escarafunchando no baú...

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A TVI

 A TVI está de volta às polémicas. Parece um íman que se leva aos casos e controvérsias sociais. Já os teve por várias razões. Depois dos episódios de Manuela Moura Guedes, do caso “PT-TVI” e de outros mais recatados que apareceram, agora a “Casa dos Segredos”. É a demonstração prática da teoria de Schumpeter que, não raras vezes, os próprios economistas têm dificuldades em passar do papel. De tempos a tempos, a TeleVisão Independente (assim lhe chamam) faz gáudio de aparecer nos catálogos da estupidez nacional.
"Uma televisão feita por si": podera...!

Nunca gostei da TVI. Irritam-me várias coisas nela. Desde já, a obsessão pela “ficção nacional”. Só pelo facto do seu mais honroso serviço ser o de passar novelas aos serões, é algo já de si bem demonstrativo da pobreza da estação.
Mas fora isso, o resto também não se aproveita. O jornalismo é paupérrimo. Faz questão de o ser: sensacionalista, populista, demagogo, tendencioso, pouco rigoroso. O que sobra não é melhor. Os programas de entretenimento, as manhãs do Goucha e as "Tardes da Júlia", ou qualquer coisa parecida que agora ilumina a ignorância nacional, são o espelho dum canal que só dá “bosta” (e acho que não estou a exagerar). Mas claro: nada disto a plebe ignora, por razão alguma a TVI é líder em audiências (só mesmo nisso). Salvam-se apesar deste tudo algumas reportagens irreverentes, não menos populistas, embora mais didácticas, e alguns comentários políticos. Uma gota neste oceano.
E depois vêm os reality shows. Uma moda importada, infelicíssima, não tão recente assim. Já conhecíamos os “Big Brothers” e as “Quintas das Celebridades”. Agora, essa “Secret Story” transposta.
Ainda sobre “celebridades”, que aliás a TVI tanta questão faz em formar, promover, idolatrar, lembro-me de João Gobern (fulano um tudo irritante, mas que desta acertou na mouche) que se entristeceu com um “País onde as baratas tontas da fama nada fazem para se aproximar desta, a não ser rastejarem nos comportamentos e disparatarem nas ideias”. Estas criaturas “célebres” são-no porque desempenharam papéis de “bruxa má”, “engatatão”, assassino em série, ou uma tipa que não hesitou em mostrar as mamas, nas novelas ou nos ditos “shows”, que o mesmo canal patrocina. Um ciclo interessante!

Não nos deve surpreender, neste colo tão inútil e abjecto, que a tal “Casa dos Segredos” seja um resultado disto tudo.
O País já tinha tido oportunidade de apreciar a forma mais genuína da ignorância da sua populaça, superiormente iluminada por uma concorrente. A juntar a isto, deu-se a pensar que, afinal, em consonância com o verbo “descarado” do nosso actual primeiro-ministro, por alturas da campanha de Maio, a história das “Novas Oportunidades” não serve mesmo para nada (como fiz referência em tempo “longínquo”). Obviamente não me querendo alongar na caracterização dos outros resíduos de tal “Casa”.
Agora, o Portugal do “nobre Povo” espanta-se (?) com o “segredo” dum tipo que, à boleia de fama tão instantânea e esperta, decidiu-se tentar enfiar em tal concurso, contando que o seu pai fora, em tempos, um praticante de corte e costura nos ventres humanos. (Recomendado o artigo de Ricardo Araújo Pereira na Visão desta semana, com o titulo: Édipo e Teresa Guilherme: um estudo)
Ao passo de tanta paralisia intelectual, a situação era a de uma combinação filho-pai (não sei qual o mais esclarecido), para que aquele, em potencial sacrifício deste, atingisse o trilho do “conhecimento”: que todos o conhecessem!
Isto tudo contado por um semanário sedento de investigações originais, irrequietas e incómodas, por meio duma jornalista experimentada, que muito tem prestado à Nação pelas histórias que escreve (com dose de seriedade). Mas que, francamente, neste caso, caiu numa esparrela ridícula. Merecia mais cuidado.

Um episódio delirante este numa Pátria entregue a Chico-espertos, ignorantes, aldrabões e ociosos. Tal coisa que só vem mostrar o triste fado da nossa “Justiça”, a passividade da Investigação Criminal que cá actua, a insensatez desta “Sociedade” e a parolice da Comunicação Social lusitana.
E é caso para perguntar, numa altura em que o Governo tem ideia firme sobre o modelo de imprensa e de “serviço público”: como conseguirá ele (o Governo) garantir uma televisão responsável, culta e informativa, ao mesmo tempo que entrega mais uma estação pública ao privado? Como se compatibiliza uma TV privatizada como uma TV credibilizada? Ou não estará o mesmo nem aí para se ocupar com tais questões?

Finda a estupidez generalizada (?), e findo o meu discurso, apetece questionar: quando o secretario de Estado da Juventude incitou os jovens à emigração, estaria ele a pensar em quem cá ficaria para tomar as rédeas desta Cidadania, ou a magicar forma mais simples de se reeleger à pala de eleitorado tão cultivado?
Este “concurso mentecapto, corruptor e perverso” (de novo citando o referido fulano) é tão-só a consequência dum sistema educativo débil, desresponsabilizante e flácido, e não a sua causa. Por esta razão “é o funcionamento da Democracia Portuguesa que está em causa”, como disse Balsemão, mas não pelas suas justificações. Um aviso seríssimo!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Olha para a esquerda, e pisca-pisca!


O concílio de "Estaline" e "Trotsky": já se falam!


Portugal é diferente no Mundo em muita coisa: pela sua História, pela sua gente, pela sua paisagem, pela sua comida, pela “sua” meteorologia, etc., etc.. Também na política este País se destaca do Resto do Mundo, ou, no mínimo, do Resto da Europa. Um dos melhores exemplos disso é o peso comparativo da Esquerda-radical.
Há muito que explique esse fenómeno, mas também muito que não o explique… É verdade que tivemos uma ditadura católico-conservadora de direita durante 48 anos, é verdade que no período revolucionário pôs-25/4 (PREC) os partidos de Esquerda e os sindicatos ganharam uma força brutal, é verdade que ainda hoje o País é pobre e que aqui os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres mais pobres, é verdade que os Portugueses não gostam de mudar (talvez pela herança "católico-conservadora" sejam isso mesmo: conservadores). Tudo isso não é mentira, mas também não o é o facto de: a ditadura já lá ir há 37 anos (!), o PREC só deixar saudades aos que nele se envolveram, Portugal ser um País europeu (e não sul ou centro-americano), os Portugueses terem uma vida confortável ainda assim, a Lusitânia não ser um “reino” industrial, dos operários explorados e oprimidos, novamente etc., etc..

Nas últimas Legislativas (5/6), a “verdadeira Esquerda” teve uma derrota estrondosa: perderam votos, perderam deputados, perderam força. A mensagem “não passou”; ou não podia passar, tal era (é) a sua inexequibilidade. Barafustaram contra o acordo da troika, sem sequer o terem negociado, mas não disseram, porque não sabiam (sabem), o que fariam se governassem (em ficção) para resolver o problema de liquidez da nossa Economia. Em rigor, percebe-se a estratégia: aquela gente estará sempre condenada a protestar, e não a governar, pelo que não precisam de apresentar, apenas e só de rejeitar. Apesar de tudo (resultados eleitorais, “manifesto entregue” pelo eleitorado a esses partidos…), PCP e BE continuam na mesma cega-rega: não perceberam o sinal dos tempos, persistindo na “luta”. Pior que isso, não reconheceram a derrota (ao melhor estilo democrático, como tanto apregoam…), não tiraram ilações. Estão condenados a sucumbir à sua interna podridão. Não há hipótese…

Cá, PC e Bloco acusam (com razão) PSD e PS de alternarem no jogo de poder, de serem parasitas, de só pensarem nos seus interesses, de cortarem no que “não lhes custa”. Mas, se olharmos ao que acontece nos dois conjuntos de partidos (bloco da Esquerda e bloco central), chegamos sem grande esforço àquele ditado: “bem prega o frei Tomás,…”!
Se formos comparar a dimensão do debate interno nos dois blocos, podemos tirar ilações do que seria Portugal se este fosse entregue a trotskistas ou estalinistas. Sim, porque por baixo da capa indefinida “Esquerda”, estão esses fundamentos ideológicos, cujas suas execuções pudemos encontrar em amostra (ou em noção geral) na URSS, noutros tempos, e nalguns persistentes regimes, nos dias que correm.
A diferença de paradigma no que toca ao debate partidário interno pode ser, logo, calculada pelos estatutos dos vários partidos e confirmada, melhor ainda, pela prática corrente dos mesmos. Quando há congressos de PS e PSD, é frequente (embora cada vez menos) assistirmos à dissidência, ao debate, ao confronto, à proposta alternativa (nem que seja pouco alternativa). Para além da acessibilidade a esses encontros, no que ao relato da imprensa diz respeito. Já quando se realizam os conclaves de PCP e BE, muito dificilmente vislumbramos ideias diferentes, oposições internas, moções contrárias, candidaturas múltiplas aos comandos dos partidos, heterodoxias várias ou outros fenómenos comuns nas Democracias. Tudo é igual: as frases, os slogans, os discursos, as palavras; precisamos de uma lupa para achar as diferenças! Já quanto ao acesso dos media, destacam-se os momentos de “discussão” e eleição à porta fechada. Isto sim é transparência e democracia directa!

Muito se pode denunciar os partidos do “centrão” no que respeita ao clientelismo que cerca o sector público, mas também muito se pode induzir, e confirmar, nalgumas situações presentes, que, se PC e BE tomassem o poder, o esquema seria o mesmo, ou pior (é de relembrar que a URSS durou 69 anos – 1,5 vezes o Estado Novo!). Se atentarmos aos “hábitos” das câmaras autárquicas comunistas, inferimos que estas “padecem” de vícios, tão ou mais difíceis de curar do que os daquelas nas “mãos” de PS e PSD (em endividamento, número de trabalhadores autárquicos/habitante, despesas (des)controladas, empresas municipais, populismos, festas e outros foguetórios…; em resumo, má gestão do dinheiro de todos). Algo mais que justifique para os outros fazerem aquilo que eles pregam e não o que eles praticam.

Votação na CDU: sempre a subir!
Mas calma! O ciclo democrático é feito de eleições, em que o Povo possa participar (bem dito). E aí o caso muda de figura (ou não).
Para continuar este passatempo do “descubra as diferenças”, coloco uma questão: alguém se lembra da CDU, desde 1974, ter perdido alguma eleição (uma única que seja)? Nem mesmo quando, em várias Presidenciais, desistiu em favor de outras candidaturas? Nem mesmo quando, em várias Legislativas, não conseguiu capitalizar o descontentamento nos governos socialistas? Nem mesmo quando, a cada eleição, a sua percentagem de votos é sucessivamente menor (ver gráfico) ? Nem mesmo quando, nas Presidenciais de 2001, não atingiu mais do que 5% dos votos? Nem mesmo quando, nas Legislativas de 2009, passou a 5ª força política nacional? Nem mesmo quando, nas Autárquicas de 2009, perdeu 19 câmaras municipais? Nem mesmo quando, nas Legislativas de 2011, não impôs o discurso anti-troika (“interna” e “externa”), nem sequer aproveitou a redução da votação (para metade) do seu vizinho Bloco de Esquerda? Ninguém se lembra?! Nos tempos que atravessamos, precisamos de gente sem temores, imbatível. Não precisamos de procurar muito: está no nosso Parlamento!

Mas, para que a "inveja" não se apodere das outras hostes esquerdistas, o mesmo se aplica a elas. Um e o mais elucidativo exemplo disso foi a reacção do Coordenador da Mesa Nacional do BE (que, noutro partido, tem a original designação de “Secretário-Geral” ou “Presidente”) aos mandatos que o Povo lhe decidiu atribuir nas Legislativas’11. Recorde-se que o Bloco obteve 5,2% dos votos (em 2009, havia obtido 9,8%) e apenas elegeu 8 deputados (em 2009, haviam sido 16). Em qualquer partido (cuja votação se parta ao meio) que saiba assumir as suas responsabilidades, que o seu projecto político não foi aceite pelo Povo, que o seu discurso (a forma e o conteúdo) (já) não é bem escutado pelo eleitorado e que os seus ideais precisam de uma reforma que o escrutínio popular não pode operar, o “Presidente” ou “Secretário-Geral” demite-se e/ou, no mínimo, pede a convocação de um congresso extraordinário o mais depressa possível, para avaliar esses temas. No Bloco, onde tudo é diferente, a começar pelo nome que se dá ao Congresso (Convenção) e ao Secretário-Geral (Coordenador da Mesa Nacional), nada disto acontece.
Louçã “chutou”, e continua a “chutar”, a sua responsabilidade no resultado alcançado pelo partido para o “grande debate interno”, sem se notar qualquer reforma na orientação política, mudança na estrutura directiva (quase a mesma desde a fundação) ou ajuste no discurso, passados que estão seis meses do inquérito universal. E nem o facto de alguns militantes terem vindo criticar a postura do seu líder, demove Louçã da sua (perpétua) estratégia: manter-se no “poder”. São, nesse ponto, conhecidas as opiniões de Daniel Oliveira (um dos militantes que colhe mais simpatias nas outras Esquerdas e Direitas), a renúncia de Miguel Portas ao cargo de membro da Mesa (lá vem outra vez a “Mesa”) e as dissidências de Rui Tavares (embora este seja independente). Para aqueles que, como Louçã, defendem a “revolução permanente”, não mudar nada ao fim de 13 anos de vida partidária, ainda para mais depois de uma brutal queda eleitoral, parece-me muito boa prática. De facto, “não há nada mais prático do que uma boa teoria”!
Talvez a origem deste tipo de comportamentos e na essencial e aparente desagregação interna do Bloco esteja na contradição entre o(s) seu(s) fundamento(s) ideológico(s), a arrogância política e a prática pessoal dos militantes e simpatizantes do partido (desde a base ao topo). Talvez…

É óbvio que nada disto legitima qualquer medida que o “centrão” partidário decida aplicar. Os unanimismos nunca fizeram bem a sociedade alguma, e a Esquerda sabe-o melhor que muitos. Mas, para se ser oposição, é preciso ter o telhado em condições para que, quando se atirar pedras ao ar, elas não caiam na própria casa.
O que me irrita na Esquerda portuguesa é o modelo social que preconizam. Claro que, sem essa "diferença", não seriam Esquerda, mas “Direita”, misturada no rebanho do “neo-liberalismo”. Contudo, esses utópicos sabem que a sua “sociedade ideal” não é possível (burocracia, insustentabilidade financeira, paralisia económica e social,…). Sabem-no por experiência prática. As externalidades e efeitos secundários da sua “luta” estão visíveis na História (e no presente) e pagaram-se caro à Humanidade em guerra, fome, miséria, infelicidade.
Juntando-se a esta minha “irritação”, vem uma outra mais palpável, audível. O “verbo inflamado”, a raiva no discurso, o ressabiamento no way of speaking. Por ventura será por esta “pele de galinha” que a Esquerda está em crise. A irritação não é só minha, pelos vistos. Essa é a parte mais sensível da tal “podridão”. Nada melhor que o explique.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Grupos de pressão: Igreja


A troika da pressão: "unidos venceremos" (quem?) !


Numa altura em que os seres bem pensantes da nossa Praça esperneiam por “alargados consensos”, com razão, devem esses “seres” ter em conta que «neste momento existem três forças com Poder real, em Portugal, independentemente das forças políticas representadas no Parlamento: a Igreja Católica, o PCP e a Maçonaria. Estas “forças” são auto-exclusivas entre si, e cada uma tenta não se deixar infiltrar pelas outras» (bem-dito Brandão Ferreira). Isso explica em toda a medida a inoperância da nossa Democracia, no que concerne às reais e necessárias medidas a tomar.

A aliança PSD-CDS, mal ou bem, está a tentar mexer no que é necessário. E não está a conseguir. Melhor: não vai conseguir.
Neste colete-de-forças que impede a prossecução das políticas mais frutuosas para todos (incluindo para os seus detractores), os três grupos de pressão instalados bloqueiam e bloquearão a acção de quem tentar o Bem.
Contudo, contrariamente ao que seria de supor, e ao que se verificou até há poucos meses, as três casas de compadrio aproximam-se hoje mais que nunca para defender as suas lides. Só assim se explica como Carvalho da Silva venha clamar por maior justiça social, invocando a “Doutrina Social da Igreja” e a própria Igreja Católica se junte ao Bloco de Esquerda no repúdio do OGE’12 que, embora brutal, e criticável claro, é inevitável no geral, e todos o sabem, incluindo a própria Sé.
Todavia, não é fundamentalmente contra o OGE que a Igreja está, não contra a sua previsível relevância num ano de enorme pobreza e necessidade assistencialista óbvia. Mas antes contra o que aí vem.

Perante a dessacralização natural de Portugal, o Patriarcado vê-se a braços com a perda de influência política, de tal maneira que já nem o CDS-PP, partido cristão de origem, se aconselha na agenda política de D. José Policarpo. É por isso que os subsídios às misericórdias vão diminuir e que os feriados religiosos vão acabar, senão pelo menos fortemente diminuídos. Ninguém quer sacrifícios, muito menos a Igreja. O desespero é inevitável, e a crítica, uma consequência disso.
Perante isto, numa lógica de contra-ponto, força de bloqueio e intimidação, reparámos que distintos eclesiásticos da Sé portuguesa se juntaram a dinossauros da Esquerda lusitana numa “manifestação”, primeiro, contra a “insensibilidade social” de Passos e de Portas e, segundo, em oposição à perda de “qualidade” da “democracia” e dos “serviços públicos”.
A Igreja corre o risco de se descredibilizar. Primeiro, porque sabe, mais que ninguém, os riscos que corre o País se não inverter a trajectória que vinha seguindo. Segundo, porque ao baralhar-se com quem quase não tem semelhança ideológica está a desvirtuar o seu posicionamento político (que o tem). E terceiro, ao alterar posições oficiais, ou semi-oficiais, de ano a ano, ao sabor das conveniências, sobre temas vitais para o País (que disse a Igreja do legado de Sócrates?), está em vias de perder a confiança dos cidadãos, a atenção que estes lhe prestam e o carácter “sábio” que sempre caracterizou as suas intervenções.

Mas pronto, parece que o Patriarcado preferiu seguir aquela máxima de que “se não podes com eles, junta-te a eles”. A Sé não pode nem com as forças da Esquerda, nem de sobremaneira com a Maçonaria. Decidiu juntar-se a elas. Acho que não vai dar bom resultado. É um palpite!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Rua maçónica


 
Os manifestos e petições voltaram à carga. Depois da moda das “gerações à rasca”, sem se saber quantas são, se apenas jovens ou idosas, ou todas ao mesmo tempo, e a nova corrente dos “indignados”, não se sabe bem contra quê (tudo?), estão de volta os escritos cidadãos. Este exemplo de “democracia” mais não quer do que contrariar a democracia propriamente dita: a das urnas.
Tirando esse pequeno pormenor, aquilo que me interessa é apenas um dos movimentos: um corrido bem de fresco, dirigido à contestação das massas, sob epigrafe: “Um novo rumo”.
Sobre esse, encabeçado por Mário Soares, devo dizer que não alcanço o alcance que aquilo tenta alcançar (!). O manifesto é zero, ou muito próximo disso. E por várias razões: a credibilidade de quem o promove, os alicerces da posição e o momento da divulgação.

Quanto a credibilidades, não será preciso dizer muito.
Talvez apenas lembrar a inversão ideológica de que Soares foi vítima. O que seria esta «uma sociedade socialista, mas em liberdade», virou uma democracia dos interesses, dos “amigos”, dos partidos. E, para isso, muito contribuiu a veia soarista, o clã que construiu (a começar na sua casa) e a rede que instalou.
Talvez apenas lembrar o caso “Melancia”, o “Emaudio”, a sua Fundação e os dinheiros públicos que implic(ar)am, os negócios camarários com o filho João, as construções sem PDM’s nem licenças, as subvenções, subsídios e prendas recolhidas ao Estado (português e estrangeiros).
Talvez apenas lembrar as “viagens de Estado”, os 57 países visitados (Espanha – 24 vezes –, França - 21), a tartaruga das Seychelles e os mais de 992 mil km’s percorridos à boleia da diplomacia (22 voltas ao Mundo).
Quanto a isto, estamos conversados.

Quanto aos termos do que (não) propõem, também é fácil falar. Se virmos bem, «o manifesto de uma esquerda intelectualmente superior e socialmente caviar» (palavras não minhas) só tem banalidades. Só que ditas por pessoas “experientes” e “intelectualmente superiores”.
Hoje, ninguém, ou quase ninguém, se engana sobre a «escalada da anarquia financeira internacional», que a «sobrevivência da União Europeia» está hoje em causa (muito mais a da Zona Euro), a «austeridade [apenas soma} desemprego e recessão», que «há muita gente aflita entre nós» e muito mais que «é preciso encontrar um novo paradigma para a UE». Disso ninguém duvida, agora o que se adianta para substituir o «paradigma» «neo-liberal» instalado é que já é mais complicado.
No fundo, a frase que fica do subscrito é: «os signatários opõem-se a políticas de austeridade». Ponto final. Claro! A austeridade não apetece a ninguém: um gordo preferiria continuar comendo, um alcoólico bebendo, um drogado traficando e um serial killer matando. Mas não é possível. Se os Estados são grandes, “gordos”, “viciados” em impostos, se gastam muito, se produzem pouco, se se endividam à velocidade dum mustang e se “matam” a economia com despesa inútil, é porque “algo” não está bem. E é por isso que temos de mudar de «paradigma». Não para satisfazer barões europeístas.
Desta forma, é fácil dizer-se que o status quo não satisfaz. Pois é. Mas, para quem, desde 1974, vive à roda do Estado, se faz subsidiar bem, “conhece” muita gente e está a salvo de qualquer crítica ou investigação aos seus “negócios”, nada é de admirar. E já nem se fala na(s) (in)coerência(s) do dr. Mário. É escusado.
Soares sabe, mais que muitos, o quão ingovernável é esta situação. Se Portugal está pré-falido (como está e já esteve múltiplas vezes), a opção só pode ser: ou arca com as consequências da bancarrota, ou submete-se aos “caprichos” do FMI. Se isto, para quem é leigo, é óbvio, quanto mais para um sr. ex-primeiro-ministro que assinou um plano de ajuda com instâncias internacionais? Conclui-se que Soares nada aprendeu com o seu ministro das finanças de então: Ernâni Lopes. Um desperdício.

E, finalmente, para falarmos do timing da divulgação do manifesto. Ao que chegou o populismo desta gente. Na véspera duma greve geral, criticada até por críticos do governo, pela inoportunidade, o nulo contributo para a solução dos problemas colectivos, vir-se exaltar as massas é um «convite» claro e explícito à «sublevação» e à «anarquia» (palavras não minhas, outra vez). Ainda para mais, fazendo-se alusão à “rua árabe” sem norte, governo nem paz, é um perfeito disparate, como qualquer ajuizado pensará. Não é preciso dizer-se muito: Portugal é uma democracia de base cristã.

De facto, é difícil separar a desonestidade dos efeitos da idade. Se Soares já não está capaz de pensar por si, se está mal informado, ou esquecido, isso é com ele, ou com quem dele trata. Seja o que for, dispense o País destes inventos. Deixe «as nossas ruas e praças» como estão. Vá tratar da sua "rua". Maçónica!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

«De Espanha,...»

Sem nos apercebermos, estamos a “comemorar” mais um feriado.
Sem nos apercebermos, estamos a “festejar” uma pausa anti-espanhola, anti-ibérica, pro-independentista.
Sem nos apercebermos, ninguém liga a estas graças. Ninguém sabe sobre elas, quando foram, para que servem.
Sem nos apercebermos, o “gozo” que nos dá ser anti-espanhóis é o mesmo que nos dá a Imaculada Conceição, que não tarda a chegar.

Férias são férias. Feriados, nem se fala…

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Greve ao esforço

Em nome do Povo, do Pão e da Pátria!
É fascinante verificar o agrado descontrolado dos “trabalhadores” (dos seus “verdadeiros” representantes) pela paralisação económica e social que estes dias provocam. É tão bonito reparar nos “jornais que ficam por vender nas bancas”, nas filas imensas das paragens de autocarro e comboio, nas escolas sem professores, nos correios por abrir, no trânsito matinal suplementar…
Se juntarmos a isto as belíssimas “pontes” que se podem construir com estes eventos, ainda para mais seguidas de outros “viadutos” nas semanas que se seguem, chegamos sem hesitação ao “dia histórico” que o de hoje representa, à “vitória“ da plebe “oprimida”, na “luta” da classe operária, contra o “grande”, médio, pequeno, nenhum “capital”. Em geral, contra os que querem trabalhar, os ricos, os pobres, os assim-assim – os que se entregam ao “privado”.
O “direito à greve”, Fundamentalmente consagrado no “Estado dos direitos”, tornou-se um luxo. Razão pela qual apenas a função pública, à sombra do trabalho “precário“ e dos salários em atraso, tem folga para se prestar a estes happenings.
Tudo, sem grande esforço…

domingo, 20 de novembro de 2011

Um regalo

Assunção Esteves: não há muitos assim
Assunção Esteves disse, em entrevista, ter recusado várias vezes aderir à Maçonaria.
Primeiro, de dizer que muito aprecio quem contraria, ou pelo menos não reforça, o peso dessa sociedade secreta na vida portuguesa.
Segundo, de abrir a boca de espanto como uma pessoa, ainda que capaz, chega a Presidente da Assembleia da República, não só não sendo da Maçonaria, como pior que isso recusando-a diversas vezes.
Um regalo!

Uma lição

Desgraçado! João Duque, pessoa amável, respeitável e cheia de méritos, com um grande trabalho à frente do ISEG (dos melhores directores que o Instituto já teve), foi-se meter numa alhada com o “grupo de trabalho para definir o conceito de serviço público”.
A responsabilidade do relatório final não é apenas sua, faltando lembrar àqueles que tão brutalmente o atacaram, inclusive com insultos à sua idoneidade, que o grupo de trabalho era constituído por mais gente, gente alguma muito mais experiente e responsabilizável.
Contudo, pese embora a maioria das boas ideias que no relatório foram inscritas (como a óbvia necessidade de desonerar os contribuintes da factura da Rádio e Televisão de Portugal), a sua forma é desastrosa. E espanta-me a falta de rigor e de grau científico do mesmo, proliferando os juízos de valor, as opiniões, os “gosto disto” e os “detesto aquilo”. Há inclusive erros gramaticais, o que se apresenta imperdoável para gente de tanta capacidade. É por isso humilhante todo este episódio. Em consequência, esse “grupo de trabalho” está a ser criticado por todo o lado, quase na exclusividade à pessoa que o dirigiu, juntando a própria entidade que o encarregou – o Governo. Uma vergonha.
Agora, João Duque aprendeu que com Miguel Relvas não se mete. Uma lição que não vai esquecer tão cedo.

O céu, o inferno e a Europa em qual deles?

Família unida, jamais será vencida!
Há uma “adivinha” que pergunta o seguinte: Qual a diferença entre o céu e o inferno? A mesma responde deste jeito: No céu, os cozinheiros são franceses, os policiais ingleses, os mecânicos alemães, os amantes italianos e os banqueiros suíços. Já no inferno,, os policiais são germânicos, os mecânicos franceses, os cozinheiros britânicos, os banqueiros italianos e os amantes suíços!
Na Europa passa-se coisa semelhante. Tomando o assunto como sério, e ponde de parte a hipótese dos conselhos europeus serem sessões de “adivinhas”, traçamos facilmente a analogia. Mas já lá vamos.
Desde há meses, a Europa rendeu-se aos beneméritos do seu Sul. Primeiro que tudo, José Manuel – o Durão Barroso – largou tudo em Portugal (inclusive o seu governo), saiu de casa, fez as malas e exilou-se na Comissão de guarda aos países mais abastados do Conselho. E o “sucesso” do seu primeiro mandato foi tanto que se impingiu para um segundo, tendo sido aceite com louvor. A seguir, Vítor Constâncio foi “convidado” a emigrar para ocupar a vice do BCE na sua área de eleição: a supervisão. Depois, face ao impedimento de prosseguir no cargo por limite de mandato, Jean-Claude Trichet deixou vaga a cadeira máxima da Euribor, cadeira essa que Constâncio não se importaria de ocupar, pese embora já muito bem instalado. Logo, criou-se a sugestão de desafiar Mario Draghi para a preencher. E ela foi em diante. Enquanto o tempo ia e vinha, os mandantes da Europa unida avisaram os atrapalhados povos do Sul que os défices eram mesmo para diminuir, os juros dos mercados para baixar e os resgates para pagar. Perante a convulsão política que se gerou nalguns desses países (Itália e Grécia), foi decidido (sabe-se lá por quem) deixar cair os seus governantes (Berlusconi e Papandreou), substituindo-os por gente bem colocada no mundo do (prestigiado) Goldman Sachs e da Comissão (os seus nomes são hoje badalados: Mario Monti e Papademos).
E é por isso que, voltando à analogia, a Europa, que parecia seguir para o céu, enganou-se no caminho e entrou no inferno. Dessa forma, hoje temos uma alemã polícia dos desbaratados PIGS (Portugal, Italy, Greece, Spain), Sarkozy tenta ser mecânico das avarias cerebrais de Merkel (e que mecânico!), Cameron vai cozinhando o jantar que lhe apetece (as coisas do Euro não lhe suscitam interesse), os banqueiros são transalpinos (no plural), como se vê, fazendo-se auxiliar por especialistas gregos, e os suíços ficam a amar o seu franco e principalmente a adorar nunca se terem metido nestas confusões!

sábado, 19 de novembro de 2011

Serviço quê?



João Duque, economista, elaborou, em conjunto com mais uns quantos pensadores, a pedido de Miguel Relvas, um relatório sobre o “serviço público” de informação, para definir o conceito de “serviço público”. Ou antes, como reduzir o “serviço público” de comunicação.
É que a questão é essa mesma: o relatório fala de tudo, menos do seu móbil – o que é esse tal “serviço”?
É mesmo como diz hoje (19 de Novembro) Vasco Pulido Valente no jornal Público: «O problema do serviço público de televisão esteve sempre em definir o conceito de “serviço público”»!