explique… É verdade que tivemos uma ditadura católico-conservadora de direita durante 48 anos, é verdade que no período revolucionário pôs-25/4 (PREC) os partidos de Esquerda e os sindicatos ganharam uma força brutal, é verdade que ainda hoje o País é pobre e que aqui os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres mais pobres, é verdade que os Portugueses não gostam de mudar (talvez pela herança "católico-conservadora" sejam isso mesmo: conservadores). Tudo isso não é mentira, mas também não o é o facto de: a ditadura já lá ir há 37 anos (!), o PREC só deixar saudades aos que nele se envolveram, Portugal ser um País europeu (e não sul ou centro-americano), os Portugueses terem uma vida confortável ainda assim, a Lusitânia não ser um “reino” industrial, dos operários explorados e oprimidos, novamente etc., etc..

Nas últimas Legislativas (5/6), a “verdadeira Esquerda” teve uma derrota estrondosa: perderam votos, perderam deputados, perderam força. A mensagem “não passou”; ou não podia passar, tal era (é) a sua inexequibilidade. Barafustaram contra o acordo da troika, sem sequer o terem negociado, mas não disseram, porque não sabiam (sabem), o que fariam se governassem (em ficção) para resolver o problema de liquidez da nossa Economia. Em rigor, percebe-se a estratégia: aquela gente estará sempre condenada a protestar, e não a governar, pelo que não precisam de apresentar, apenas e só de rejeitar. Apesar de tudo (resultados eleitorais, “manifesto entregue” pelo eleitorado a esses partidos…), PCP e BE continuam na mesma cega-rega: não perceberam o sinal dos tempos, persistindo na “luta”. Pior que isso, não reconheceram a derrota (ao melhor estilo democrático, como tanto apregoam…), não tiraram ilações. Estão condenados a sucumbir à sua interna podridão. Não há hipótese…

Cá, PC e Bloco acusam (com razão) PSD e PS de alternarem no jogo de poder, de serem parasitas, de só pensarem nos seus interesses, de cortarem no que “não lhes custa”. Mas, se olharmos ao que acontece nos dois conjuntos de partidos (bloco da Esquerda e bloco central), chegamos sem grande esforço àquele ditado: “bem prega o frei Tomás,…”!
Se formos comparar a dimensão do debate interno nos dois blocos, podemos tirar ilações do que seria Portugal se este fosse entregue a trotskistas ou estalinistas. Sim, porque por baixo da capa indefinida “Esquerda”, estão esses fundamentos ideológicos, cujas suas execuções pudemos encontrar em amostra (ou em noção geral) na URSS, noutros tempos, e nalguns persistentes regimes, nos dias que correm.
A diferença de paradigma no que toca ao debate partidário interno pode ser, logo, calculada pelos estatutos dos vários partidos e confirmada, melhor ainda, pela prática corrente dos mesmos. Quando há congressos de PS e PSD, é frequente (embora cada vez menos) assistirmos à dissidência, ao debate, ao confronto, à proposta alternativa (nem que seja pouco alternativa). Para além da acessibilidade a esses encontros, no que ao relato da imprensa diz respeito. Já quando se realizam os conclaves de PCP e BE, muito dificilmente vislumbramos ideias diferentes, oposições internas, moções contrárias, candidaturas múltiplas aos comandos dos partidos, heterodoxias várias ou outros fenómenos comuns nas Democracias. Tudo é igual: as frases, os slogans, os discursos, as palavras; precisamos de uma lupa para achar as diferenças! Já quanto ao acesso dos media, destacam-se os momentos de “discussão” e eleição à porta fechada. Isto sim é transparência e democracia directa!

Muito se pode denunciar os partidos do “centrão” no que respeita ao clientelismo que cerca o sector público, mas também muito se pode induzir, e confirmar, nalgumas situações presentes, que, se PC e BE tomassem o poder, o esquema seria o mesmo, ou pior (é de relembrar que a URSS durou 69 anos – 1,5 vezes o Estado Novo!). Se atentarmos aos “hábitos” das câmaras autárquicas comunistas, inferimos que estas “padecem” de vícios, tão ou mais difíceis de curar do que os daquelas nas “mãos” de PS e PSD (em endividamento, número de trabalhadores autárquicos/habitante, despesas (des)controladas, empresas municipais, populismos, festas e outros foguetórios…; em resumo, má gestão do dinheiro de todos). Algo mais que justifique para os outros fazerem aquilo que eles pregam e não o que eles praticam.

Votação na CDU: sempre a subir!
Mas calma! O ciclo democrático é feito de eleições, em que o Povo possa participar (bem dito). E aí o caso muda de figura (ou não).
Para continuar este passatempo do “descubra as diferenças”, coloco uma questão: alguém se lembra da CDU, desde 1974, ter perdido alguma eleição (uma única que seja)? Nem mesmo quando, em várias Presidenciais, desistiu em favor de outras candidaturas? Nem mesmo quando, em várias Legislativas, não conseguiu capitalizar o descontentamento nos governos socialistas? Nem mesmo quando, a cada eleição, a sua percentagem de votos é sucessivamente menor (ver gráfico) ? Nem mesmo quando, nas Presidenciais de 2001, não atingiu mais do que 5% dos votos? Nem mesmo quando, nas Legislativas de 2009, passou a 5ª força política nacional? Nem mesmo quando, nas Autárquicas de 2009, perdeu 19 câmaras municipais? Nem mesmo quando, nas Legislativas de 2011, não impôs o discurso anti-troika (“interna” e “externa”), nem sequer aproveitou a redução da votação (para metade) do seu vizinho Bloco de Esquerda? Ninguém se lembra?! Nos tempos que atravessamos, precisamos de gente sem temores, imbatível. Não precisamos de procurar muito: está no nosso Parlamento!

Mas, para que a "inveja" não se apodere das outras hostes esquerdistas, o mesmo se aplica a elas. Um e o mais elucidativo exemplo disso foi a reacção do Coordenador da Mesa Nacional do BE (que, noutro partido, tem a original designação de “Secretário-Geral” ou “Presidente”) aos mandatos que o Povo lhe decidiu atribuir nas Legislativas’11. Recorde-se que o Bloco obteve 5,2% dos votos (em 2009, havia obtido 9,8%) e apenas elegeu 8 deputados (em 2009, haviam sido 16). Em qualquer partido (cuja votação se parta ao meio) que saiba assumir as suas responsabilidades, que o seu projecto político não foi aceite pelo Povo, que o seu discurso (a forma e o conteúdo) (já) não é bem escutado pelo eleitorado e que os seus ideais precisam de uma reforma que o escrutínio popular não pode operar, o “Presidente” ou “Secretário-Geral” demite-se e/ou, no mínimo, pede a convocação de um congresso extraordinário o mais depressa possível, para avaliar esses temas. No Bloco, onde tudo é diferente, a começar pelo nome que se dá ao Congresso (Convenção) e ao Secretário-Geral (Coordenador da Mesa Nacional), nada disto acontece.
Louçã “chutou”, e continua a “chutar”, a sua responsabilidade no resultado alcançado pelo partido para o “grande debate interno”, sem se notar qualquer reforma na orientação política, mudança na estrutura directiva (quase a mesma desde a fundação) ou ajuste no discurso, passados que estão seis meses do inquérito universal. E nem o facto de alguns militantes terem vindo criticar a postura do seu líder, demove Louçã da sua (perpétua) estratégia: manter-se no “poder”. São, nesse ponto, conhecidas as opiniões de Daniel Oliveira (um dos militantes que colhe mais simpatias nas outras Esquerdas e Direitas), a renúncia de Miguel Portas ao cargo de membro da Mesa (lá vem outra vez a “Mesa”) e as dissidências de Rui Tavares (embora este seja independente). Para aqueles que, como Louçã, defendem a “revolução permanente”, não mudar nada ao fim de 13 anos de vida partidária, ainda para mais depois de uma brutal queda eleitoral, parece-me muito boa prática. De facto, “não há nada mais prático do que uma boa teoria”!
Talvez a origem deste tipo de comportamentos e na essencial e aparente desagregação interna do Bloco esteja na contradição entre o(s) seu(s) fundamento(s) ideológico(s), a arrogância política e a prática pessoal dos militantes e simpatizantes do partido (desde a base ao topo). Talvez…

É óbvio que nada disto legitima qualquer medida que o “centrão” partidário decida aplicar. Os unanimismos nunca fizeram bem a sociedade alguma, e a Esquerda sabe-o melhor que muitos. Mas, para se ser oposição, é preciso ter o telhado em condições para que, quando se atirar pedras ao ar, elas não caiam na própria casa.
O que me irrita na Esquerda portuguesa é o modelo social que preconizam. Claro que, sem essa "diferença", não seriam Esquerda, mas “Direita”, misturada no rebanho do “neo-liberalismo”. Contudo, esses utópicos sabem que a sua “sociedade ideal” não é possível (burocracia, insustentabilidade financeira, paralisia económica e social,…). Sabem-no por experiência prática. As externalidades e efeitos secundários da sua “luta” estão visíveis na História (e no presente) e pagaram-se caro à Humanidade em guerra, fome, miséria, infelicidade.
Juntando-se a esta minha “irritação”, vem uma outra mais palpável, audível. O “verbo inflamado”, a raiva no discurso, o ressabiamento no way of speaking. Por ventura será por esta “pele de galinha” que a Esquerda está em crise. A irritação não é só minha, pelos vistos. Essa é a parte mais sensível da tal “podridão”. Nada melhor que o explique.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Grupos de pressão: Igreja


A troika da pressão: "unidos venceremos" (quem?) !


Numa altura em que os seres bem pensantes da nossa Praça esperneiam por “alargados consensos”, com razão, devem esses “seres” ter em conta que «neste momento existem três forças com Poder real, em Portugal, independentemente das forças políticas representadas no Parlamento: a Igreja Católica, o PCP e a Maçonaria. Estas “forças” são auto-exclusivas entre si, e cada uma tenta não se deixar infiltrar pelas outras» (bem-dito Brandão Ferreira). Isso explica em toda a medida a inoperância da nossa Democracia, no que concerne às reais e necessárias medidas a tomar.

A aliança PSD-CDS, mal ou bem, está a tentar mexer no que é necessário. E não está a conseguir. Melhor: não vai conseguir.
Neste colete-de-forças que impede a prossecução das políticas mais frutuosas para todos (incluindo para os seus detractores), os três grupos de pressão instalados bloqueiam e bloquearão a acção de quem tentar o Bem.
Contudo, contrariamente ao que seria de supor, e ao que se verificou até há poucos meses, as três casas de compadrio aproximam-se hoje mais que nunca para defender as suas lides. Só assim se explica como Carvalho da Silva venha clamar por maior justiça social, invocando a “Doutrina Social da Igreja” e a própria Igreja Católica se junte ao Bloco de Esquerda no repúdio do OGE’12 que, embora brutal, e criticável claro, é inevitável no geral, e todos o sabem, incluindo a própria Sé.
Todavia, não é fundamentalmente contra o OGE que a Igreja está, não contra a sua previsível relevância num ano de enorme pobreza e necessidade assistencialista óbvia. Mas antes contra o que aí vem.

Perante a dessacralização natural de Portugal, o Patriarcado vê-se a braços com a perda de influência política, de tal maneira que já nem o CDS-PP, partido cristão de origem, se aconselha na agenda política de D. José Policarpo. É por isso que os subsídios às misericórdias vão diminuir e que os feriados religiosos vão acabar, senão pelo menos fortemente diminuídos. Ninguém quer sacrifícios, muito menos a Igreja. O desespero é inevitável, e a crítica, uma consequência disso.
Perante isto, numa lógica de contra-ponto, força de bloqueio e intimidação, reparámos que distintos eclesiásticos da Sé portuguesa se juntaram a dinossauros da Esquerda lusitana numa “manifestação”, primeiro, contra a “insensibilidade social” de Passos e de Portas e, segundo, em oposição à perda de “qualidade” da “democracia” e dos “serviços públicos”.
A Igreja corre o risco de se descredibilizar. Primeiro, porque sabe, mais que ninguém, os riscos que corre o País se não inverter a trajectória que vinha seguindo. Segundo, porque ao baralhar-se com quem quase não tem semelhança ideológica está a desvirtuar o seu posicionamento político (que o tem). E terceiro, ao alterar posições oficiais, ou semi-oficiais, de ano a ano, ao sabor das conveniências, sobre temas vitais para o País (que disse a Igreja do legado de Sócrates?), está em vias de perder a confiança dos cidadãos, a atenção que estes lhe prestam e o carácter “sábio” que sempre caracterizou as suas intervenções.

Mas pronto, parece que o Patriarcado preferiu seguir aquela máxima de que “se não podes com eles, junta-te a eles”. A Sé não pode nem com as forças da Esquerda, nem de sobremaneira com a Maçonaria. Decidiu juntar-se a elas. Acho que não vai dar bom resultado. É um palpite!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Rua maçónica


 
Os manifestos e petições voltaram à carga. Depois da moda das “gerações à rasca”, sem se saber quantas são, se apenas jovens ou idosas, ou todas ao mesmo tempo, e a nova corrente dos “indignados”, não se sabe bem contra quê (tudo?), estão de volta os escritos cidadãos. Este exemplo de “democracia” mais não quer do que contrariar a democracia propriamente dita: a das urnas.
Tirando esse pequeno pormenor, aquilo que me interessa é apenas um dos movimentos: um corrido bem de fresco, dirigido à contestação das massas, sob epigrafe: Um novo rumo”.
Sobre esse, encabeçado por Mário Soares, devo dizer que não alcanço o alcance que aquilo tenta alcançar (!). O manifesto é zero, ou muito próximo disso. E por várias razões: a credibilidade de quem o promove, os alicerces da posição e o momento da divulgação.

Quanto a credibilidades, não será preciso dizer muito.
Talvez apenas lembrar a inversão ideológica de que Soares foi vítima. O que seria esta «uma sociedade socialista, mas em liberdade», virou uma democracia dos interesses, dos “amigos”, dos partidos. E, para isso, muito contribuiu a veia soarista, o clã que construiu (a começar na sua casa) e a rede que instalou.
Talvez apenas lembrar o caso “Melancia”, o “Emaudio”, a sua Fundação e os dinheiros públicos que implic(ar)am, os negócios camarários com o filho João, as construções sem PDM’s nem licenças, as subvenções, subsídios e prendas recolhidas ao Estado (português e estrangeiros).
Talvez apenas lembrar as “viagens de Estado”, os 57 países visitados (Espanha – 24 vezes –, França - 21), a tartaruga das Seychelles e os mais de 992 mil km’s percorridos à boleia da diplomacia (22 voltas ao Mundo).
Quanto a isto, estamos conversados.

Quanto aos termos do que (não) propõem, também é fácil falar. Se virmos bem, «o manifesto de uma esquerda intelectualmente superior e socialmente caviar» (palavras não minhas) só tem banalidades. Só que ditas por pessoas “experientes” e “intelectualmente superiores”.
Hoje, ninguém, ou quase ninguém, se engana sobre a «escalada da anarquia financeira internacional», que a «sobrevivência da União Europeia» está hoje em causa (muito mais a da Zona Euro), a «austeridade [apenas soma} desemprego e recessão», que «há muita gente aflita entre nós» e muito mais que «é preciso encontrar um novo paradigma para a UE». Disso ninguém duvida, agora o que se adianta para substituir o «paradigma» «neo-liberal» instalado é que já é mais complicado.
No fundo, a frase que fica do subscrito é: «os signatários opõem-se a políticas de austeridade». Ponto final. Claro! A austeridade não apetece a ninguém: um gordo preferiria continuar comendo, um alcoólico bebendo, um drogado traficando e um serial killer matando. Mas não é possível. Se os Estados são grandes, “gordos”, “viciados” em impostos, se gastam muito, se produzem pouco, se se endividam à velocidade dum mustang e se “matam” a economia com despesa inútil, é porque “algo” não está bem. E é por isso que temos de mudar de «paradigma». Não para satisfazer barões europeístas.
Desta forma, é fácil dizer-se que o status quo não satisfaz. Pois é. Mas, para quem, desde 1974, vive à roda do Estado, se faz subsidiar bem, “conhece” muita gente e está a salvo de qualquer crítica ou investigação aos seus “negócios”, nada é de admirar. E já nem se fala na(s) (in)coerência(s) do dr. Mário. É escusado.
Soares sabe, mais que muitos, o quão ingovernável é esta situação. Se Portugal está pré-falido (como está e já esteve múltiplas vezes), a opção só pode ser: ou arca com as consequências da bancarrota, ou submete-se aos “caprichos” do FMI. Se isto, para quem é leigo, é óbvio, quanto mais para um sr. ex-primeiro-ministro que assinou um plano de ajuda com instâncias internacionais? Conclui-se que Soares nada aprendeu com o seu ministro das finanças de então: Ernâni Lopes. Um desperdício.

E, finalmente, para falarmos do timing da divulgação do manifesto. Ao que chegou o populismo desta gente. Na véspera duma greve geral, criticada até por críticos do governo, pela inoportunidade, o nulo contributo para a solução dos problemas colectivos, vir-se exaltar as massas é um «convite» claro e explícito à «sublevação» e à «anarquia» (palavras não minhas, outra vez). Ainda para mais, fazendo-se alusão à “rua árabe” sem norte, governo nem paz, é um perfeito disparate, como qualquer ajuizado pensará. Não é preciso dizer-se muito: Portugal é uma democracia de base cristã.

De facto, é difícil separar a desonestidade dos efeitos da idade. Se Soares já não está capaz de pensar por si, se está mal informado, ou esquecido, isso é com ele, ou com quem dele trata. Seja o que for, dispense o País destes inventos. Deixe «as nossas ruas e praças» como estão. Vá tratar da sua "rua". Maçónica!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Greve ao esforço

Em nome do Povo, do Pão e da Pátria!
É fascinante verificar o agrado descontrolado dos “trabalhadores” (dos seus “verdadeiros” representantes) pela paralisação económica e social que estes dias provocam. É tão bonito reparar nos “jornais que ficam por vender nas bancas”, nas filas imensas das paragens de autocarro e comboio, nas escolas sem professores, nos correios por abrir, no trânsito matinal suplementar…
Se juntarmos a isto as belíssimas “pontes” que se podem construir com estes eventos, ainda para mais seguidas de outros “viadutos” nas semanas que se seguem, chegamos sem hesitação ao “dia histórico” que o de hoje representa, à “vitória“ da plebe “oprimida”, na “luta” da classe operária, contra o “grande”, médio, pequeno, nenhum “capital”. Em geral, contra os que querem trabalhar, os ricos, os pobres, os assim-assim – os que se entregam ao “privado”.
O “direito à greve”, Fundamentalmente consagrado no “Estado dos direitos”, tornou-se um luxo. Razão pela qual apenas a função pública, à sombra do trabalho “precário“ e dos salários em atraso, tem folga para se prestar a estes happenings.
Tudo, sem grande esforço…

domingo, 20 de novembro de 2011

Um regalo

Assunção Esteves: não há muitos assim
Assunção Esteves disse, em entrevista, ter recusado várias vezes aderir à Maçonaria.
Primeiro, de dizer que muito aprecio quem contraria, ou pelo menos não reforça, o peso dessa sociedade secreta na vida portuguesa.
Segundo, de abrir a boca de espanto como uma pessoa, ainda que capaz, chega a Presidente da Assembleia da República, não só não sendo da Maçonaria, como pior que isso recusando-a diversas vezes.
Um regalo!

O céu, o inferno e a Europa em qual deles?

Família unida, jamais será vencida!
Há uma “adivinha” que pergunta o seguinte: Qual a diferença entre o céu e o inferno? A mesma responde deste jeito: No céu, os cozinheiros são franceses, os policiais ingleses, os mecânicos alemães, os amantes italianos e os banqueiros suíços. Já no inferno,, os policiais são germânicos, os mecânicos franceses, os cozinheiros britânicos, os banqueiros italianos e os amantes suíços!
Na Europa passa-se coisa semelhante. Tomando o assunto como sério, e ponde de parte a hipótese dos conselhos europeus serem sessões de “adivinhas”, traçamos facilmente a analogia. Mas já lá vamos.
Desde há meses, a Europa rendeu-se aos beneméritos do seu Sul. Primeiro que tudo, José Manuel – o Durão Barroso – largou tudo em Portugal (inclusive o seu governo), saiu de casa, fez as malas e exilou-se na Comissão de guarda aos países mais abastados do Conselho. E o “sucesso” do seu primeiro mandato foi tanto que se impingiu para um segundo, tendo sido aceite com louvor. A seguir, Vítor Constâncio foi “convidado” a emigrar para ocupar a vice do BCE na sua área de eleição: a supervisão. Depois, face ao impedimento de prosseguir no cargo por limite de mandato, Jean-Claude Trichet deixou vaga a cadeira máxima da Euribor, cadeira essa que Constâncio não se importaria de ocupar, pese embora já muito bem instalado. Logo, criou-se a sugestão de desafiar Mario Draghi para a preencher. E ela foi em diante. Enquanto o tempo ia e vinha, os mandantes da Europa unida avisaram os atrapalhados povos do Sul que os défices eram mesmo para diminuir, os juros dos mercados para baixar e os resgates para pagar. Perante a convulsão política que se gerou nalguns desses países (Itália e Grécia), foi decidido (sabe-se lá por quem) deixar cair os seus governantes (Berlusconi e Papandreou), substituindo-os por gente bem colocada no mundo do (prestigiado) Goldman Sachs e da Comissão (os seus nomes são hoje badalados: Mario Monti e Papademos).
E é por isso que, voltando à analogia, a Europa, que parecia seguir para o céu, enganou-se no caminho e entrou no inferno. Dessa forma, hoje temos uma alemã polícia dos desbaratados PIGS (Portugal, Italy, Greece, Spain), Sarkozy tenta ser mecânico das avarias cerebrais de Merkel (e que mecânico!), Cameron vai cozinhando o jantar que lhe apetece (as coisas do Euro não lhe suscitam interesse), os banqueiros são transalpinos (no plural), como se vê, fazendo-se auxiliar por especialistas gregos, e os suíços ficam a amar o seu franco e principalmente a adorar nunca se terem metido nestas confusões!

sábado, 19 de novembro de 2011

Serviço quê?



João Duque, economista, elaborou, em conjunto com mais uns quantos pensadores, a pedido de Miguel Relvas, um relatório sobre o “serviço público” de informação, para definir o conceito de “serviço público”. Ou antes, como reduzir o “serviço público” de comunicação.
É que a questão é essa mesma: o relatório fala de tudo, menos do seu móbil – o que é esse tal “serviço”?
É mesmo como diz hoje (19 de Novembro) Vasco Pulido Valente no jornal Público: «O problema do serviço público de televisão esteve sempre em definir o conceito de “serviço público”»!

Iniciativa de Auditoria Cidadã à Dívida Pública

AR: saibam vós que o Povo está/deve estar atento!
Anda por aí um movimento peticionário (a juntar à colecção vasta de manifestos e de “iniciativas cívicas” que enchem as nossas caixas de correio electrónico) que “pede” uma auditoria pública, civil, participada às dívidas do Estado.
Muito provavelmente, como tem acontecido com petições e posições públicas semelhantes, esta também não vingará. O Governo tem “mais que fazer” e, este ou outro qualquer, não vê com bons olhos essas “modernices” da democracia participada e vigilante, seja a responsabilidade do problema, sua ou dos seus antecessores (o que parece verificar-se neste caso). Essa discordância dos nossos mais altos gestores públicos não me impede de apoiar a ideia, embora reconheça a sua impossível aplicação.
Concordo pela “simples” razão de que é direito e dever de todos, aqueles que se “interessam” e os que “nem querem ouvir falar” dos “assuntos dos políticos” e das “coisas” da finança, estar atentos, perceber e descobrir o rasto dos seus impostos, no estreito exercício da vigilância popular aos actos e negócios públicos, para análise eficiente dos efeitos por estes causados, tanto no passado, quanto (mais) no presente e futuro, seja na esfera económica e social, ou na política e jurídica. É obrigação de todos os cidadãos, não obstante de poderem considerar justa a fundamentação que alicerça esses actos, avaliar as suas consequências e investigar, auditando, as suas origens.
Como tais consequências se revelam brutais no quotidiano hoje vivido, essa necessidade de intervenção, não necessariamente pelo uso da força física, do protesto desgarrado, mas antes da importância da presença e acompanhamento das políticas públicas pelo povo, torna-se absolutamente premente. Ainda para mais, se é preciso mais, quando há a desconfiança do dolo e do desbarato terem suportado as decisões objecto de análise.
Por isso: subscrevo e faço subscrever!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

O futuro a Deus pertence!

MFL: a infeliz ideia de adivinhar o futuro!
Aqui há anos, Manuela Ferreira Leite (MFL) escandalizou o país com os “seis meses de democracia suspensa”.
Nessa altura, estávamos “longe” de perceber que a mesma democracia, que mandatou de “mão beijada” Sócrates para fazer o que “melhor” achasse e que se virou, há meses, à direita a pedir socorros e a clamar pela austeridade no “Estado gordo”, que o mesmo Sócrates fez questão de fermentar, mas que agora parece tirar mais despreocupadamente o tapete a quem pediu ajuda do que o que (não) terá feito a quem a forçou às abstinências que hoje vive, seria mesmo suspensa. Não por seis meses. Mas por seis anos.
Ao que constou, não estava nos intentos de MFL sugerir tal suspensão aos compadres europeus. Ela queria-o apenas para a “ocidental praia lusitana”, talvez por achar somente nosso um embrião comunitário que apenas hoje se mostra crescido, maduro e unido a todos os Estados do “projecto europeu”. Hoje, nem isso safou. A Itália e a Grécia têm novos governos, “democráticos”, tecnocráticos, financeiros. Políticos, nem por isso. No nosso caso, tal milagre não se sucedeu (não estando excluída a hipótese de ele vir a caminho), porque, não variando, as modas estrangeiristas chegam tarde e em más horas a este "canto" - nossa "sorte". Tudo para “acalmar os ‘mercados’”, sejam estes quem forem, ou sejam mesmo estes os próprios que elogiam os “esforços” dos governos desnorteados no saneamento das contas estaduais, através austeridade transversal, "cega", o que se lhe quiser chamar.
As democracias estão mesmo suspensas. As Constituições, também. Até quando, ninguém sabe. Talvez até sempre, na base do federalismo, não pela partilha do bem-estar e da riqueza ao nível europeu, mas pela coincidência dos mesmos credores: a Alemanha é credora dos povos do Sul, a Alemanha é credora dela própria.
O que naquele momento pareceu, e foi, loucura e gaffe, da “bruxa” MFL (nas suas várias acepções), tornou-se nestes tempos, evidência para todos, numa crua visão de futuro. Agora, este só a Deus pertence! Saibamos merecê-lo(s)…

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Vergonha para quê?

Aqui há dias, no espaço de poucos, os correligionários de Sócrates, responsáveis primeiros pelo desgraçado estado deste País, saltaram para a praça pública a criticar as opções do Governo actual. A dose de descaramento foi tão grande que o meu espanto virou colossal. Trago quatro exemplos.
Ditadura do proletariado

Primeiro, um dos mais capazes e isentos de culpas de todos eles, Fernando Teixeira dos Santos (FTS, chamemos-lhe assim), veio intervir no debate e lançar algumas ideias. O senhor, que «agora já não é político» (leia-se irresponsável) e que «só dá aulas» (leia-se tornou-se “sensato”), veio dizer que o Orçamento de 2012 exigirá «sacrifícios muito significativos, incontornáveis e inadiáveis». Mais disse Teixeira que espera que o OGE seja aprovado, pelo PS, forçando a prol de Seguro a aceitar este OGE como seu, não desperdiçando o honroso legado do precedente secretário-geral do partido e de Teixeira, já agora.
Curioso seria um político, saído pela “porta pequena” de um tão dramático descalabro que representou a governação de Sócrates, vir agora dar lições sobre “como governar em tempos de crise”. Não foi completamente isso que FTS fez, mas quase. Ainda sobre o OE’12, o ex-ministro (nós adoramos ex-(primeiros-)ministros, que, aos nossos olhos, passam de bestas a bestiais por simplesmente não os vermos, não nos aparecerem no ecrã da TV todo o santo dia!) veio reclamar austeridade digna, dizendo que «sacrifícios devem ter sentido de equidade». Espero que Vítor Gaspar siga os conselhos de quem realmente percebe do assunto, e não opte por caminhos errados, espinhosos e tragicamente consequentes.
Depois de brilhante lição do «professor», FTS foi ao seu livro de memórias e aí conseguiu “surpreender-nos”. Adiantou o “académico” que, nos longínquos tempos em que passava os dias na Praça do Comércio (vulgo Terreiro do Paço/Ministério das Finanças), esteve para se demitir… e agora, para estupefacção geral… por alturas da aprovação de uma nova Lei das Finanças Regionais (em 2010 – com a famosa “coligação negativa”/”santa aliança” na AR). Diz o senhor que isso só não aconteceu graças às enxurradas que vitimizaram o Povo madeirense (em Fevereiro), impedindo simultaneamente por acordo de várias partes que a Lei não seguisse em diante. É sempre lamentável quando acontecem estas fúrias da Natureza, mas neste caso esse lamento multiplica-se por indeterminadas vezes, já que, se esse fenómeno não se sucedesse, o senhor sairia mesmo do Governo e aí poderia ser que a catástrofe (financeira) não fosse tão gravosa. É também fascinante perceber como um governante, depois de tanto disparate acumulado, depois de tanta política prejudicial ao nosso futuro, depois de se “agachar” perante tamanha irresponsabilidade do seu primeiro-ministro, venha revelar que esteve para abandonar o cargo que ocupava há cinco anos, não pelos “disparates”, não pelas “políticas prejudiciais”, nem muito menos pelas “irresponsabilidades do seu PM”, mas antes por um despique partidário (errado, é certo) com relevância marginal para os nossos destinos. Bem sei que o outro (Manuel Pinho) também se demitiu por fazer uma “macacada” na Assembleia e não pelas gaffes sucessivas que cometia, e que talvez FTS tenha querido seguir o exemplo. Que raio de vírus insensato!
Segundo, no dia seguinte a FTS, de manhãzinha, a ex-ministra da Saúde Ana Jorge veio reforçar um repto já lançado por outros: os cortes [no Ministério da Saúde] não podem pôr em causa a qualidade do Serviço Nacional de Saúde [SNS]. Diz a ex-governante (agora co-promotora da Fundação Serviço Nacional de Saúde – mais uma para espremer dinheiro aos contribuintes; gostava de saber o que vai fazer esta Fundação…) que se atingiu «um patamar de qualidade e de nível de Saúde que é importante salvaguardar». Mais uma vez, descartou-se de responsabilidades pelo estado do sorvedouro de dinheiros SNS: Ana Jorge entende ainda que a culpa de alguns erros nem sempre é dos decisores políticos, mas também é de «quem está no terreno, que tem de fazer escolhas e transmitir informação correcta para ser tomada a decisão» (conclui a noticia). Dá vontade de perguntar: Que alternativas arranja a Sr.ª para reduzir os desequilíbrios da instituição SNS? Que medidas tomou a Sr.ª no seu tempo para resolver essa problemática? Será que elas (as políticas pela Sr.ª decididas) não afectaram a «qualidade do SNS»? Que autoridade tem a Sr.ª para vir reclamar cortes “dignos”? Pois…
Terceiro, depois do brilhante preparo do ex das Finanças (primeiro) e da Saúde (de seguida), foi a vez de Basílio Horta brilhar, na tarde seguinte. No Parlamento, numa interpelação do Bloco de Esquerda ao ministro da Economia Álvaro (Santos Pereira), numa das vezes do PS intervir, Basílio Horta tomou a palavra e, como de costume, a coisa não lhe saiu bem. Ou antes, talvez tenha sido mesmo aquilo que o senhor queria introduzir no debate, mas mais parecia que o mesmo estava sentado (ainda) mais à esquerda (nunca fiando, o homem ainda acaba no POUS – só lhe faltam duas letrinhas), por ventura na bancada parlamentar do Bloco ou do PC. Foi ridículo!
Na circunstância, o camarada Basílio disse que, e passo a citar, «o senhor [Álvaro Santos Pereira] ficará conhecido como o ministro do desemprego». Justificou com o seguinte: «como a prioridade do Governo não é a retoma económica, como a prioridade do Governo é aumentar impostos, cortar salários e viver no momento permanente da contracção, obviamente que o Sr. ministro deixa de ser o ministro do Emprego para passar a ser ministro do Desemprego». Como é possível um cagarola destes, um dos braços direitos do anterior Executivo que se caracterizou por bater recordes atrás de recordes no que toca ao número de cidadãos laboralmente desocupados (será que Vieira da Silva e Helena André eram conhecidos nas conversas de Basílio como «ministros do Desemprego»?), à (falta de) crescimento económico, ao corte de poder de compra dos cidadãos, ao aumento de impostos, à redução de salários dos funcionários públicos e a outros mais mecanismos usados para sacar tostões aos que sustentam o “monstro”, vir agora vociferar, que nem “virgem ofendida”, contra esse flagelo económico-social, que ele, enquanto presidente da AICEP, pouco fez para corrigir? É de mim ou o homem não está bom da cabeça? Considerando que o senhor, uma vez feita a travessia desde o CDS para o PS (sem passar pelo PSD) e misturando-se nesse percurso umas quantas palavras simpáticas ao histórico fundador do partido que agora representa de “alma e coração”, talvez terei de refazer as minhas considerações: é capaz de não estar “mau da pinha”. É o seu estado natural!
Quarto, para atestar que a falta de vergonha não raras vezes se faz acompanhar pela estupidez crónica, Paulo Campos, um dos ilustres deputados da “Casa da Democracia” (que serve neste momento de cemitério para os beneméritos dos Governos de Sócrates), veio rebater aqueles que acusam (sem fundamento, certamente) o governo da qual fez parte de ter sido o “pai” dos encargos futuros a suportar, por via das Parcerias Público-Privadas (as egrégias PPP’s).
Interrogou o “Dr.” Campos: «onde é que está o desvario das PPP’s»? Na casa dele não me parece que esteja, porque um esperto destes, que fez toda a sua vida a rondar os meios partidários, conhecido como o agente do lobby da construção civil (respeitável máfia deste Portugal) nos governos socialistas, representante maior do boyismo partidário invasor da Administração, que tirou um curso universitário “para inglês ver” (embora a um dia de semana inglesa, estou certo), que conseguiu impingir compadres seus para variadas instituições públicas e participadas, fazendo-os passar por inquestionáveis profissionais, qualificados missionários para o bem de todos (eles), nunca assumiria como sua a factura do serviço público que prestou a todos os seus concidadãos.
É mais do que sabido das deficiências contabilísticas, para não dizer da deliberada intenção de maquilhar a realidade, de que os Orçamentos de Sócrates estavam viciados, no que respeita às PPP’s. A esse propósito, o quadro ao lado é capaz de elucidar o Sr. deputado. Caso a luz não chegue ao cérebro do camarada Campos através deste documento, poderá sempre o caro amigo consultar os relatórios do Tribunal de Contas (e do meio académico) sobre esta temática e, aí, tenho a certeza de que não mais terá estes acessos de dúvida.

Depois do espectáculo de intervenções destes aprendizes, fomos surpreendidos, ou não, com o jogo de pressão operado pelo mestre de todos eles. Ao que adiantou a imprensa no fim-de-semana que se seguiu, Sócrates, D. José, andou, se ainda não estiver, a pressionar os deputados socialistas da sua “ala” (que são poucos diga-se: basta pensar que os ex-ministros e secretários de Estado são todos agora deputados…) para que, por sua vez, pressionassem o líder (oficial) do partido a votar contra o Orçamento de 2012. Segundo dizem, agir no contrário seria legitimar, não o corte nos dois subsídios, não a falta de estratégia para o crescimento, não a decadência do “Estado Social”, mas antes… pasme-se… a expressão “desvio colossal” nas contas estatais. Para os príncipes, o facto do PS se aliar ao PSD de Passos e CDS de Portas na concordância dum Orçamento que, em larga medida, se limita a aplicar as medidas constantes no acordo internacional que o PS, e o rei, assinou, significaria aceitar a herança, injustificada decerto, que o novo governo recebeu, e que tanto usa para fundar a imposição de nova austeridade. Este comportamento só pode vir mesmo desta gente. Gente preocupada, em primeiro, segundo, terceiro… e último lugar, em salvar a sua pele, em acamar os seus projectos futuros e em garantir um além digno para os seus bolsos. E nunca procurar consensos, assegurar a estabilidade político-financeira e desanuviar a carteira… do Povo.
Esta atitude, ultra censurável, não aparece por graça de espírito difuso, mas antes explica a acção da mesma gente nos últimos seis anos em que esteve no “poleiro”. Obviamente que tais atitudes, as primárias e as derivadas, devem ser criminalizadas. Em Portugal, ao contrário do que já fazem outras Nações europeias, nada disto é feito, Num dos exemplos a seguir, a sociedade é muito mais vigilante e o seu meio de comunicação social muito mais investigador, e, num outro, há uma Justiça que não tolera e julga o dolo (eventual ou mesmo premeditado) que possa conduzir a que a “populaça” ande nem de “tanga”. Falo pois dos casos de Inglaterra e da Islândia.
A criminalização dos políticos nunca será levada a sério nesta Democracia. Algo só se realizará, caso o País entre num novo “Estado Novo” ou num qualquer outro regime mais restritivo, numa hipótese que se não exclui nos tempos que correm. Aí, esse “Salazar” que tentar gerir esta bagunça vai-se deparar com uma situação insustentável, cujas origens são diversas e os protagonistas variados foram, mas rapidamente chegará aos principais culpados do paradigma e, nessa altura, levá-los-á ao banco dos réus, se não estiverem a monte. Agora, neste regime oligárquico, onde a Maçonaria domina e as elites se protegem, os legisladores e executores nunca proporiam uma norma em que eles mesmos seriam os únicos prejudicáveis.
Afirmam os detractores da responsabilização penal dos governantes, em casos de muito prejudicial performance destes nas funções representativas, que o seu julgamento não faz sentido por não haver uma extensão ao caso empresarial. Mas enganam-se. É certo que um patrão nunca será posto na cadeia por dever a um trabalhador, mas poderá, em caso de insolvência da empresa, responder por gestão negligente ou mesmo danosa dos dinheiros da firma que conduziu ao incumprimento perante o credor (trabalhador), e não pela dívida em si. As práticas de dolo eventual estão previstas no Código Civil e no Código Comercial podem em alguns casos os proprietários serem chamados a entregar património para que as dívidas sejam saldadas. Ora, como a dívida pública já anda nos 100% do PIB e 40 pontos percentuais dela foram da responsabilidade do “Eng.” José, parece-me incomportável alguém assumir estes débitos, quanto mais uma pessoa que não está habituada a admitir os seus deveres… Mas claro, se alguém garantir que essa quota-parte for saldada, a questão da gestão danosa põe-se na prateleira.
A prerrogativa do julgamento de políticos não é inédita. É uma causa a que me associo totalmente, tendo em mente a materialidade dos números com que estamos a lidar: Falar dum agravamento do défice de 1 pp, num único ano, não é o mesmo que fazê-lo para valores de 8 ou 9 pp, em períodos consecutivos, por teimosia e calculismo partidários, porque se acha que um País pré-falido nunca deve pedir apoio externo mesmo que quase não tenha cash para solver os seus compromissos mais básicos (retribuir salários e pagar pensões). E o mesmo acontece com a dívida estatal: quase dobrar a percentagem de passivos a saldar no futuro, no espaço de 6 anos, para uma Democracia que já leva perto 40 de existência, é uma perfeita loucura.
No que concerne a esta temática, Teixeira dos Santos também tem a opinar. E obviamente que a sua posição é previsível. «Convém fazermos um esforço para não entrarmos todos em delírio, num delírio colectivo», avisa FTS. E prossegue dizendo que «nem quer ouvir falar na criminalização dos políticos», pela lógica de que, caso ela estivesse consagrada na Ordem Jurídica Portuguesa, ele, o próprio do mesmo FTS, seria dos primeiros a responder perante a Justiça. E, por isso, ninguém é bom juiz em causa própria.
A proposta ganha adeptos, ao ponto desse assunto já ser comentado nos media. A esse respeito, destaca-se a mensagem de José Gomes Ferreira, um seu entusiasta dentro do possível (passo o paradoxo), que, refira-se, sempre alertou, um pouco contra-corrente, para o abismo que Sócrates e a sua gentinha nos estava alegremente a levar. Numa sociedade responsável, que saiba elogiar e criticar, inocentar e culpar quem deve, e onde “quem não deve não teme”, a criminalização da política incompetente, desleixada e dolosa seria perfeitamente exequível. Ainda por cima, para um País Europeu que se quer próspero e livre da corrupção, do compadrio e das “cunhas”. Mas, claro, é sempre mais fácil e divertido comparar-nos a Nações da América do Sul (onde já não estamos há mais de século e meio) do que equiparar-nos a Estados da Europa (onde sempre estivemos).

Para terminar, pensemos no seguinte: Um sujeito, seja quem for, está sentado confortavelmente em casa a ver Televisão. Nisto, o programa a que estava a assistir pára no exacto momento de maior suspense e vai para intervalo. O/a nosso/a homem/mulher continua preguiçosamente no mesmo lugar, no mesmo sofá, encostado às mesmas almofadas, enquanto assiste inutilmente à catadupa de anúncios publicitários que se seguem na sua TV. Por obra do diabo, a pessoa em questão é “forçada” a interiorizar uma publicidade duma conhecida marca de cigarros (a Mariboro, vamos supor). Daí em diante, por (des)graça dum almoço de amigos, o mesmo indivíduo converte-se infantil e tragicamente aos encantos do fumo. Ao fim de anos a inalar o alcatrão viciante, o/a dito/a é aconselhado/a (como todos nós) a fazer um check-up à sua saúde. Nesse percurso, descobre um problema oncológico sério que o confronta com a necessidade de se submeter a um tratamento de choque: deixar de fumar e tratar o cancro.
A analogia é simples: Perante um doente debilitado, sem poder nem autoridade de escolha do seu melhor, como é o Portugal de hoje, a conversa que cola é a de deixar o “vicio” ou de continuar na irresponsabilidade e no facilitismo, correndo o risco de se colapsar? E a quem se deve dar ouvidos: aos técnicos da “marca de cigarros” que “convenceram” o País a “fumar” ou ao “médico” que o está a tentar "curar"? Será que os tais técnicos da “cigarreira”, por muito conhecedores que possam ser dos antídotos para as crises que eles próprios provocam, têm credibilidade para propor este ou aquele “fármaco” a um País que se encontra em risco de “morte”? Não, obviamente! Aliás, qualquer pessoa de juízo que apanhe um “susto” destes, não mais pegaria num cigarro. Sabemos que nem sempre isso acontece. Mas, africanos que morram à fome não faltam por aí, e não é por isso que o Mundo está mais justo!
Defronte para o cenário que vivemos, a história é a mesma: Temos um PS, que personifica a cigarreira, que andou a vender uma marca altamente potente e viciante em défices que se seguiram a défices, acumulando dívidas e encargos a suportar pelos futuros, instalando um sistema impossível de sustentar para aquilo que angariávamos, durante anos a fio. Um médico, que se representa pelo PSD, não de todo dos mais capazes, mas que é chamado para os teatros de pânico, que se vê obrigado a operar vários órgãos do paciente, por não haver alternativa (ou melhor, por a alternativa ser fatal), e que é estritamente vigiado pelo chefe clínico (leia-se a troika), não podendo falhar sob pena de ser despedido (leia-se perder financiamento), para lá dos prejuízios para o próprio doente. E um doente, chamado Portugal, com 10 séculos de História e 10 milhões de habitantes, que, seja qual for o culpado da situação onde foi metido (e se meteu), tem de sobreviver para contar mais um conto, dê lá por onde der.
Nesta lógica, os socialistas não têm moral para criticar quem anda a reparar aquilo que eles quase destruíram. Mas acham que têm, e ainda não passou meio ano desde que foram humilhantemente desterrados para os assentos do quinto anel do Plenário do Parlamento. Para eles, a “lata” é tudo, a vergonha nada. Vergonha para quê?