escarafunchando no baú...

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Jardins de Portugal

AJJ – Alto que o Jardim não se Jubila!
Em Portugal, há um conjunto de “vacas sagradas” simultaneamente “dinossauros parasitas” do Estado de todos. Alberto João Jardim (AJJ – presidente do Governo Regional da Madeira há mais de 33 anos!) é o melhor dos exemplos. Não é “vaca sagrada” porque ganha consecutiva e eleitoralmente mandatos há três décadas, nem sequer por ter feito, em tempos, trabalho meritório na Região Autónoma (RA) a que preside, mas sim por não aceitar o escrutínio, o debate, a crítica, a dignidade dos outros e por ser despesista à nossa conta.
Na terça-feira passada (dia 9 de Agosto), o Tribunal de Contas (uma das instituições fiscalizadoras com maior crédito entre nós) divulgou um relatório acerca da actividade financeira da RA-Madeira no ano transacto. As conclusões não são bonitas de se apresentar: o passivo financeiro aumentou 99,4 milhões de euros, totalizando já 963,3 milhões. Sabemos bem dos acontecimentos de Fevereiro do ano anterior (o temporal) na região, mas, ao que parece, as ajudas quer do Governo da República quer da Comissão Europeia para reparar os estragos deixados pela Natureza não estão a ser convenientemente usadas. Andam a esbanjar à “tripa forra”.
João Jardim respondeu veementemente ao relatório do Tribunal presidido por Guilherme d’Oliveira Martins. Acha o senhor uma “provocação” em vésperas de eleições regionais, uma "ingerência inadmissível" na autonomia dos madeirenses. AJJ não aceita, por isso, reparos de espécie alguma, muito menos se eles forem baseados em factos incontestáveis e emitidos por entidades com profundo conhecimento na área em questão e trabalho reconhecido por toda a população.
Alberto João vive num Mundo à parte. Numa altura em que o País se aperta para honrar os compromissos assinados externamente, Jardim anda a "despejar" dinheiro em estádios de futebol, túneis, rotundas e urbanizações sobre as falésias do arquipélago. Não há o mínimo sentido de solidariedade nos sacrifícios exigidos às RA’s: quando se fala em aumentar impostos, ou os governantes regionais recusam, ou se aceitam querem ficar com a receita extraordinária (para inaugurarem mais rotundas, pois claro); quando se fala na redução das despesas das autonomias, isso é inaceitável porque afinal a despesa é que lhes põe o pão na mesa; no caso madeirense, quando se fala em mexer nas reformas duplicadas e no regime de incompatibilidades dos executivos e deputados, essas alterações são "assaltos" aos bolsos dos madeirenses; quando se fala em acabar com o jornal da região endividado até à “ponta dos cabelos”, que não mais serve do que propagandear e papaguear a obra de Jardim, esses são assuntos que nada dizem respeito ao “pessoal do contenente”… Excepções atrás de excepções, excepções são a regra de Jardim e companhia.
AJJ está a conduzir a RA-M para um beco sem saída (daqueles que ele constrói nas ilhas!). O endividamento em espiral não acaba, nem muito menos o ímpeto despesista do governante. Desde que os contribuintes da Nação continuem a suportar as manias do senhor da Região, está tudo OK. Enquanto o tempo vai e vem, a Madeira não fica sem ninguém. Há-de lá ter Jardim a semear o seu estilo pouco democrático, enquanto durar, ou até os madeirenses quiserem mudar. Pelo meio, não admite que personalidade de quadrante algum, de instituição alguma (nem PR, nem representante da República na Região, nem TC, nem Tribunal de Contas, nem troika, nem PM, nem ministro das finanças) o aconselhe, o chame à atenção, o critique. É uma questão de gosto.
Tão ou mais grave do que o que faz, AJJ é criticável pelo que diz. Se ele vive num Mundo à parte, neste aspecto deve viver em Neptuno. Não têm sido poucas as gaffes, os desvarios à frente do microfone, os palavrões em público, os insultos a jornalistas, as ordinarices a outras personalidades. As eleições não dão estes direitos.
Jardim deixou de ser só controverso. Não é apenas um desbocado. É um tirano. Tem de ser posto na ordem. Para bem da Democracia.