escarafunchando no baú...

sábado, 8 de setembro de 2012

Bloco democrático e popular


Bloco de Esquerda é um partido ingovernável, uma amálgama de facções até intolerantes entre si. É por isso um partido estagnado, de estagnação, exilado no abrigo da contestação, da negação, da exaltação, da revolução anárquica se for caro disso. A sua instabilidade percebe-se em alturas de “cava” no seu prestígio, como as de hoje, e então saltam todas as suas dúvidas existenciais.
O Bloco só foi possível graças aos seus fundadores, ainda que vindos das diversas facções internas entendiam-se bem. Só alguém tão inteligente como sofista como Francisco Louçã poderia liderar uma manta destas. Mas o seu tempo, como em tudo, acabou.
Na sombra

Os partidos das extremas politicas não convivem nada bem com conflitos nas suas “quintas”, democracia interna dizendo de outra maneira. Embora, como já tenha escrito, os seus seguidores (mormente os de Esquerda) sejam os que mais pregam ao exercício democrático dos outros (pessoas e colectividades).
Essa é uma característica idiossincrática, que se manifesta em alturas-chave: as sucessões internas.
No Partido Comunista o “novo” líder é eleito por meia dúzia de “camaradas”, camaradas do antigo líder claro, num círculo fechadíssimo, propício a reeleições sem-fim. Ao melhor estilo de Havana.
No Bloco de Esquerda o caso “muda” de figura. O líder do partido tem até outra designação para dar a ideia que não manda coisa nenhuma. E parece que findo um decadente ciclo político de quase década e meia, o “Coordenador” decide quem lhe sucede, numa lógica dinástica ao melhor estilo de Pyongyang. E no caso de Louçã a imaginação nem tem limites. Escolheu não um mas dois príncipes para o substituir, um e uma pois claro, pela “política do século XXI”. Uma solução para durar pouco, para enfraquecer a nova geração só pode, para eternizar o poder que a velha não quer perder na sua prole.
É assim que se pratica democracia “digna” nas “Esquerdas” “democráticas” de hoje.