escarafunchando no baú...

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Os amigos de Sócrates


Depois de nos ter (des)governado durante seis anos, José Pinto de Sousa, o “engenheiro” da nossa bela crise, goza e aprende em Paris um pouco do que lhe faltou antes de dobrar a dívida, o défice público e o desemprego nesse período: Filosofia. Que tenha sucesso e saúde, é o que todos desejamos; porque não devemos fazer, ou desejar, aos outros aquilo que não gostamos que nos façam, ou desejem, embora tenha sido isso que José nos fez (passo o “trava-línguas”…).

Mas, quanto ao futuro pessoal e profissional de Pinto de Sousa, ninguém tem nada a ver com isso, mesmo que o senhor tenha sido nosso primeiro-ministro durante mais de meia década e tenha hipotecado a vida deste País por mais de meio século. Faça bom proveito. Descanse que Paris é uma cidade lindíssima. Vai gostar dela, com certeza! Ah..., e já agora, tenha boas notas!

Muammar, serás bem tratado!
Lembrei-me da figura do senhor (faz bem, de vez em quando, recordar quem nos foi tão próximo e amigo…) ao ler, ver e ouvir os desenvolvimentos na Líbia. À partida, um tema não tem nada a ver com o outro, não parece “bater a bota com a perdigota”. Mas bate.
 

Kadhafi (Khadafi, Kadafi ou Gaddafi, ainda não percebi como se escreve) e o seu regime está nos limites, vai acabar graças à heróica acção do seu Povo que não o ama(va), ao contrário do que diz(ia). É o fim da linha para um ditador louco, facínora, pedófilo, terrorista e megalómano. Apesar dos crimes que cometera, o coronel recebeu sempre, na cena mundial, a maior diplomacia e acolhimento possíveis (ainda para mais em Portugal, onde pôde montar a sua tenda em S. Julião da Barra com o maior conforto e sossego!), apenas por estar sentado em cima de barris de petróleo. É uma lição para o Mundo – a liberdade popular de escolher o seu destino, a normalidade de tratar os homens como tal e a justiça de condenar os criminosos prevaleceram sobre a prepotência, o medo e o dinheiro. Mais um contributo para um futuro pacífico na Terra.
A figura que nunca devemos esquecer
Contudo, apesar da tomada de Tripoli e o comando da Líbia pelos rebeldes estar iminente, Muammar Kadhafi ainda não foi encontrado, e temo que não o seja. Especulou-se e especula-se para onde se exilaria/á o “jovem” coronel, e foi aí que me lembrei do “eng.” Sócrates. Alguns dos chefes de Estado que hipoteticamente, ou verosimilmente, se ofereceram para receber Kadhafi, e a sua extensa família, pertenciam (não sei se ainda pertencem) ao "círculo de amigos" do nosso ex-primeiro. A saber: Venezuela (do muchacho Hugo) e Angola (do cavalheiro e cleptocrata José Eduardo). Num dia destes, quando a conju(ntu)ra internacional “acalmar”, veremos os quatro "mosqueteiros" (o português, o angolano, o venezuelano e o líbio) juntos, à mesma mesa, em “amena cavaqueira”, num refastelado fondue de amigos, na “Cidade Luz”.

Sócrates (português) e Kadhafi: amigos de longa semelhança

Devia haver um ditado que diria: “se queres saber quem és, olha para os teus amigos”. É impressionante a quantidade de gente “íntegra” que rodeava Sócrates (agora, na Sorbonne, não sei se a coisa se mantém). Desde Jorge Coelho, Armando Vara, Mário Lino, Paulo Campos, Manuel Pinho, Jaime Silva, Maria de Lurdes Rodrigues, Valter Lemos, Silva Pereira, Santos Silva aos internacionais Ben Ali, Kadhafi, J. E. dos Santos, Chávez, Teodoro Obiang (Guiné Equatorial), é diversificado o lote de “companheiros” a quem Sócrates pedia ajuda quando se afligia. Isto mostra bem do "senhor" que esteve em S. Bento naquela temporada.

Tratamento socratista à dívida pública

Por isso, não se admirem de chamar engenheiro a quem não o é, atribuir projectos de casas na Beira a quem não os fez, de se conceder o fornecimento de 1,5 milhões de computadores para crianças deste Portugal, em ajuste directo à JP Sá Couto, e de se ter vendido “os Magalhães” a Chávez numa cimeira Ibero-Americana (2008), de se ter montado um esquema para controlar grupos de media “irreverentes” e afastar jornalistas incómodos, de [José Sócrates] ser uma das figuras públicas portuguesas com mais processos judiciais interpostos (e perdidos) contra jornalistas por “difamação e ofensa à honra”, etc., etc. Como se um homem destes tivesse honra (na palavra, nos actos e na carteira) para dar e/ou vender…

Perante tudo isto, prometer antes de eleições criar 150 mil empregos e não aumentar impostos (nos inícios desta travessia – 2005), fazendo o exacto inverso depois de eleições, passar a dívida pública em seis anos de 60% do PIB para 90%, levar o desemprego acima dos dois dígitos, deixar PPP’s e PPP’s por pagar, sem se saber ao certo os encargos a suportar pelas gerações próximas, mascarar (em metade!) o défice público e aumentar os vencimentos dos funcionários estatais nas vésperas de eleições (2009), maquilhar a necessidade de liquidez do Estado, da Banca e da Economia e adiar ao máximo (de Outubro de 2010 a Março de 2011) a ajuda financeira externa (no oposto do recomendado), jurando "a pés juntos", até à hora antecedente ao seu requerimento, que Portugal "nunca" necessitaria desse auxilio, é brincadeira. Compreende-se, está nas vísceras deste engenheiro…

sábado, 20 de agosto de 2011

Leão, porque não ruges?


Acorda Sporting!

O Futebol é diferente: é especial, é esquisito. O Futebol é essencialmente estranho pela irracionalidade dos seus amantes: o que nos move a vibrar por onze tipos de cada lado a chutar uma bola, tentando metê-la num galinheiro de 7m x 3m? A resposta não cabe no lógico; é sim porque sim!
Nesta Europa, o soccer é uma religião: cada um escolhe uma seita, torce por ela e reza para que as outras fracassem. A escolha por um clube não tem grande ciência: ou se trata da influência da família, ou apenas porque a cor do seu equipamento nos atrai mais, ou simplesmente porque fomos desafiados a ser de A e não de B. No meu caso, coube-me o Sporting (SCP). Porquê? Sei lá! Sou um adepto crítico, não de todo irracional, opinativo como todos e apoiante q.b..
Dizem que os adeptos “leoninos” são sofredores. Estóicos, até! E têm razão. Se formos a ver o número de campeonatos ganhos pelo SCP nos últimos anos, comparando com o número de sócios que têm o clube, concluímos que há 90 mil almas que esperam há 10 anos pelo regresso de D. Sebastião, repetindo sistematicamente a cada Julho: “este ano é que é”! Pior que isso, o clube, fundado por gente snob e de posses, está cada vez mais pobre, sem estratégia, competência e resultados (desportivos e financeiros) apresentáveis.
O clube foi alvo, no último Março, de um processo de renovação: entrou uma nova administração (pouco legitimada, ou nada legitimada aliás, nas urnas), contratado um novo treinador, um novo plantel de futebol e introduzido um novo organigrama e uma refrescada equipa dirigente. Veremos se chega. Há sinais iniciais positivos, mas outros extremamente preocupantes.
Nesta década, a política desportiva do SCP tem ziguezagueado: ora para a formação, ora para jogadores do leste, ora para futebolistas dos principais campeonatos, ora para a pesca na América do Sul… Se analisarmos os nomes dos jogadores que o Sporting tem tido, surge-nos uma conclusão imediata: quando o clube apostou na formação e em jogadores do nosso campeonato, deu-se bem; quando desbaratou em “estrelas” de outras bandas, deu-se mal, muito mal mesmo, com honrosas excepções.
Jogadores como: Purovic, Marian Had, Celsinho, Gladstone, Pedro Silva, Tiuí, Carlos Bueno, Alecsandro, Romagnoli, Mota, Pongolle, Angulo, Caicedo, Grimi, Paredes, Farnerud, Koke, Wender, Edson, Hildebrand e Talles de Sousa, em contraponto com: Carriço, Adrien, Rui Patrício, Veloso, Pereirinha, Nani, Silvestre Varela, João Moutinho, Danny, Pedro Mendes, João Pereira, Tonel e Postiga, ajudam a explicar a conclusão extraída.
Salta por isso uma questão: para quê gastar rios” de dinheiro em estrangeiros caros e de pouco valor, se o SCP tem uma das melhores, mais conceituadas e produtivas academias de formação do mundo? O que move os dirigentes a apostarem em tipos como Koke (um espanhol de 3ª divisão), Mota (um brasileiro vindo das Ásias que falhava golos feitos), Bueno (um uruguaio cuja alcunha era “el loco”), Farnerud (um sueco do Estrasburgo com nome de xarope para a tosse) ou Pongolle (um francês que custou os “olhos da cara”), se há no próprio clube jovens ambiciosos, sportinguistas, portugueses e de potencial? Não percebo. Serão jogos de empresários? Os treinadores ganham comissões pelas transferências destes “artistas”? É a necessidade de “refrescar” os plantéis, de trazer novas culturas ao grupo de jogadores? Não há resposta. Talvez seja mesmo como escolher um clube: sim porque sim!
Ainda agora, a melhor resposta a esta fúria “estrangeirizadora” está a ser dada pelos jovens nacionais. No mundial de sub-20 na Colômbia, Portugal chegou à final, onde a disputará (hoje) com o Brasil. Muitos dos convocados presentes nesse mundial são ou foram formados em Alcochete. Muitos andam perdidos aí, a “rodar” na Bélgica e nas Académicas desta vida. Muitos, senão todos, não jogarão um minuto sequer em Alvalade, porque “não têm qualidade”, porque são portugueses, porque “há melhor”… Não se entende. Os dirigentes não abrem os olhos, não são coerentes, não querem o melhor para os clubes, de certo!
Ao contrário de outros anos, neste, ao que é dado a perceber, Luís Duque-Carlos Freitas construíram uma boa estrutura. Foram buscar um treinador nacional, jovem, com currículo no campeonato e nas provas europeias, mas sem experiência de treinar clubes com grande massa adepta e pressão constante. Quanto aos jogadores, é caso para exclamar: “finalmente um plantel de jeito”! Ao todo, entrarão 14 atletas, gastando outros tantos milhões para os ir buscar. Julgo terem sido bons negócios, salvo um ou outro caso, mas no geral foram bem trazidos. Apostaram em mercados pouco explorados mas que dão garantias (Holanda e Espanha) e transferiram jovens sul-americanos com margem de progressão. Gostava de ver mais portugueses e jovens das camadas jovens, porque sem oportunidades esses nunca jogarão no SCP. É de salientar que jogadores como: Jeffrén, Capel, Rodríguez, Schaars, Rinaudo e Wolfswinkel tenham vindo representar o nosso clube, mas igualmente de espantar que: Yannick Djaló, Evaldo e Marcelo Boeck tenham lugar no grupo. Penso que: Vítor Golas, Adrién, Wilson Eduardo, Diogo Salomão, Nuno Reis e Cédric mereciam chance na equipa e que: André Carrillo e Arias não eram precisos, mas as suas aptidões podem fazer deles bons atletas, cujo futuro retorno poderá justificar as suas apostas.
Vamos ver como corre. O início não foi brilhante, longe disso: depois de terem ganho num particular à Juventus, todos “embandeiraram em arco”, paralisando o seu progresso, o seu treino, a sua melhora; de seguida, levaram um “banho de humildade” na apresentação frente ao Valência, tendo-se seguido um torneio amigável em Espanha onde as exibições também não foram fantásticas; nos primeiros jogos a sério, os resultados continuaram a não surgir, e assim vamos.
Colocam-se os fantasmas de outras épocas, que aparecem quando nada começa a correr bem. Junta-se a esses “espíritos”, um outro, igualmente estranho, que se abriga no conservadorismo de Domingos Paciência (DP – o treinador). Domingos fez um trabalho notável na Académica primeiro, no Sp. Braga depois. Mas treinar estes clubes, por muito prestígio que possam ter ganho ultimamente (como no caso do segundo), não é o mesmo que orientar um SCP com a obrigação de se assumir a possível campeão, que tem de jogar futebol que se veja e cujo jogo seja de ataque e não de “retranca”.
Posto isto, é incompreensível como, a jogar contra a Olhanense em casa na 1ª jornada, com o estádio quase cheio, o treinador tenha montado um meio-campo com três médios de combate, defensivos até (Rinaudo, Schaars e André Santos), cujas qualidades são intactas e reconhecidas, mas nunca se evidenciarão a jogarem juntos. É-me igualmente inatingível como, perante tão fraca equipa vinda do Algarve, que defendeu o jogo todo, Paciência coloque apenas um ponta-lança em campo (Hélder Postiga), tendo um outro em grande forma (Diego Rubio) e outro goleador de créditos firmados (Wolfswinkel) no banco. É pois um desperdício ter jogadores de qualidade sem minutos de competição. Não bastando isto, DP parece apreciar muito as qualidades de Djaló, cuja reputação entre nós (adeptos) é de CCC–. Não contente com o resultado “alcançado” frente aos de Olhão (apesar do bom jogo apresentado), o Sporting foi a meio da semana à Dinamarca defrontar o Nordsjaelland, a contar para a Liga Europa, uns quase-amadores da 4ª divisão da Europa do futebol (com nome de aspirador!). O jogo acabou como começou e DP lançou os mesmos onze. Deu-se mal, como se tinha dado no primeiro jogo. Foi mau demais. Domingos não arrisca nada e, pior que isso, não parece aprender com os erros. Estamos mal, começámos mal e, pior cenário, a onda de apoio e de esperança em torno da equipa parece estar a abrandar.
Domingos é de ciclos: quando as coisas começam a correr bem, a coisa endireita-se e segue para o sucesso; quando iniciam mal, é difícil dar a volta. Temo que seja este último a vingar. Se assim for, DP tem o Natal “em risco. Para mal do Sporting, mais uma vez. Nunca houve tão grande oportunidade para a equipa ser bem sucedida: tem um grande conjunto de jogadores, adeptos que a apoiam, uma estrutura dirigente que a serve, infra-estruturas de topo à sua disposição e, tão ou mais importante, rivais enfraquecidos (pela saída de meia equipa e treinador, num caso – FC Porto – e pelo desgaste do treinador e impaciência dos seus adeptos, noutro – SL Benfica). Se as coisas correrem mal, como se está a indiciar, a culpa é exclusiva de Paciência.
Resta-nos então aguardar pelos resultados. É urgente fazer “boa figura”: pelos adeptos, pela competição com os rivais, pelas finanças do clube. Há condições para fazer bem, é também esperar que a “estrelinha” apareça. Venha ela!

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Aumentos a todo o gás


NASA e Passos Coelho: especialistas em subidas

O governo eleito em Junho último não se cansa de “aumentar”. É o governo “dos aumentos”. Depois do brutal sobre os títulos de transporte público, aparece outro de semelhante magnitude no gás e na electricidade. Só há algo que o executivo não consegue aumentar de maneira nenhuma: a auto-estima colectiva deste Povo. Contudo, ao contrário do que seria suposto, esta nova medida tem mais de positivo do que de negativo.
Indo à noticia: Vítor Gaspar anunciou [dia 12/8] o aumento da taxa de IVA sobre o gás natural e a electricidade, da taxa reduzida para a taxa normal já este ano, ou seja dos actuais 6% para 23%. O Governo antecipa assim a aplicação desta medida, que estava previsto ser aplicada apenas em 2012, para o último trimestre deste ano, o que vai permitir uma receita adicional de cerca de 100 milhões de euros ainda em 2011 (in Diário Económico, 12 de Agosto). O ajuste em causa estava contemplado no memorando de entendimento assinado com o trio FMI/CE/BCE. O governo, sedento de receita, apenas antecipou-o em três meses.
É de facto um grande custo adicional. Custa muito para as empresas que vêem a sua factura energética aumentar e custa muito para as famílias conseguirem gerir o seu parco orçamento. Mas tem de ser. Por um lado, o Estado está falido (embora não seja só o Estado), a precisar com urgência de reduzir os “desvios (que exigem trabalhos) colossais”, de aumentar a entrada de dinheiro, de diversificar as fontes de receita. Por outro, as famílias têm de poupar, não no dinheiro (não conseguem), mas nos seus consumos de energia e água. Cortar no desperdício não custa. Se ao Estado exigimos que abata as suas “gorduras”, nós contribuintes devemos saber melhor gerir os recursos naturais que usamos.
Concordo por isso com a medida. Não há melhor mecanismo que altere o comportamento das pessoas do que o que mexe com as suas carteiras: o mecanismo dos preços. Sem querer, o governo está a dar um grande empurrão para uma vida melhor e mais duradoura na Terra. O efeito é secundário, mas está lá.
Apesar de tudo, há interrogações que ainda não encontrei respondidas.
Primeiro, para aquelas famílias cujo dinheiro não estica (mais do que nas outras) e que mal conseguem aguentar a carga de despesas que hoje têm em mãos, que tipo de tarifa terão de pagar? Não seria socialmente justo que estas continuassem a liquidar a luz e o gás à taxa 6% de IVA?
Segundo, numa altura em que o País precisa de ganhar riqueza/produzir mais/crescer como “de pão para a boca”, expandir os gastos das empresas em energia (principalmente das PME’s) não parece política muito acertada e congruente. E as indústrias intensivas nesses recursos (capital-intensivas), cujas margens de lucro são delicadas de manusear e cujo processo produtivo é complicado de adaptar (embora não as haja, infelizmente, em grande número em Portugal) vêm as despesas incrementarem “colossalmente”. Não seria economicamente vantajoso introduzir uma tarifa industrial sobre a energia nos ramos económicos com maior potencial e contributo para a Econmia?
Sendo certo que é difícil agradar simultaneamente a gregos e troianos, estas são questões com pertinência, mas para as quais não achei informação de resposta. Provavelmente, para bem de todos, o governo acautelou estas situações. Provavelmente. Eu não encontrei noticiado.
Os tempos são de dificuldade. Já o são há muitos anos e assim continuarão. Cortes e cortes, impostos sobre impostos, subidas em subidas, dificuldades com dificuldades. Ao governo cabe arranjar a melhor forma de penalizar quem deve e desafogar quem já não pode, sem nunca esquecer o futuro de todos nós. A subida nas tarifas da energia não desafoga certamente quem já não pode, mas convicto estou de que visa o futuro do nosso Estado e do nosso Planeta. Apoio.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Jardins de Portugal

AJJ – Alto que o Jardim não se Jubila!
Em Portugal, há um conjunto de “vacas sagradas” simultaneamente “dinossauros parasitas” do Estado de todos. Alberto João Jardim (AJJ – presidente do Governo Regional da Madeira há mais de 33 anos!) é o melhor dos exemplos. Não é “vaca sagrada” porque ganha consecutiva e eleitoralmente mandatos há três décadas, nem sequer por ter feito, em tempos, trabalho meritório na Região Autónoma (RA) a que preside, mas sim por não aceitar o escrutínio, o debate, a crítica, a dignidade dos outros e por ser despesista à nossa conta.
Na terça-feira passada (dia 9 de Agosto), o Tribunal de Contas (uma das instituições fiscalizadoras com maior crédito entre nós) divulgou um relatório acerca da actividade financeira da RA-Madeira no ano transacto. As conclusões não são bonitas de se apresentar: o passivo financeiro aumentou 99,4 milhões de euros, totalizando já 963,3 milhões. Sabemos bem dos acontecimentos de Fevereiro do ano anterior (o temporal) na região, mas, ao que parece, as ajudas quer do Governo da República quer da Comissão Europeia para reparar os estragos deixados pela Natureza não estão a ser convenientemente usadas. Andam a esbanjar à “tripa forra”.
João Jardim respondeu veementemente ao relatório do Tribunal presidido por Guilherme d’Oliveira Martins. Acha o senhor uma “provocação” em vésperas de eleições regionais, uma "ingerência inadmissível" na autonomia dos madeirenses. AJJ não aceita, por isso, reparos de espécie alguma, muito menos se eles forem baseados em factos incontestáveis e emitidos por entidades com profundo conhecimento na área em questão e trabalho reconhecido por toda a população.
Alberto João vive num Mundo à parte. Numa altura em que o País se aperta para honrar os compromissos assinados externamente, Jardim anda a "despejar" dinheiro em estádios de futebol, túneis, rotundas e urbanizações sobre as falésias do arquipélago. Não há o mínimo sentido de solidariedade nos sacrifícios exigidos às RA’s: quando se fala em aumentar impostos, ou os governantes regionais recusam, ou se aceitam querem ficar com a receita extraordinária (para inaugurarem mais rotundas, pois claro); quando se fala na redução das despesas das autonomias, isso é inaceitável porque afinal a despesa é que lhes põe o pão na mesa; no caso madeirense, quando se fala em mexer nas reformas duplicadas e no regime de incompatibilidades dos executivos e deputados, essas alterações são "assaltos" aos bolsos dos madeirenses; quando se fala em acabar com o jornal da região endividado até à “ponta dos cabelos”, que não mais serve do que propagandear e papaguear a obra de Jardim, esses são assuntos que nada dizem respeito ao “pessoal do contenente”… Excepções atrás de excepções, excepções são a regra de Jardim e companhia.
AJJ está a conduzir a RA-M para um beco sem saída (daqueles que ele constrói nas ilhas!). O endividamento em espiral não acaba, nem muito menos o ímpeto despesista do governante. Desde que os contribuintes da Nação continuem a suportar as manias do senhor da Região, está tudo OK. Enquanto o tempo vai e vem, a Madeira não fica sem ninguém. Há-de lá ter Jardim a semear o seu estilo pouco democrático, enquanto durar, ou até os madeirenses quiserem mudar. Pelo meio, não admite que personalidade de quadrante algum, de instituição alguma (nem PR, nem representante da República na Região, nem TC, nem Tribunal de Contas, nem troika, nem PM, nem ministro das finanças) o aconselhe, o chame à atenção, o critique. É uma questão de gosto.
Tão ou mais grave do que o que faz, AJJ é criticável pelo que diz. Se ele vive num Mundo à parte, neste aspecto deve viver em Neptuno. Não têm sido poucas as gaffes, os desvarios à frente do microfone, os palavrões em público, os insultos a jornalistas, as ordinarices a outras personalidades. As eleições não dão estes direitos.
Jardim deixou de ser só controverso. Não é apenas um desbocado. É um tirano. Tem de ser posto na ordem. Para bem da Democracia.

sábado, 13 de agosto de 2011

Money is Money. Crime is Crime



Londres: nobre, rica e pacífica
Quando ocorrem manifestações, motins ou outros movimentos populares momentâneos em Portugal, nos EUA, no norte de África ou noutro lugar qualquer, logo aparecem sociólogos e politólogos a tentar explicar os acontecimentos. Os comentários aos eventos desta semana em Londres testemunham isso mesmo.

Em Inglaterra, a acção dos insurgentes começou no domingo. Segundo dizem, protestavam pacificamente contra a morte de Mark Duggan, de 29 anos, no sábado, às mãos da polícia, na zona de Tottenham (Londres). As informações acerca do dito homem são contraditórias: uns dizem que era bom “pai de família”; outros que era membro de um gang da zona. Seja qual for a verdade, estou certo: a polícia inglesa não é famosa pela sua erroniedade; se o matou, havia algum motivo. De qualquer forma, o rastilho estava lançado e a pequena manifestação "pacífica" depressa passou a violenta (cinco mortos) e os tumultos não pararam (alastraram-se a outras cidades como Manchester e Birmingham).
Perante o cenário, instados a comentar o sucedido, sociólogos “explicaram” o fenómeno. Invariavelmente, desculparam os jovens manifestantes e traçaram-lhes o perfil: cidadãos pobres, com veia imigrante, desempregados, sem perspectivas de vida. É bom reforçar que estes esquerdistas culpabilizam sempre a sociedade de todos pelo crime de poucos e condenam sem emenda a autoridade quando esta reage ao ilícito.

Disse David Cameron: «este não é um problema de pobreza, mas de cultura, uma cultura de violência e de falta de respeito pela autoridade». E tem toda a razão. De facto, a morte de Mark Duggan (que poucos deviam conhecer), a política de austeridade ou a de apoio aos imigrantes são apenas pretextos. Pretextos de violência infundados (contraditoriamente) nessa morte ou nessas políticas. O que é que um miúdo de 11 anos (sim, foi detido um insurgente de 11 anos!) percebe, sabe ou sente de medidas de contenção orçamental ou de auxílio aos mais necessitados? Nada. Não adianta desculpar estes fenómenos. Crime é crime.

A ordem não se faz por haver polícia nas ruas e a violência não se pratica por ser condenada judicialmente. A ordem forma-se e a violência não começa simplesmente porque isso é o que está certo, esse é o Bem e não o Mal. A acção das forças de Segurança e de Justiça são mecanismos secundários e não primários de intervenção. Esse é o contrato social estabelecido.

Esta é, pois, uma questão de vivência em Comunidade, de respeito pelos limites da força física, de cumprimento de regras. Quem não as cumpre, ou não as quer cumprir, não pode viver no mesmo lugar dos demais, sob pena de danificar o direito individual e inalienável à vida, propriedade e livre vontade. Não vivendo onde cabe quem aceita a autoridade pública, há duas escolhas: ou persiste nesse incumprimento e tem de ser privado da liberdade (preso), ou vai viver para outro lugar (emigra). Este não é um debate pró ou contra-imigrante, porque delinquente é delinquente, seja ele "branco", "preto", "rosado" ou "amarelado". Não se aceitam, por isso, actos de desculpabilização. O que é mal feito tem de ser corrigido. Senão, a Terra passa a Selva...