Bloco de Esquerda é um partido ingovernável,
uma amálgama de facções até intolerantes entre si. É por isso um partido
estagnado, de estagnação, exilado no abrigo da contestação, da negação, da exaltação,
da revolução anárquica se for caro disso. A sua instabilidade percebe-se em
alturas de “cava” no seu prestígio, como as de hoje, e então saltam todas as
suas dúvidas existenciais.
O Bloco só foi possível graças aos
seus fundadores, ainda que vindos das diversas facções internas entendiam-se
bem. Só alguém tão inteligente como sofista como Francisco Louçã poderia liderar
uma manta destas. Mas o seu tempo, como em tudo, acabou.
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| Na sombra |
Os partidos das extremas
politicas não convivem nada bem com conflitos nas suas “quintas”, democracia
interna dizendo de outra maneira. Embora, como já tenha escrito, os seus
seguidores (mormente os de Esquerda) sejam os que mais pregam ao exercício
democrático dos outros (pessoas e colectividades).
Essa é uma característica
idiossincrática, que se manifesta em alturas-chave: as sucessões internas.
No Partido Comunista o “novo” líder
é eleito por meia dúzia de “camaradas”, camaradas do antigo líder claro, num círculo
fechadíssimo, propício a reeleições sem-fim. Ao melhor estilo de Havana.
No Bloco de Esquerda o caso
“muda” de figura. O líder do partido tem até outra designação para dar a ideia
que não manda coisa nenhuma. E parece que findo um decadente ciclo político de
quase década e meia, o “Coordenador” decide quem lhe sucede, numa lógica dinástica
ao melhor estilo de Pyongyang. E no caso de Louçã a imaginação nem tem limites.
Escolheu não um mas dois príncipes para o substituir, um e uma pois
claro, pela “política do século XXI”. Uma solução para durar pouco, para
enfraquecer a nova geração só pode, para eternizar o poder que a velha não quer
perder na sua prole.
É assim que se pratica democracia
“digna” nas “Esquerdas” “democráticas” de hoje.
