escarafunchando no baú...

sábado, 13 de agosto de 2011

Money is Money. Crime is Crime



Londres: nobre, rica e pacífica
Quando ocorrem manifestações, motins ou outros movimentos populares momentâneos em Portugal, nos EUA, no norte de África ou noutro lugar qualquer, logo aparecem sociólogos e politólogos a tentar explicar os acontecimentos. Os comentários aos eventos desta semana em Londres testemunham isso mesmo.

Em Inglaterra, a acção dos insurgentes começou no domingo. Segundo dizem, protestavam pacificamente contra a morte de Mark Duggan, de 29 anos, no sábado, às mãos da polícia, na zona de Tottenham (Londres). As informações acerca do dito homem são contraditórias: uns dizem que era bom “pai de família”; outros que era membro de um gang da zona. Seja qual for a verdade, estou certo: a polícia inglesa não é famosa pela sua erroniedade; se o matou, havia algum motivo. De qualquer forma, o rastilho estava lançado e a pequena manifestação "pacífica" depressa passou a violenta (cinco mortos) e os tumultos não pararam (alastraram-se a outras cidades como Manchester e Birmingham).
Perante o cenário, instados a comentar o sucedido, sociólogos “explicaram” o fenómeno. Invariavelmente, desculparam os jovens manifestantes e traçaram-lhes o perfil: cidadãos pobres, com veia imigrante, desempregados, sem perspectivas de vida. É bom reforçar que estes esquerdistas culpabilizam sempre a sociedade de todos pelo crime de poucos e condenam sem emenda a autoridade quando esta reage ao ilícito.

Disse David Cameron: «este não é um problema de pobreza, mas de cultura, uma cultura de violência e de falta de respeito pela autoridade». E tem toda a razão. De facto, a morte de Mark Duggan (que poucos deviam conhecer), a política de austeridade ou a de apoio aos imigrantes são apenas pretextos. Pretextos de violência infundados (contraditoriamente) nessa morte ou nessas políticas. O que é que um miúdo de 11 anos (sim, foi detido um insurgente de 11 anos!) percebe, sabe ou sente de medidas de contenção orçamental ou de auxílio aos mais necessitados? Nada. Não adianta desculpar estes fenómenos. Crime é crime.

A ordem não se faz por haver polícia nas ruas e a violência não se pratica por ser condenada judicialmente. A ordem forma-se e a violência não começa simplesmente porque isso é o que está certo, esse é o Bem e não o Mal. A acção das forças de Segurança e de Justiça são mecanismos secundários e não primários de intervenção. Esse é o contrato social estabelecido.

Esta é, pois, uma questão de vivência em Comunidade, de respeito pelos limites da força física, de cumprimento de regras. Quem não as cumpre, ou não as quer cumprir, não pode viver no mesmo lugar dos demais, sob pena de danificar o direito individual e inalienável à vida, propriedade e livre vontade. Não vivendo onde cabe quem aceita a autoridade pública, há duas escolhas: ou persiste nesse incumprimento e tem de ser privado da liberdade (preso), ou vai viver para outro lugar (emigra). Este não é um debate pró ou contra-imigrante, porque delinquente é delinquente, seja ele "branco", "preto", "rosado" ou "amarelado". Não se aceitam, por isso, actos de desculpabilização. O que é mal feito tem de ser corrigido. Senão, a Terra passa a Selva...