escarafunchando no baú...

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

2011-2012

O ano que está a acabar foi brutal. Em todos os sentidos. Não poucos foram os momentos marcantes, espectaculares e arrasadores. Estou em dúvida de o não esquecer ou de o nunca mais me recordar.
Confesso que aquela praxe de se desejar um ano próspero, cheio de paz, amor, saúde e dinheiro me faz cada vez menos sentido. Em 31 de Dezembro de 2011, muita foi a gente a desejá-lo, e não foi por isso que 2011 foi sortudo para a Humanidade. Bem pelo contrário!
Num Globo a ferver, onde os interesses se sobrepõem ao humanismo, e o que importa é a matéria e não o sentimento, prever a prosperidade dos Homens e a compaixão dos seres é cada vez mais uma aposta de risco.

2011 marcou pela guerra, pelo conflito, pelo desassossego. Desde a “Primavera árabe” ao “Occupy Wall Street”, da morte de Bin Laden à matança na Líbia, da deserção de Sócrates à detenção de Duarte Lima, de Jardim ao(s) "buraco(s)" e "desvio(s)", de Isaltino à Face Oculta, do Strauss-Kahn ao(s) Berlusconi(s), das eleições às manifestações, da(s) austeridade(s) à troika, das cimeiras ao par Merkozy (ou Merkely, melhor dito), da(s) Grécia(s) aos bancos, das agências de rating (e do “lixo” que lhes seguiu/e) ao colapso (por oficializar) da União Europeia, tudo mudou (alguns destes e outros mais eventos acompanhados n’O Jusdiceiro).
Um tempo terrível este. Não se está bem em quase parte nenhuma do Mundo. A Europa está debilitada na autoridade e no bem-estar. Os EUA enfraquecidos na economia e na influência. O norte de África e o golfo pérsico assolados pelo sangue e pela rebelião. O sul e centro de África avassalados pela miséria e pelas cheias. A China orientada para a desumanidade capitalista e para o autoritarismo intransigente. As Coreias impenetradas pela tensão político-militar permanente. A Noruega assustada pelo fanático assassinato. E até o Japão, então das mais “calmas” nações, foi invadido pela tragédia natural e energética este ano.

Num Mundo sem norte, com cada vez mais gente (7 mil milhões) e cada vez menos condições para lhe oferecer (o Ambiente, os solos, os recursos, o ar, a água,…), está-se a tornar uma miragem o progresso, a paz e o amor, quanto mais a saúde e o dinheiro para todos…

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

EDP: a China e a Merkel

A EDP agora é chinesa. Os chineses querem ser europeus, para além de chineses que já são. Não se duvide da sua ideia de controlar a Europa. Financeiramente é o primeiro passo.
Esta decisão da venda da participação na EDP foi, pois, «sábia» (palavra das três gargantas). Mais dinheiro e menos Merkel.

Merkel ficou de mãos a abanar. Já lhe fazia falta sentir um pouco do nosso “esforço”. Se os povos do Sul são preguiçosos – como são, de facto –, então que essa preguiça não se consubstancie nas más decisões. Se os dos “olhos em bico”, ainda para mais, prometem meter cá mais “carcanhol”, para quê rejeitar essa “ajudinha”?
A medida da venda da eléctrica encerra em si o sinal da mudança: uma mais próxima, outra mais profunda. A mais profunda é a tal alienação do controlo económico global pelos países ocidentais. Daqui em diante, será a vez dos orientais. Se pensarmos que uma maioria de gente terá mais peso no governo mundial, nem que seja por isso, o Mundo ficará mais justo.
A mais próxima é que a “era Merkel” está no fim. Quem não percebeu que o que Passos decidiu foi um murro no “quero, posso e mando” da sr.ª chanceler, não percebeu nada. Os jornais alemães deram relevo à operação e Merkel desaparecerá. Só por aí, já valeu a pena!

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Querido?

«Querido», mudei de "casa"!
Parece que a Coreia do Norte tem novo líder, cujo o nome me é indistinguível dos demais, por infortúnio do «grande cansaço físico e mental» que o governo da nação provocou no seu ditador. Dizem que, o sucessor, igualmente ditador, é tão “querido” como o outro, não sei é bem para quem. Talvez para os desgraçados que contam as poucas “senhas” ao ano (assim designadas) para comer uma taça de arroz… Ou talvez, antes que todos, para os “ocidentais”, como os camaradas do Partido Comunista Português, que endereçaram «sentidas condolências» a tal regime pelo fatídico acontecimento. Pagode absoluto de gente que vive num Mundo à parte! (Ou será este o modelo que querem para o «País de Abril»? Claro que é!)
Mas o que salta é que o raio do (novo) homem (novo) não se sabe se nasceu há 27, 28, 29 ou 30 anos. É como determinar a idade de Cristo. Ninguém sabe ao certo. Deve-se então louvar (como eles lá tanto gostam) a visão do pai sepultado: foi escolher logo, para o substituir, o mais novo de entre os que tinha, para durar mais; esqueceu-se foi que, de tão "novo" que o rapaz parece ser, só gosta de whiskies escoceses e de tabaco. E o mais "engraçado" é que com a saúde deste “querido” não se brinca: é diabético e sofre do coração. Que o tem, concluímos…
Outra pergunta que me salta é a seguinte: já que na prática (confiando que na teoria não se passa assim) eles são todos iguais (no que toca às feições, na nossa vista pois então), não será este (novo) “caramelo” (novo) um daqueles aselhas que participou na épica jornada dos 7 “secos” dos lusitanos no Mundial futebolesco de 2010 nas Áfricas, em que até Carlos Queiroz conseguiu pôr a "Selecção" a ganhar?

“Erudita”, quem?

Chamam à música instrumental “clássica” e “erudita”.
“Clássica”, ainda percebo: foi composta antes das outras. Embora tudo o que tenha mais de 50 anos, nos parece “clássico”.
Agora “erudita”, não entendo de todo: então se até o “bronco” do Artur Jorge vê jogos de futebol a ouvir a Antena 2 (mistura jeitosa; gostaria de ver no que dá…), o que será dele? Terá sido promovido a “erudito”?

Aqui fica um exemplo de como, às vezes, esses dois “incompatíveis” mundos do "clássico" e do "moderno" se juntam em boas combinações.
Versão remix do quarteto para cordas n.º 1 de Samuel Barber:

domingo, 18 de dezembro de 2011

O Escol do Xilofone

Para aqueles que, como eu, fazem questão de (re)lembrar o passado… perdão, parece que é um "presente"…, aqui fica uma relíquia: um post do blog "irritado" (assim se chama), da autoria de António Borges de Carvalho, a quem me vergo, sobre as marimbas que por aí vagueiam, no meu seguimento do Já percebemos!. Este, diga-se em abono do rigor, é um tesouro bem ao jeito do referido autor que, criativa e frontalmente, vem lavando o nosso contraditório, dia após dia… Recomendo (mais que) absolutamente a sua morada: http://irritado.blogs.sapo.pt/.













Está mais que glosado o discurso do homem das marimbas, bobo ao serviço do PS, truão de quinta ordem de entre os muitos que o estudante(?) da Sorbonne(?) nos deixou. Nada a acrescentar, que o discurso marimbado nem um escarro merece.
Interessante é ver como este desgraçado, assim que o exilado chefe abriu a boca lá nas franças, tratou de o glosar, de o apoiar, até de ir mais longe que ele na propaganda da doutrina do calote, ao ponto de achar que, com as suas bocas, os bancos alemães se borrariam de medo!
Interessante é verificar que este homúnculo mental é nem mais nem menos que vice-presidente do Zorrinho, quer dizer, do ilustre grupo parlamentar do partido socialista!
Interessante é olhar, e ver que o gatuno dos telemóveis (e não só), um tipo tão mau, tão mau, que nem o César o quis lá nas ilhas é outro vice do Borrinho!
Interessante seria saber quem são os outros vices … esperem aí!, lembrei-me de mais um, um vira-casacas de alto gabarito, um parlapatão que apelida de ordinário tudo o que não for do PS, um gajo que veio do CDS (fundador!), comeu um lugarzinho em Paris na malga do PSD, passou a serventuário encartado do Pinto de Sousa e continua, ferocíssimo, a tonitruar as cassetes que o ex ou actual chefe lhe envia de cidade da luz!

Ao ver os inúmeros representantes do emigrante que pululam na bancada, somos levados a ter pena da insegurança do Seguro. Coitado, cercado pela gentalha do outro!
Mas o homem não merece a nossa pena: a gentalha, o miserando “escol”, não subiu a escada sem o seu acordo, presume-se. Sem o seu acordo não se teria rodeado de “conselheiros económicos” tais que o tipo das marimbas e essa intragável e desagradável criatura que dá pelo nome de Galamba.
O Seguro, afinal, tem o que merece. Se calhar até gosta.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Já percebemos!

Primeiro, Pinto de Sousa (vulgo Sócrates)…

Depois, Pedro Nuno Santos (figura ilustre do nosso Parlamento)...

Diz a notícia: Durante um jantar de Natal, no passado fim-de-semana, em Castelo de Paiva, o deputado socialista [membro da comissão de acompanhamento do memorando da troika] e líder do PS-Aveiro, Pedro Nuno Santos, disse que o Governo devia "marimbar-se" para as exigências dos credores internacionais. O vídeo explica-o mais que bem.

Era só para avisar: ó camaradas, não precisavam de se “explicar” tanto. Era-vos já largamente reconhecido o apetite pelo borlismo, desleixo e despesismo. E há muito!
Se vocês, no quadro destes “encontros populares e informais”, perante pessoas, se saem com estas “bujardas”, não hesitando nas palavras, nem temendo a opinião a gerar-se, o que farão quando estiverem a sós com as vossas “consciências”, a postos para decidir o futuro dos vossos concidadãos?

Na vida real, a polícia faz “figas” para que os ladrões confessem os crimes. Essa prova (testemunhal) vale, muitas vezes, mais do que qualquer outra pericial que se possa obter no decurso da investigação.
Neste conto também há ladrões e os polícias são facilmente inidentificáveis. É tudo semelhante: os ladrões assaltaram a casa e “deram à sola” em seguida, para longe dessa “casa” claro. Mas, por incrível, andam a “colaborar” com os investigadores, dando-lhes pistas (falseadas, pois bem) sobre a autoria de tal crime. A casa é de todos nós, chama-se Estado e é bem grandinha, mas agora quase já só tem paredes; as pratas foram-se… A polícia, personificada na troika, decidiu pôr trancas à porta (bem conforme o famoso ditado): poupar, gastar menos, arrecadar mais dinheiro. Os ladrões, no alto da sua habilidade, dizem que as “trancas” não são essas, ou que elas estão mal postas… Também nesta história, as palavras valem mais do que mil números…

Entende-se então agora que, quando os “outros” reclama(ra)m a irresponsabilidade destes “finos sábios”, co-finalizada no sucessivo adiamento da ajuda internacional, não estavam mesmo a exagerar. Exagerar é antes vir um discípulo papaguear, “marimbando”, a cartilha do mestre. Não era preciso. Já tínhamos percebido!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A DGCI no twitter

DGCI: um espírito santo (?)
No prosseguimento dos estudos de matérias conexas, fui dar de caras com o portal das finanças online e seus menus. Logo aí, isso já mereceria nota. Mas há mais…
De facto, como os termos nos parecem, o devido portal é um mundo. Um mundo onde o Estado manda e é implacável. O mecanismo apenas nos elucida um pouco mais – uma porta de entrada nesse "mundo".
As finanças (as que o Estado “tem”, que só ele saber “ter”) estão em todo o lado. Porém, nunca me passou que estivessem no twitter, onde prolifera tudo menos assuntos melindrosos como estes.
Empolga-me pensar nos "twits" de tal conta (sempre compaginante do "internetês" habitual): “pimba! IVA a 23% hihi…”; “declarações de IRS só até amanhã, senão lixam-se… xD”; “one month left to IRC… :)”; etc.
Coisa mística e instrutiva do nosso imaginário!
PS: É de realçar a igual presença no YouTube (senão veja-se)…

domingo, 11 de dezembro de 2011

Trabalhar mais? Sim. Receber menos? Não.

Há semanas, Paul Thomson (PT), o “senhor troika”, veio agraciar os portugueses (ou, o seu ministro das finanças) com a medalha do “aluno bem comportado”, satisfazendo-se com o jeito e a eficácia com que a austeridade anda a proliferar nas nossas casas.
Na circunstância, numa das muitas conferências de imprensa e entrevista que deu o senhor (realça-se o entusiasmo dos media quando aí vem um dos da troika), PT reafirmou a urgência de “reformas estruturais”, um chavão que pode virar-se para todo o lado.
Numa dessas “reformas” está, obviamente, o incremento da competitividade da economia portuguesa. Para resolver esse espinho, PT recomendou (com grande noção de “êxito” noutras bandas), não sei se apenas para agora ou se antes para todo o sempre, a quebra dos salários, juntando aos do público, no sector privado. Ao que parece, a “feliz” ideia não colheu grandes simpatias, nem no governo (que está a experimentar tal técnica nos meios que gere), nem nos empresários. Até ver, uma boa notícia.

Sem perceber, PT acabou de prestar um péssimo serviço à instituição para onde trabalha. Para além do escusado prejuízo que seria para o nosso plano de ajuda externa, a redução salarial nas empresas seria catastrófico para todos, para todos mesmo, tanto para as empresas, como indubitavelmente para os trabalhadores. E ainda pior para os executores do plano de ajuda.
A inevitável quebra do poder de compra dessa brincadeira implicaria danos socioeconómicos que levariam anos a recuperar. As famílias mais afogadas consumiriam menos e menos, porque os vencimentos baixariam então. Logo aí o Estado já estaria a perder, com a retenção na fonte para o IRS a pagar e o IVA que deixaria de receber pela quebra do consumo. Depois, ia-se ver e a produtividade ficava na mesma. A produtividade económica, e não a contabilística – quero dizer, o volume de trabalho/mês, e não o volume de trabalho/salário mensal. Neste enquadramento, as receitas das empresas diminuiriam (principalmente as das PME’s, dos sectores de consumo e serviços não exportáveis, como o retalho ou o turismo), sendo dessa forma cada vez menos o IRC pago ao Estado por estas.

Para além disso, como alertou Bruno Proença num artigo que dá mote a este post, se o factor salarial «fosse um factor determinante, Portugal já era um dos países mais competitivos da Europa porque já tem dos salários médios mais reduzidos».
O plano (estratégico) da troika seria o choque (presume-se benéfico) que tal medida causaria na actividade exportadora nacional. Com a redução de custos salariais, essas firmas conseguiriam praticar preços mais baixos nos mercados externos e, aí, aumentar o volume de transacções internacionais, fazendo crescer o PIB nacional. Tudo muito bonito e fácil de perceber na teoria. Mas a prática é mais complexa.
INE: taxa anual de variação em volume das componentes do PIB até 2010

Se repararmos nas componentes do PIB que ainda têm um comportamento aceitável, ou evolutivo mesmo, e que vão salvando a honra do nosso convento, as mesmas são aquelas que se relacionam com o Exterior (ver gráfico, com as exportações a verde). Por aqui estamos bem. Realça-se que o comportamento do ramo económico exportador não precisou de semelhantes “choques” para se impor lá fora. Mas tão-só de melhorias organizacionais, economias de escala e inovações produtivas recentes. Não raras são as vezes em que estes factores vingam mais do que quaisquer “choques” que se pretendam milagrosos, mas que na prática não fazem nada.
Sendo estabelecido que nem sempre essas desvalorizações têm efeitos concretos, mesmo a terem, no contexto europeu que hoje vivemos, não seriam garantia de sucesso. As previsões das autoridades estatísticas internacionais (vg. OCDE, Eurostat, FMI,…) indicam um abrandamento económico dos nossos parceiros comerciais: Espanha, França, Reino Unido, Alemanha. Algo que ameaça seriamente o resíduo produtivo nacional. Para uma economia que depende quase em exclusivo do desempenho das indústrias e serviços de exportação, saber que os mercados onde elas operam estão em falência (aqui entendida a nível estrito – falhando o crescimento), não é francamente animador. A solução seria, nesse âmbito, a diversificação dos mercados para os países emergentes, contudo isso não é instantâneo – demora a conseguir-se. Essa é mais uma razão pela qual a desvalorização que PT quer impor não faz espécie de nexo.

Todavia, os empresários deram um ar de responsáveis e opuseram-se à ideia. Ainda que sendo de desconfiar, vamos acreditar em tal sinceridade. Talvez os fulanos tenham entendido que estariam a cavar a própria sepultura com essa iniciativa. Talvez… Afinal, dada como certa a motivação dos seus “colaboradores”, onde iriam eles buscar o consumo familiar que lhes alimenta as vendas?
Pese estas boas intenções, como faz questão de lembrar Proença, «há muito tempo que várias empresas não fazem aumentos, o que significa que os salários reais baixam devido à inflação. E mais importante, com a subida significativa do desemprego, a oferta do trabalho aumenta, levando à tendência de redução das remunerações».

É assim indecorosa a ideia da baixa salarial no privado. Como se não bastasse funcionários públicos diminuídos nos seus vencimentos. Como se não bastasse uma sociedade cada vez mais pobre e desigual. Os membros da troika, que nos obrigam a tamanha austeridade, trazem consigo mandamentos ultrapassados, mandatos de empobrecimento gradual das economias intervencionadas. Como remata o jornalista, «as sugestões de medidas para relançar a economia são vagas e partem de dogmas que foram construídos nas sedes do FMI, Comissão Europeia e BCE. São políticas que muitas vezes não se ajustam à situação económica dos países». Planos à “Frankenstein”, onde o objectivo parece ser o de forçar o incumprimento das próprias metas com eles acordadas. O que se chama “trabalho por objectivos”…

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A TVI

 A TVI está de volta às polémicas. Parece um íman que se leva aos casos e controvérsias sociais. Já os teve por várias razões. Depois dos episódios de Manuela Moura Guedes, do caso “PT-TVI” e de outros mais recatados que apareceram, agora a “Casa dos Segredos”. É a demonstração prática da teoria de Schumpeter que, não raras vezes, os próprios economistas têm dificuldades em passar do papel. De tempos a tempos, a TeleVisão Independente (assim lhe chamam) faz gáudio de aparecer nos catálogos da estupidez nacional.
"Uma televisão feita por si": podera...!

Nunca gostei da TVI. Irritam-me várias coisas nela. Desde já, a obsessão pela “ficção nacional”. Só pelo facto do seu mais honroso serviço ser o de passar novelas aos serões, é algo já de si bem demonstrativo da pobreza da estação.
Mas fora isso, o resto também não se aproveita. O jornalismo é paupérrimo. Faz questão de o ser: sensacionalista, populista, demagogo, tendencioso, pouco rigoroso. O que sobra não é melhor. Os programas de entretenimento, as manhãs do Goucha e as "Tardes da Júlia", ou qualquer coisa parecida que agora ilumina a ignorância nacional, são o espelho dum canal que só dá “bosta” (e acho que não estou a exagerar). Mas claro: nada disto a plebe ignora, por razão alguma a TVI é líder em audiências (só mesmo nisso). Salvam-se apesar deste tudo algumas reportagens irreverentes, não menos populistas, embora mais didácticas, e alguns comentários políticos. Uma gota neste oceano.
E depois vêm os reality shows. Uma moda importada, infelicíssima, não tão recente assim. Já conhecíamos os “Big Brothers” e as “Quintas das Celebridades”. Agora, essa “Secret Story” transposta.
Ainda sobre “celebridades”, que aliás a TVI tanta questão faz em formar, promover, idolatrar, lembro-me de João Gobern (fulano um tudo irritante, mas que desta acertou na mouche) que se entristeceu com um “País onde as baratas tontas da fama nada fazem para se aproximar desta, a não ser rastejarem nos comportamentos e disparatarem nas ideias”. Estas criaturas “célebres” são-no porque desempenharam papéis de “bruxa má”, “engatatão”, assassino em série, ou uma tipa que não hesitou em mostrar as mamas, nas novelas ou nos ditos “shows”, que o mesmo canal patrocina. Um ciclo interessante!

Não nos deve surpreender, neste colo tão inútil e abjecto, que a tal “Casa dos Segredos” seja um resultado disto tudo.
O País já tinha tido oportunidade de apreciar a forma mais genuína da ignorância da sua populaça, superiormente iluminada por uma concorrente. A juntar a isto, deu-se a pensar que, afinal, em consonância com o verbo “descarado” do nosso actual primeiro-ministro, por alturas da campanha de Maio, a história das “Novas Oportunidades” não serve mesmo para nada (como fiz referência em tempo “longínquo”). Obviamente não me querendo alongar na caracterização dos outros resíduos de tal “Casa”.
Agora, o Portugal do “nobre Povo” espanta-se (?) com o “segredo” dum tipo que, à boleia de fama tão instantânea e esperta, decidiu-se tentar enfiar em tal concurso, contando que o seu pai fora, em tempos, um praticante de corte e costura nos ventres humanos. (Recomendado o artigo de Ricardo Araújo Pereira na Visão desta semana, com o titulo: Édipo e Teresa Guilherme: um estudo)
Ao passo de tanta paralisia intelectual, a situação era a de uma combinação filho-pai (não sei qual o mais esclarecido), para que aquele, em potencial sacrifício deste, atingisse o trilho do “conhecimento”: que todos o conhecessem!
Isto tudo contado por um semanário sedento de investigações originais, irrequietas e incómodas, por meio duma jornalista experimentada, que muito tem prestado à Nação pelas histórias que escreve (com dose de seriedade). Mas que, francamente, neste caso, caiu numa esparrela ridícula. Merecia mais cuidado.

Um episódio delirante este numa Pátria entregue a Chico-espertos, ignorantes, aldrabões e ociosos. Tal coisa que só vem mostrar o triste fado da nossa “Justiça”, a passividade da Investigação Criminal que cá actua, a insensatez desta “Sociedade” e a parolice da Comunicação Social lusitana.
E é caso para perguntar, numa altura em que o Governo tem ideia firme sobre o modelo de imprensa e de “serviço público”: como conseguirá ele (o Governo) garantir uma televisão responsável, culta e informativa, ao mesmo tempo que entrega mais uma estação pública ao privado? Como se compatibiliza uma TV privatizada como uma TV credibilizada? Ou não estará o mesmo nem aí para se ocupar com tais questões?

Finda a estupidez generalizada (?), e findo o meu discurso, apetece questionar: quando o secretario de Estado da Juventude incitou os jovens à emigração, estaria ele a pensar em quem cá ficaria para tomar as rédeas desta Cidadania, ou a magicar forma mais simples de se reeleger à pala de eleitorado tão cultivado?
Este “concurso mentecapto, corruptor e perverso” (de novo citando o referido fulano) é tão-só a consequência dum sistema educativo débil, desresponsabilizante e flácido, e não a sua causa. Por esta razão “é o funcionamento da Democracia Portuguesa que está em causa”, como disse Balsemão, mas não pelas suas justificações. Um aviso seríssimo!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Olha para a esquerda, e pisca-pisca!


O concílio de "Estaline" e "Trotsky": já se falam!


Portugal é diferente no Mundo em muita coisa: pela sua História, pela sua gente, pela sua paisagem, pela sua comida, pela “sua” meteorologia, etc., etc.. Também na política este País se destaca do Resto do Mundo, ou, no mínimo, do Resto da Europa. Um dos melhores exemplos disso é o peso comparativo da Esquerda-radical.
Há muito que explique esse fenómeno, mas também muito que não o explique… É verdade que tivemos uma ditadura católico-conservadora de direita durante 48 anos, é verdade que no período revolucionário pôs-25/4 (PREC) os partidos de Esquerda e os sindicatos ganharam uma força brutal, é verdade que ainda hoje o País é pobre e que aqui os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres mais pobres, é verdade que os Portugueses não gostam de mudar (talvez pela herança "católico-conservadora" sejam isso mesmo: conservadores). Tudo isso não é mentira, mas também não o é o facto de: a ditadura já lá ir há 37 anos (!), o PREC só deixar saudades aos que nele se envolveram, Portugal ser um País europeu (e não sul ou centro-americano), os Portugueses terem uma vida confortável ainda assim, a Lusitânia não ser um “reino” industrial, dos operários explorados e oprimidos, novamente etc., etc..

Nas últimas Legislativas (5/6), a “verdadeira Esquerda” teve uma derrota estrondosa: perderam votos, perderam deputados, perderam força. A mensagem “não passou”; ou não podia passar, tal era (é) a sua inexequibilidade. Barafustaram contra o acordo da troika, sem sequer o terem negociado, mas não disseram, porque não sabiam (sabem), o que fariam se governassem (em ficção) para resolver o problema de liquidez da nossa Economia. Em rigor, percebe-se a estratégia: aquela gente estará sempre condenada a protestar, e não a governar, pelo que não precisam de apresentar, apenas e só de rejeitar. Apesar de tudo (resultados eleitorais, “manifesto entregue” pelo eleitorado a esses partidos…), PCP e BE continuam na mesma cega-rega: não perceberam o sinal dos tempos, persistindo na “luta”. Pior que isso, não reconheceram a derrota (ao melhor estilo democrático, como tanto apregoam…), não tiraram ilações. Estão condenados a sucumbir à sua interna podridão. Não há hipótese…

Cá, PC e Bloco acusam (com razão) PSD e PS de alternarem no jogo de poder, de serem parasitas, de só pensarem nos seus interesses, de cortarem no que “não lhes custa”. Mas, se olharmos ao que acontece nos dois conjuntos de partidos (bloco da Esquerda e bloco central), chegamos sem grande esforço àquele ditado: “bem prega o frei Tomás,…”!
Se formos comparar a dimensão do debate interno nos dois blocos, podemos tirar ilações do que seria Portugal se este fosse entregue a trotskistas ou estalinistas. Sim, porque por baixo da capa indefinida “Esquerda”, estão esses fundamentos ideológicos, cujas suas execuções pudemos encontrar em amostra (ou em noção geral) na URSS, noutros tempos, e nalguns persistentes regimes, nos dias que correm.
A diferença de paradigma no que toca ao debate partidário interno pode ser, logo, calculada pelos estatutos dos vários partidos e confirmada, melhor ainda, pela prática corrente dos mesmos. Quando há congressos de PS e PSD, é frequente (embora cada vez menos) assistirmos à dissidência, ao debate, ao confronto, à proposta alternativa (nem que seja pouco alternativa). Para além da acessibilidade a esses encontros, no que ao relato da imprensa diz respeito. Já quando se realizam os conclaves de PCP e BE, muito dificilmente vislumbramos ideias diferentes, oposições internas, moções contrárias, candidaturas múltiplas aos comandos dos partidos, heterodoxias várias ou outros fenómenos comuns nas Democracias. Tudo é igual: as frases, os slogans, os discursos, as palavras; precisamos de uma lupa para achar as diferenças! Já quanto ao acesso dos media, destacam-se os momentos de “discussão” e eleição à porta fechada. Isto sim é transparência e democracia directa!

Muito se pode denunciar os partidos do “centrão” no que respeita ao clientelismo que cerca o sector público, mas também muito se pode induzir, e confirmar, nalgumas situações presentes, que, se PC e BE tomassem o poder, o esquema seria o mesmo, ou pior (é de relembrar que a URSS durou 69 anos – 1,5 vezes o Estado Novo!). Se atentarmos aos “hábitos” das câmaras autárquicas comunistas, inferimos que estas “padecem” de vícios, tão ou mais difíceis de curar do que os daquelas nas “mãos” de PS e PSD (em endividamento, número de trabalhadores autárquicos/habitante, despesas (des)controladas, empresas municipais, populismos, festas e outros foguetórios…; em resumo, má gestão do dinheiro de todos). Algo mais que justifique para os outros fazerem aquilo que eles pregam e não o que eles praticam.

Votação na CDU: sempre a subir!
Mas calma! O ciclo democrático é feito de eleições, em que o Povo possa participar (bem dito). E aí o caso muda de figura (ou não).
Para continuar este passatempo do “descubra as diferenças”, coloco uma questão: alguém se lembra da CDU, desde 1974, ter perdido alguma eleição (uma única que seja)? Nem mesmo quando, em várias Presidenciais, desistiu em favor de outras candidaturas? Nem mesmo quando, em várias Legislativas, não conseguiu capitalizar o descontentamento nos governos socialistas? Nem mesmo quando, a cada eleição, a sua percentagem de votos é sucessivamente menor (ver gráfico) ? Nem mesmo quando, nas Presidenciais de 2001, não atingiu mais do que 5% dos votos? Nem mesmo quando, nas Legislativas de 2009, passou a 5ª força política nacional? Nem mesmo quando, nas Autárquicas de 2009, perdeu 19 câmaras municipais? Nem mesmo quando, nas Legislativas de 2011, não impôs o discurso anti-troika (“interna” e “externa”), nem sequer aproveitou a redução da votação (para metade) do seu vizinho Bloco de Esquerda? Ninguém se lembra?! Nos tempos que atravessamos, precisamos de gente sem temores, imbatível. Não precisamos de procurar muito: está no nosso Parlamento!

Mas, para que a "inveja" não se apodere das outras hostes esquerdistas, o mesmo se aplica a elas. Um e o mais elucidativo exemplo disso foi a reacção do Coordenador da Mesa Nacional do BE (que, noutro partido, tem a original designação de “Secretário-Geral” ou “Presidente”) aos mandatos que o Povo lhe decidiu atribuir nas Legislativas’11. Recorde-se que o Bloco obteve 5,2% dos votos (em 2009, havia obtido 9,8%) e apenas elegeu 8 deputados (em 2009, haviam sido 16). Em qualquer partido (cuja votação se parta ao meio) que saiba assumir as suas responsabilidades, que o seu projecto político não foi aceite pelo Povo, que o seu discurso (a forma e o conteúdo) (já) não é bem escutado pelo eleitorado e que os seus ideais precisam de uma reforma que o escrutínio popular não pode operar, o “Presidente” ou “Secretário-Geral” demite-se e/ou, no mínimo, pede a convocação de um congresso extraordinário o mais depressa possível, para avaliar esses temas. No Bloco, onde tudo é diferente, a começar pelo nome que se dá ao Congresso (Convenção) e ao Secretário-Geral (Coordenador da Mesa Nacional), nada disto acontece.
Louçã “chutou”, e continua a “chutar”, a sua responsabilidade no resultado alcançado pelo partido para o “grande debate interno”, sem se notar qualquer reforma na orientação política, mudança na estrutura directiva (quase a mesma desde a fundação) ou ajuste no discurso, passados que estão seis meses do inquérito universal. E nem o facto de alguns militantes terem vindo criticar a postura do seu líder, demove Louçã da sua (perpétua) estratégia: manter-se no “poder”. São, nesse ponto, conhecidas as opiniões de Daniel Oliveira (um dos militantes que colhe mais simpatias nas outras Esquerdas e Direitas), a renúncia de Miguel Portas ao cargo de membro da Mesa (lá vem outra vez a “Mesa”) e as dissidências de Rui Tavares (embora este seja independente). Para aqueles que, como Louçã, defendem a “revolução permanente”, não mudar nada ao fim de 13 anos de vida partidária, ainda para mais depois de uma brutal queda eleitoral, parece-me muito boa prática. De facto, “não há nada mais prático do que uma boa teoria”!
Talvez a origem deste tipo de comportamentos e na essencial e aparente desagregação interna do Bloco esteja na contradição entre o(s) seu(s) fundamento(s) ideológico(s), a arrogância política e a prática pessoal dos militantes e simpatizantes do partido (desde a base ao topo). Talvez…

É óbvio que nada disto legitima qualquer medida que o “centrão” partidário decida aplicar. Os unanimismos nunca fizeram bem a sociedade alguma, e a Esquerda sabe-o melhor que muitos. Mas, para se ser oposição, é preciso ter o telhado em condições para que, quando se atirar pedras ao ar, elas não caiam na própria casa.
O que me irrita na Esquerda portuguesa é o modelo social que preconizam. Claro que, sem essa "diferença", não seriam Esquerda, mas “Direita”, misturada no rebanho do “neo-liberalismo”. Contudo, esses utópicos sabem que a sua “sociedade ideal” não é possível (burocracia, insustentabilidade financeira, paralisia económica e social,…). Sabem-no por experiência prática. As externalidades e efeitos secundários da sua “luta” estão visíveis na História (e no presente) e pagaram-se caro à Humanidade em guerra, fome, miséria, infelicidade.
Juntando-se a esta minha “irritação”, vem uma outra mais palpável, audível. O “verbo inflamado”, a raiva no discurso, o ressabiamento no way of speaking. Por ventura será por esta “pele de galinha” que a Esquerda está em crise. A irritação não é só minha, pelos vistos. Essa é a parte mais sensível da tal “podridão”. Nada melhor que o explique.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Grupos de pressão: Igreja


A troika da pressão: "unidos venceremos" (quem?) !


Numa altura em que os seres bem pensantes da nossa Praça esperneiam por “alargados consensos”, com razão, devem esses “seres” ter em conta que «neste momento existem três forças com Poder real, em Portugal, independentemente das forças políticas representadas no Parlamento: a Igreja Católica, o PCP e a Maçonaria. Estas “forças” são auto-exclusivas entre si, e cada uma tenta não se deixar infiltrar pelas outras» (bem-dito Brandão Ferreira). Isso explica em toda a medida a inoperância da nossa Democracia, no que concerne às reais e necessárias medidas a tomar.

A aliança PSD-CDS, mal ou bem, está a tentar mexer no que é necessário. E não está a conseguir. Melhor: não vai conseguir.
Neste colete-de-forças que impede a prossecução das políticas mais frutuosas para todos (incluindo para os seus detractores), os três grupos de pressão instalados bloqueiam e bloquearão a acção de quem tentar o Bem.
Contudo, contrariamente ao que seria de supor, e ao que se verificou até há poucos meses, as três casas de compadrio aproximam-se hoje mais que nunca para defender as suas lides. Só assim se explica como Carvalho da Silva venha clamar por maior justiça social, invocando a “Doutrina Social da Igreja” e a própria Igreja Católica se junte ao Bloco de Esquerda no repúdio do OGE’12 que, embora brutal, e criticável claro, é inevitável no geral, e todos o sabem, incluindo a própria Sé.
Todavia, não é fundamentalmente contra o OGE que a Igreja está, não contra a sua previsível relevância num ano de enorme pobreza e necessidade assistencialista óbvia. Mas antes contra o que aí vem.

Perante a dessacralização natural de Portugal, o Patriarcado vê-se a braços com a perda de influência política, de tal maneira que já nem o CDS-PP, partido cristão de origem, se aconselha na agenda política de D. José Policarpo. É por isso que os subsídios às misericórdias vão diminuir e que os feriados religiosos vão acabar, senão pelo menos fortemente diminuídos. Ninguém quer sacrifícios, muito menos a Igreja. O desespero é inevitável, e a crítica, uma consequência disso.
Perante isto, numa lógica de contra-ponto, força de bloqueio e intimidação, reparámos que distintos eclesiásticos da Sé portuguesa se juntaram a dinossauros da Esquerda lusitana numa “manifestação”, primeiro, contra a “insensibilidade social” de Passos e de Portas e, segundo, em oposição à perda de “qualidade” da “democracia” e dos “serviços públicos”.
A Igreja corre o risco de se descredibilizar. Primeiro, porque sabe, mais que ninguém, os riscos que corre o País se não inverter a trajectória que vinha seguindo. Segundo, porque ao baralhar-se com quem quase não tem semelhança ideológica está a desvirtuar o seu posicionamento político (que o tem). E terceiro, ao alterar posições oficiais, ou semi-oficiais, de ano a ano, ao sabor das conveniências, sobre temas vitais para o País (que disse a Igreja do legado de Sócrates?), está em vias de perder a confiança dos cidadãos, a atenção que estes lhe prestam e o carácter “sábio” que sempre caracterizou as suas intervenções.

Mas pronto, parece que o Patriarcado preferiu seguir aquela máxima de que “se não podes com eles, junta-te a eles”. A Sé não pode nem com as forças da Esquerda, nem de sobremaneira com a Maçonaria. Decidiu juntar-se a elas. Acho que não vai dar bom resultado. É um palpite!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Rua maçónica


 
Os manifestos e petições voltaram à carga. Depois da moda das “gerações à rasca”, sem se saber quantas são, se apenas jovens ou idosas, ou todas ao mesmo tempo, e a nova corrente dos “indignados”, não se sabe bem contra quê (tudo?), estão de volta os escritos cidadãos. Este exemplo de “democracia” mais não quer do que contrariar a democracia propriamente dita: a das urnas.
Tirando esse pequeno pormenor, aquilo que me interessa é apenas um dos movimentos: um corrido bem de fresco, dirigido à contestação das massas, sob epigrafe: Um novo rumo”.
Sobre esse, encabeçado por Mário Soares, devo dizer que não alcanço o alcance que aquilo tenta alcançar (!). O manifesto é zero, ou muito próximo disso. E por várias razões: a credibilidade de quem o promove, os alicerces da posição e o momento da divulgação.

Quanto a credibilidades, não será preciso dizer muito.
Talvez apenas lembrar a inversão ideológica de que Soares foi vítima. O que seria esta «uma sociedade socialista, mas em liberdade», virou uma democracia dos interesses, dos “amigos”, dos partidos. E, para isso, muito contribuiu a veia soarista, o clã que construiu (a começar na sua casa) e a rede que instalou.
Talvez apenas lembrar o caso “Melancia”, o “Emaudio”, a sua Fundação e os dinheiros públicos que implic(ar)am, os negócios camarários com o filho João, as construções sem PDM’s nem licenças, as subvenções, subsídios e prendas recolhidas ao Estado (português e estrangeiros).
Talvez apenas lembrar as “viagens de Estado”, os 57 países visitados (Espanha – 24 vezes –, França - 21), a tartaruga das Seychelles e os mais de 992 mil km’s percorridos à boleia da diplomacia (22 voltas ao Mundo).
Quanto a isto, estamos conversados.

Quanto aos termos do que (não) propõem, também é fácil falar. Se virmos bem, «o manifesto de uma esquerda intelectualmente superior e socialmente caviar» (palavras não minhas) só tem banalidades. Só que ditas por pessoas “experientes” e “intelectualmente superiores”.
Hoje, ninguém, ou quase ninguém, se engana sobre a «escalada da anarquia financeira internacional», que a «sobrevivência da União Europeia» está hoje em causa (muito mais a da Zona Euro), a «austeridade [apenas soma} desemprego e recessão», que «há muita gente aflita entre nós» e muito mais que «é preciso encontrar um novo paradigma para a UE». Disso ninguém duvida, agora o que se adianta para substituir o «paradigma» «neo-liberal» instalado é que já é mais complicado.
No fundo, a frase que fica do subscrito é: «os signatários opõem-se a políticas de austeridade». Ponto final. Claro! A austeridade não apetece a ninguém: um gordo preferiria continuar comendo, um alcoólico bebendo, um drogado traficando e um serial killer matando. Mas não é possível. Se os Estados são grandes, “gordos”, “viciados” em impostos, se gastam muito, se produzem pouco, se se endividam à velocidade dum mustang e se “matam” a economia com despesa inútil, é porque “algo” não está bem. E é por isso que temos de mudar de «paradigma». Não para satisfazer barões europeístas.
Desta forma, é fácil dizer-se que o status quo não satisfaz. Pois é. Mas, para quem, desde 1974, vive à roda do Estado, se faz subsidiar bem, “conhece” muita gente e está a salvo de qualquer crítica ou investigação aos seus “negócios”, nada é de admirar. E já nem se fala na(s) (in)coerência(s) do dr. Mário. É escusado.
Soares sabe, mais que muitos, o quão ingovernável é esta situação. Se Portugal está pré-falido (como está e já esteve múltiplas vezes), a opção só pode ser: ou arca com as consequências da bancarrota, ou submete-se aos “caprichos” do FMI. Se isto, para quem é leigo, é óbvio, quanto mais para um sr. ex-primeiro-ministro que assinou um plano de ajuda com instâncias internacionais? Conclui-se que Soares nada aprendeu com o seu ministro das finanças de então: Ernâni Lopes. Um desperdício.

E, finalmente, para falarmos do timing da divulgação do manifesto. Ao que chegou o populismo desta gente. Na véspera duma greve geral, criticada até por críticos do governo, pela inoportunidade, o nulo contributo para a solução dos problemas colectivos, vir-se exaltar as massas é um «convite» claro e explícito à «sublevação» e à «anarquia» (palavras não minhas, outra vez). Ainda para mais, fazendo-se alusão à “rua árabe” sem norte, governo nem paz, é um perfeito disparate, como qualquer ajuizado pensará. Não é preciso dizer-se muito: Portugal é uma democracia de base cristã.

De facto, é difícil separar a desonestidade dos efeitos da idade. Se Soares já não está capaz de pensar por si, se está mal informado, ou esquecido, isso é com ele, ou com quem dele trata. Seja o que for, dispense o País destes inventos. Deixe «as nossas ruas e praças» como estão. Vá tratar da sua "rua". Maçónica!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

«De Espanha,...»

Sem nos apercebermos, estamos a “comemorar” mais um feriado.
Sem nos apercebermos, estamos a “festejar” uma pausa anti-espanhola, anti-ibérica, pro-independentista.
Sem nos apercebermos, ninguém liga a estas graças. Ninguém sabe sobre elas, quando foram, para que servem.
Sem nos apercebermos, o “gozo” que nos dá ser anti-espanhóis é o mesmo que nos dá a Imaculada Conceição, que não tarda a chegar.

Férias são férias. Feriados, nem se fala…