escarafunchando no baú...

sábado, 3 de dezembro de 2011

Grupos de pressão: Igreja


A troika da pressão: "unidos venceremos" (quem?) !


Numa altura em que os seres bem pensantes da nossa Praça esperneiam por “alargados consensos”, com razão, devem esses “seres” ter em conta que «neste momento existem três forças com Poder real, em Portugal, independentemente das forças políticas representadas no Parlamento: a Igreja Católica, o PCP e a Maçonaria. Estas “forças” são auto-exclusivas entre si, e cada uma tenta não se deixar infiltrar pelas outras» (bem-dito Brandão Ferreira). Isso explica em toda a medida a inoperância da nossa Democracia, no que concerne às reais e necessárias medidas a tomar.

A aliança PSD-CDS, mal ou bem, está a tentar mexer no que é necessário. E não está a conseguir. Melhor: não vai conseguir.
Neste colete-de-forças que impede a prossecução das políticas mais frutuosas para todos (incluindo para os seus detractores), os três grupos de pressão instalados bloqueiam e bloquearão a acção de quem tentar o Bem.
Contudo, contrariamente ao que seria de supor, e ao que se verificou até há poucos meses, as três casas de compadrio aproximam-se hoje mais que nunca para defender as suas lides. Só assim se explica como Carvalho da Silva venha clamar por maior justiça social, invocando a “Doutrina Social da Igreja” e a própria Igreja Católica se junte ao Bloco de Esquerda no repúdio do OGE’12 que, embora brutal, e criticável claro, é inevitável no geral, e todos o sabem, incluindo a própria Sé.
Todavia, não é fundamentalmente contra o OGE que a Igreja está, não contra a sua previsível relevância num ano de enorme pobreza e necessidade assistencialista óbvia. Mas antes contra o que aí vem.

Perante a dessacralização natural de Portugal, o Patriarcado vê-se a braços com a perda de influência política, de tal maneira que já nem o CDS-PP, partido cristão de origem, se aconselha na agenda política de D. José Policarpo. É por isso que os subsídios às misericórdias vão diminuir e que os feriados religiosos vão acabar, senão pelo menos fortemente diminuídos. Ninguém quer sacrifícios, muito menos a Igreja. O desespero é inevitável, e a crítica, uma consequência disso.
Perante isto, numa lógica de contra-ponto, força de bloqueio e intimidação, reparámos que distintos eclesiásticos da Sé portuguesa se juntaram a dinossauros da Esquerda lusitana numa “manifestação”, primeiro, contra a “insensibilidade social” de Passos e de Portas e, segundo, em oposição à perda de “qualidade” da “democracia” e dos “serviços públicos”.
A Igreja corre o risco de se descredibilizar. Primeiro, porque sabe, mais que ninguém, os riscos que corre o País se não inverter a trajectória que vinha seguindo. Segundo, porque ao baralhar-se com quem quase não tem semelhança ideológica está a desvirtuar o seu posicionamento político (que o tem). E terceiro, ao alterar posições oficiais, ou semi-oficiais, de ano a ano, ao sabor das conveniências, sobre temas vitais para o País (que disse a Igreja do legado de Sócrates?), está em vias de perder a confiança dos cidadãos, a atenção que estes lhe prestam e o carácter “sábio” que sempre caracterizou as suas intervenções.

Mas pronto, parece que o Patriarcado preferiu seguir aquela máxima de que “se não podes com eles, junta-te a eles”. A Sé não pode nem com as forças da Esquerda, nem de sobremaneira com a Maçonaria. Decidiu juntar-se a elas. Acho que não vai dar bom resultado. É um palpite!