escarafunchando no baú...

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

O futuro a Deus pertence!

MFL: a infeliz ideia de adivinhar o futuro!
Aqui há anos, Manuela Ferreira Leite (MFL) escandalizou o país com os “seis meses de democracia suspensa”.
Nessa altura, estávamos “longe” de perceber que a mesma democracia, que mandatou de “mão beijada” Sócrates para fazer o que “melhor” achasse e que se virou, há meses, à direita a pedir socorros e a clamar pela austeridade no “Estado gordo”, que o mesmo Sócrates fez questão de fermentar, mas que agora parece tirar mais despreocupadamente o tapete a quem pediu ajuda do que o que (não) terá feito a quem a forçou às abstinências que hoje vive, seria mesmo suspensa. Não por seis meses. Mas por seis anos.
Ao que constou, não estava nos intentos de MFL sugerir tal suspensão aos compadres europeus. Ela queria-o apenas para a “ocidental praia lusitana”, talvez por achar somente nosso um embrião comunitário que apenas hoje se mostra crescido, maduro e unido a todos os Estados do “projecto europeu”. Hoje, nem isso safou. A Itália e a Grécia têm novos governos, “democráticos”, tecnocráticos, financeiros. Políticos, nem por isso. No nosso caso, tal milagre não se sucedeu (não estando excluída a hipótese de ele vir a caminho), porque, não variando, as modas estrangeiristas chegam tarde e em más horas a este "canto" - nossa "sorte". Tudo para “acalmar os ‘mercados’”, sejam estes quem forem, ou sejam mesmo estes os próprios que elogiam os “esforços” dos governos desnorteados no saneamento das contas estaduais, através austeridade transversal, "cega", o que se lhe quiser chamar.
As democracias estão mesmo suspensas. As Constituições, também. Até quando, ninguém sabe. Talvez até sempre, na base do federalismo, não pela partilha do bem-estar e da riqueza ao nível europeu, mas pela coincidência dos mesmos credores: a Alemanha é credora dos povos do Sul, a Alemanha é credora dela própria.
O que naquele momento pareceu, e foi, loucura e gaffe, da “bruxa” MFL (nas suas várias acepções), tornou-se nestes tempos, evidência para todos, numa crua visão de futuro. Agora, este só a Deus pertence! Saibamos merecê-lo(s)…