escarafunchando no baú...

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Senhor, (não) "explique"!

VG: ele fala, fala, fala, mas não diz nada (que nos agrade!)

Nuno Crato: dos melhores

Paulo Macedo: este decide(-se)

Santos Pereira: não queria estar no teu lugar, mas também não queria falar tanto como tu!
Em Portugal, quando alguém não atinge o que quer ou é mal visto por aquilo que faz ou tenta fazer, seja na política ou noutra “ciência” qualquer, o problema é da comunicação. “A mensagem não passa”. Talvez o mal do nosso défice e desemprego esteja mesmo nas palavras e não nos actos!
Lembrei-me disto ao ouvir comentários, principalmente vindos de militantes do PSD, há coisa de 2/3 semanas, à actuação do governo de Passos nos três meses que já leva nos nossos destinos. Diga-se que já tinha ouvido esta “versão” noutras bandas e alturas, mas só agora me suscitou a opinião.
Não vou insistir que as medidas de ajustamento das nossas finanças, contidas no memorando, são duras. Não insisto nisso, já todos sabem. Mas, como o dito é mesmo para aplicar, a sua dureza não varia consoante o partido que o executar.
Como parênteses, acrescento: a questão do “ir além da troika” ou “ir aquém da troika” é, convenhamos, ridícula de se pôr nestes termos. Que se saiba, “troika” não é nenhuma marca de termómetros para se medir o nível de “troikismo” em que estamos a ser governados, seja “além”, “aquém” ou exactamente no ponto em que o documento foi assinado (seja qual for a interpretação que se faça dele!). E “memorando” também não é nenhum muro de Berlim, muralha da China ou outro obstáculo “colossal” que não possa ser atingido, passado ou contrariado. A atitude crítica face ao acordo de assistência financeira outorgado não deve desaparecer, mas também não o deve a responsabilidade, sob pena dessa assistência ser interrompida ou terminada. O que “tem de ser” tem muita força: aquilo que é necessário não pode ser desprezado ou esquecido, pelo que, qualquer que seja o nosso governo, as medidas imprescindíveis para assegurar um futuro próspero para todos têm de ser postas em acção. O resto é conversa!
Fechada esta nota, continuemos então.
Apesar de, mormente, estar a aplicar o tal acordo, a acção deste governo tem sido criticada. Imagine-se, as críticas mais contundentes vêm dos partidos que suportam a coligação de centro-direita. São, por isso, as que mais “doem”. Contudo, muitas delas (elas, as críticas) não passam mais do que vinganças antigas e rancores mal disfarçados, cuja fundamentação (ainda que existente em parte) não tem origem na razão mas na emoção, como no caso do “ajuste de contas” Ferreira Leite-Passos Coelho e Pires de Lima-Portas. A razão sobrante para que a oposição mais forte venha de dentro e não de fora dos partidos apoiantes da “aliança” prende-se com o desnorte dos partidos da extrema-esquerda (em prática devido aos fracos resultados eleitorais que obtiveram – PC e BE) e da pouca legitimidade que a outra “esquerda” tem para criticar qualquer medida deste governo (pelas responsabilidades que lhe são devidas sobre a situação em que o País se meteu – PS).
Prosseguindo. Não venho fazer de advogado deste governo, embora o suporte com o voto que depositei em urna no dia 5 de Junho. Sou crítico da sua acção, como se pode ver por outros textos aqui publicados, e nem sequer me apreciam as personagens que hoje nos destinam (concretizando, o PR e o PM). Mas devo confessar a minha admiração pela coragem, embora desajeitada, deste executivo. É histórico o esforço dos seus ministros para reparar os disparates orquestrados pelos anteriores ministros e primeiros-ministros. Refiro-me principalmente aos “independentes” que, no desígnio da “salvação nacional”, largaram as suas vidas profissionais bem remuneradas e reconhecidas para irem governar sob críticas vindas de tudo o que é canto, vencimentos bem abaixo do que estão “habituados” e situações dificílimas de gerir na nossa Administração Pública.
Contudo, acho de pouco nexo, por exemplo, Rui Machete vir dizer que o problema das políticas do governo de Passos seja a “comunicação”/“explicação dada às pessoas”. Se há muito que este executivo faz é falar: fala demais, promete muito e faz pouco do que pensa para Portugal, talvez pelas forças de bloqueio que encontra, talvez porque não se deve nem pode fazer tudo de uma vez, talvez porque ainda esteja no início da sua legislatura, talvez pela inoportunidade política de lançar algumas medidas mais “sensíveis”. Talvez por tudo isso. Mas o que é certo é que o governo fala muito.
Um dos belos rostos dessa “diarreia” verbal é Vítor Gaspar (VG). Um senhor de inquestionável respeitabilidade e de demonstrada competência, segundo dizem (o que parece estar-se a confirmar). Um senhor que, cada vez que intervém, anuncia algum aumento (de impostos). Um senhor que, cada vez que convoca os jornalistas para conferencias de imprensa, explica-se, com o seu tom vagaroso e o seu timbre professoral, durante horas e horas, até os próprios repórteres, habituados a “sessões semelhantes”, se cansarem. Mas é um facto: VG tenta “passar a mensagem”, fundamentando as medidas que toma (embora, algumas vezes, não entendamos, no sentido valorativo, as políticas que decide).
Se calhar, calhando mesmo, a questão não está na comunicação, mas sim na natureza das decisões do governo. Não será tanto um problema de forma, que poderá, num ou noutro caso, existir, mas sim outro de conteúdo. É que, quando elas (as políticas) “batem”, batem mesmo, por muito bonito que seja o powerpoint apresentado pelo ministro das finanças, ou muito eloquente que seja o sua declaração ao País. É, por isso, quase impossível, perante a pobreza com que Portugal se confronta, desemprego que tem de resolver, falta de crescimento que tem de inverter e défice que tem de diminuir, evitar a contestação social a: cortes (em 50%!) no subsídio de natal, aumentos de 17 ppt no gás e electricidade e incrementos de 20% nas tarifas de transporte, entre outras.
Por isso, o recado é: se aquilo que nos é exigido pelos credores internacionais (e não estou a falar dos “mercados”) contribuirá para que, se e quando sairmos deste marasmo, a Pátria seja mais pujante no crescimento, mais rica na qualidade de vida do seu Povo e mais sólida nas suas finanças públicas, então não há volta a dar – tem de ser, menos paleio e mais acção! Como diz Alexandre Soares dos Santos, “o País tem de arregaçar as mangas, trabalhar e levantar-se” – e concordo com ele. Não quererá isto dizer que as decisões não precisem de ser justificadas a quem mais está interessado, quererá antes que o governo não deverá nem poderá hesitar se julgar imprescindível uma determinada reforma para um “depois” mais promissor para o seu Povo.
Vamos a isso: “explique” menos, aja mais!

domingo, 18 de setembro de 2011

Estou Seguro que não vales nada!




 
 

O ciclo de sempre: ganha, disparata, perde, exila-se

 

O País carrega a cruz que merece...

O esfrangalhadíssimo (pelo resultados eleitorais de Junho), desnorteadíssimo (pelas suas responsabilidades na crise que Portugal atravessa e pela inversão ideológica que significou o consulado de Sócrates) e desavergonhadíssimo (pela ignorância dessas responsabilidade) Partido Socialista escolheu o seu novo líder: António José Seguro. Um senhor de bom coração, mas de pouca razão.
Diz a Wikipédia que António José Martins Seguro nasceu em Penamacor há 49 anos e é um “assistente universitário e político português”. Acrescenta: “estudou Organização e Gestão de Empresas, no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, mas acabou por se licenciar em Relações Internacionais, na Universidade Autónoma de Lisboa Luís de Camões”. ”Foi ainda director do jornal A Verdade de Penamacor, e chegou a secretário-geral da Juventude Socialista.
Interpretando a sua história de vida (a parte que nos interessa), chegamos à conclusão que o perfil de Seguro se enquadra bem com o daqueles que compõem a nova geração política nacional. Talvez seja isso que mais se revela: a sua plena adaptação ao meio político que se criou ultimamente, com o governo das J’s e a construção de uma vida partidária activa e cheia de “méritos”!
Contudo, dele (ele, António José Seguro – AJS), os portugueses não conhecem percurso académico rico em aproveitamento e credenciais, apenas que se formou e lecciona na “Universidade Autónoma de Lisboa Luís de Camões”, o que não se afigura muito prestigiante, convenhamos. Dele, os cidadãos, e seus potenciais votantes, não notam percurso profissional fora da política que se recomende. A ele, o Povo não associa grandes causas sociais. Dele, os eleitores não se lembram de trabalho parlamentar (em Lisboa e em Bruxelas) apresentável, à excepção da “Reforma do Parlamento”. Dele, os socialistas e não-socialistas não têm memória de crítica construtiva às políticas de Sócrates, em tempo oportuno, e reparo audível à herança por este deixada, nos dias de hoje, cujos danos estamos e continuaremos todos a pagar. Dele, todos os que se interessam pela política (quase) não se lembram que fora ministro: “Ministro-Adjunto do Primeiro-Ministro” – essa invenção usada para reforçar o peso partidário (e ex-juvenil-partidário) nos nossos decisores. Da sua eleição (para secretário-geral socialista), saberá o menos crítico dos cidadãos que fora conseguida sem grande surpresa; graças à mais meticulosa gestão de silêncios durante esta década; fruto do seu “trabalho” nos “bastidores do partido”; pós-cedida dum resultado em urnas devastador, duma ala socratista socialista (aparentemente, sua oponente interna – representada por Francisco Assis) enfraquecida na legitimidade de criticar o centro-direita e malvista pelo eleitorado que a massacrou; em consequência da recusa (provisória) de António Costa (mais forte candidato ao cargo) em “chatear-se” à frente do aparelho, nestes dias de oposição, preferindo o sr. o cómodo lugar de Presidente da Câmara de Lisboa e comentador na Quadratura do Circulo, para previsivelmente “roubar” o cadeirão a AJS mais tarde, deixando queimar em lume brando a imagem do seu “líder” até lá, candidatando-se depois às Legislativas de 2015. Dele, destaca-se pouco mais que uma vida política com mais de 30 anos, cheia de coisa nenhuma. Digam-me lá que não foi e é brilhante e inspirador o percurso académico e “profissional” de Tó Zé – o carinhoso?
E assim foi eleito. Durante o XVIII Congresso Nacional do PS, AJS expôs-se. Expôs principalmente o seu discurso vazio em ideias novas que ajudem a Pátria a sair donde a meteram e cheio em “propostas” consensuais, banais, triviais, como: a defesa do crescimento económico, do combate à corrupção, da diminuição das desigualdades sociais e da “igualdade na distribuição dos sacrifícios”, da criação de uma agência de rating europeia, da introdução imediata das eurobonds e do reforço da integração política da União Económica e Monetária. Enfim, um manancial de “pensamentos construtivos” que podiam ter origem na mente do mais comum dos mortais. Basta sondar na rua, no café, no estádio de futebol… para perceber isso! Expôs ainda a sua estratégia global de “afectos”, virada para a “intimidade” com os media, fundada no show off e assente no reforço do partidarismo no Estado (impressão minha), algo que não o distancia em nada do rumo de José Sócrates. Não creio, e não sou só eu que “creio”, que seja isso que Portugal mais precisa. Já o teve no passado e o resultado não foi bonito. Mas, “isso” veremos mais tarde…
O PS está então num beco: promoveu e assinou o acordo com a troika, cheio em medidas duríssimas para aplicar e sacrifícios por distribuir; carrega o fardo das governações socialistas e das responsabilidades que lhe são inerentes (em 16 anos, o PS executou em 12), das quais se destacam as de Sócrates – o auto-exilado, completas de medidas negligentes, irresponsáveis, criminosas (como se lhe queira chamar); e tem o seu espaço de afirmação política reduzida ao tamanho da Betesga: à sua esquerda tem a via do protesto anti-troika, a “rua”, as políticas anti-capitalistas e anti-“neoliberais” que são absolutamente incongruentes com aquilo que ele (PS) praticou, e à direita tem a aplicação do acordo cujo primeiro outorgante é ele mesmo. Por isso, não tem nexo nem autoridade a arrogância da crítica ao governo PSD-CDS. A sorte do PS e de Seguro é que a memória de “cada uma das portuguesas e de cada um dos portugueses” é curta, muito curta, para se lembrarem do mal que a “rosa” lhes tem feito!
É com isto que temos de conviver. Com políticos sem chama nem passado, sem obra nem trabalho (nas suas várias acepções), sem luz nem competência. Com políticos que se orgulham de terem fumado charros em tempos (sim, em entrevista ao Expresso, há coisa de 3 ou 4 meses, AJS admitiu-o), apresentando-o sem receio, como forma de ganhar simpatias. Com políticos que nem no partido que “lideram” conseguem ganhar carisma e construir unidade (ao contrário do que apregoam). Seguro, vais-me desculpar a franqueza/brutalidade, mas acho-te, como político, muito fraquinho – mas, descansa, não é só de ti que acho isso!
Num momento único do Nosso Estado (porque o Estado é Nosso – de quem o sustenta), precisávamos de gente decisora capaz, audaz, sagaz, eficaz. Mas não é o que temos. Não me revejo nestas pessoas, mas vou fazer o quê? Esperar, mas nunca calar…

sábado, 17 de setembro de 2011

Novo anúncio do BES




As crises tiram-nos muito dinheiro mas dão-nos simultaneamente oportunidade para fazermos melhores escolhas.
Por isso, escolha quem melhor o ajuda a poupar. Dessa forma, opte pelo gestor de conta Alberto João Jardim.
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Não perca esta oportunidade. Vá já a um balcão do BES!
Promoção válida apenas nos balcões da Madeira até 9 de Outubro de 2011

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Os amigos de Sócrates


Depois de nos ter (des)governado durante seis anos, José Pinto de Sousa, o “engenheiro” da nossa bela crise, goza e aprende em Paris um pouco do que lhe faltou antes de dobrar a dívida, o défice público e o desemprego nesse período: Filosofia. Que tenha sucesso e saúde, é o que todos desejamos; porque não devemos fazer, ou desejar, aos outros aquilo que não gostamos que nos façam, ou desejem, embora tenha sido isso que José nos fez (passo o “trava-línguas”…).

Mas, quanto ao futuro pessoal e profissional de Pinto de Sousa, ninguém tem nada a ver com isso, mesmo que o senhor tenha sido nosso primeiro-ministro durante mais de meia década e tenha hipotecado a vida deste País por mais de meio século. Faça bom proveito. Descanse que Paris é uma cidade lindíssima. Vai gostar dela, com certeza! Ah..., e já agora, tenha boas notas!

Muammar, serás bem tratado!
Lembrei-me da figura do senhor (faz bem, de vez em quando, recordar quem nos foi tão próximo e amigo…) ao ler, ver e ouvir os desenvolvimentos na Líbia. À partida, um tema não tem nada a ver com o outro, não parece “bater a bota com a perdigota”. Mas bate.
 

Kadhafi (Khadafi, Kadafi ou Gaddafi, ainda não percebi como se escreve) e o seu regime está nos limites, vai acabar graças à heróica acção do seu Povo que não o ama(va), ao contrário do que diz(ia). É o fim da linha para um ditador louco, facínora, pedófilo, terrorista e megalómano. Apesar dos crimes que cometera, o coronel recebeu sempre, na cena mundial, a maior diplomacia e acolhimento possíveis (ainda para mais em Portugal, onde pôde montar a sua tenda em S. Julião da Barra com o maior conforto e sossego!), apenas por estar sentado em cima de barris de petróleo. É uma lição para o Mundo – a liberdade popular de escolher o seu destino, a normalidade de tratar os homens como tal e a justiça de condenar os criminosos prevaleceram sobre a prepotência, o medo e o dinheiro. Mais um contributo para um futuro pacífico na Terra.
A figura que nunca devemos esquecer
Contudo, apesar da tomada de Tripoli e o comando da Líbia pelos rebeldes estar iminente, Muammar Kadhafi ainda não foi encontrado, e temo que não o seja. Especulou-se e especula-se para onde se exilaria/á o “jovem” coronel, e foi aí que me lembrei do “eng.” Sócrates. Alguns dos chefes de Estado que hipoteticamente, ou verosimilmente, se ofereceram para receber Kadhafi, e a sua extensa família, pertenciam (não sei se ainda pertencem) ao "círculo de amigos" do nosso ex-primeiro. A saber: Venezuela (do muchacho Hugo) e Angola (do cavalheiro e cleptocrata José Eduardo). Num dia destes, quando a conju(ntu)ra internacional “acalmar”, veremos os quatro "mosqueteiros" (o português, o angolano, o venezuelano e o líbio) juntos, à mesma mesa, em “amena cavaqueira”, num refastelado fondue de amigos, na “Cidade Luz”.

Sócrates (português) e Kadhafi: amigos de longa semelhança

Devia haver um ditado que diria: “se queres saber quem és, olha para os teus amigos”. É impressionante a quantidade de gente “íntegra” que rodeava Sócrates (agora, na Sorbonne, não sei se a coisa se mantém). Desde Jorge Coelho, Armando Vara, Mário Lino, Paulo Campos, Manuel Pinho, Jaime Silva, Maria de Lurdes Rodrigues, Valter Lemos, Silva Pereira, Santos Silva aos internacionais Ben Ali, Kadhafi, J. E. dos Santos, Chávez, Teodoro Obiang (Guiné Equatorial), é diversificado o lote de “companheiros” a quem Sócrates pedia ajuda quando se afligia. Isto mostra bem do "senhor" que esteve em S. Bento naquela temporada.

Tratamento socratista à dívida pública

Por isso, não se admirem de chamar engenheiro a quem não o é, atribuir projectos de casas na Beira a quem não os fez, de se conceder o fornecimento de 1,5 milhões de computadores para crianças deste Portugal, em ajuste directo à JP Sá Couto, e de se ter vendido “os Magalhães” a Chávez numa cimeira Ibero-Americana (2008), de se ter montado um esquema para controlar grupos de media “irreverentes” e afastar jornalistas incómodos, de [José Sócrates] ser uma das figuras públicas portuguesas com mais processos judiciais interpostos (e perdidos) contra jornalistas por “difamação e ofensa à honra”, etc., etc. Como se um homem destes tivesse honra (na palavra, nos actos e na carteira) para dar e/ou vender…

Perante tudo isto, prometer antes de eleições criar 150 mil empregos e não aumentar impostos (nos inícios desta travessia – 2005), fazendo o exacto inverso depois de eleições, passar a dívida pública em seis anos de 60% do PIB para 90%, levar o desemprego acima dos dois dígitos, deixar PPP’s e PPP’s por pagar, sem se saber ao certo os encargos a suportar pelas gerações próximas, mascarar (em metade!) o défice público e aumentar os vencimentos dos funcionários estatais nas vésperas de eleições (2009), maquilhar a necessidade de liquidez do Estado, da Banca e da Economia e adiar ao máximo (de Outubro de 2010 a Março de 2011) a ajuda financeira externa (no oposto do recomendado), jurando "a pés juntos", até à hora antecedente ao seu requerimento, que Portugal "nunca" necessitaria desse auxilio, é brincadeira. Compreende-se, está nas vísceras deste engenheiro…

sábado, 20 de agosto de 2011

Leão, porque não ruges?


Acorda Sporting!

O Futebol é diferente: é especial, é esquisito. O Futebol é essencialmente estranho pela irracionalidade dos seus amantes: o que nos move a vibrar por onze tipos de cada lado a chutar uma bola, tentando metê-la num galinheiro de 7m x 3m? A resposta não cabe no lógico; é sim porque sim!
Nesta Europa, o soccer é uma religião: cada um escolhe uma seita, torce por ela e reza para que as outras fracassem. A escolha por um clube não tem grande ciência: ou se trata da influência da família, ou apenas porque a cor do seu equipamento nos atrai mais, ou simplesmente porque fomos desafiados a ser de A e não de B. No meu caso, coube-me o Sporting (SCP). Porquê? Sei lá! Sou um adepto crítico, não de todo irracional, opinativo como todos e apoiante q.b..
Dizem que os adeptos “leoninos” são sofredores. Estóicos, até! E têm razão. Se formos a ver o número de campeonatos ganhos pelo SCP nos últimos anos, comparando com o número de sócios que têm o clube, concluímos que há 90 mil almas que esperam há 10 anos pelo regresso de D. Sebastião, repetindo sistematicamente a cada Julho: “este ano é que é”! Pior que isso, o clube, fundado por gente snob e de posses, está cada vez mais pobre, sem estratégia, competência e resultados (desportivos e financeiros) apresentáveis.
O clube foi alvo, no último Março, de um processo de renovação: entrou uma nova administração (pouco legitimada, ou nada legitimada aliás, nas urnas), contratado um novo treinador, um novo plantel de futebol e introduzido um novo organigrama e uma refrescada equipa dirigente. Veremos se chega. Há sinais iniciais positivos, mas outros extremamente preocupantes.
Nesta década, a política desportiva do SCP tem ziguezagueado: ora para a formação, ora para jogadores do leste, ora para futebolistas dos principais campeonatos, ora para a pesca na América do Sul… Se analisarmos os nomes dos jogadores que o Sporting tem tido, surge-nos uma conclusão imediata: quando o clube apostou na formação e em jogadores do nosso campeonato, deu-se bem; quando desbaratou em “estrelas” de outras bandas, deu-se mal, muito mal mesmo, com honrosas excepções.
Jogadores como: Purovic, Marian Had, Celsinho, Gladstone, Pedro Silva, Tiuí, Carlos Bueno, Alecsandro, Romagnoli, Mota, Pongolle, Angulo, Caicedo, Grimi, Paredes, Farnerud, Koke, Wender, Edson, Hildebrand e Talles de Sousa, em contraponto com: Carriço, Adrien, Rui Patrício, Veloso, Pereirinha, Nani, Silvestre Varela, João Moutinho, Danny, Pedro Mendes, João Pereira, Tonel e Postiga, ajudam a explicar a conclusão extraída.
Salta por isso uma questão: para quê gastar rios” de dinheiro em estrangeiros caros e de pouco valor, se o SCP tem uma das melhores, mais conceituadas e produtivas academias de formação do mundo? O que move os dirigentes a apostarem em tipos como Koke (um espanhol de 3ª divisão), Mota (um brasileiro vindo das Ásias que falhava golos feitos), Bueno (um uruguaio cuja alcunha era “el loco”), Farnerud (um sueco do Estrasburgo com nome de xarope para a tosse) ou Pongolle (um francês que custou os “olhos da cara”), se há no próprio clube jovens ambiciosos, sportinguistas, portugueses e de potencial? Não percebo. Serão jogos de empresários? Os treinadores ganham comissões pelas transferências destes “artistas”? É a necessidade de “refrescar” os plantéis, de trazer novas culturas ao grupo de jogadores? Não há resposta. Talvez seja mesmo como escolher um clube: sim porque sim!
Ainda agora, a melhor resposta a esta fúria “estrangeirizadora” está a ser dada pelos jovens nacionais. No mundial de sub-20 na Colômbia, Portugal chegou à final, onde a disputará (hoje) com o Brasil. Muitos dos convocados presentes nesse mundial são ou foram formados em Alcochete. Muitos andam perdidos aí, a “rodar” na Bélgica e nas Académicas desta vida. Muitos, senão todos, não jogarão um minuto sequer em Alvalade, porque “não têm qualidade”, porque são portugueses, porque “há melhor”… Não se entende. Os dirigentes não abrem os olhos, não são coerentes, não querem o melhor para os clubes, de certo!
Ao contrário de outros anos, neste, ao que é dado a perceber, Luís Duque-Carlos Freitas construíram uma boa estrutura. Foram buscar um treinador nacional, jovem, com currículo no campeonato e nas provas europeias, mas sem experiência de treinar clubes com grande massa adepta e pressão constante. Quanto aos jogadores, é caso para exclamar: “finalmente um plantel de jeito”! Ao todo, entrarão 14 atletas, gastando outros tantos milhões para os ir buscar. Julgo terem sido bons negócios, salvo um ou outro caso, mas no geral foram bem trazidos. Apostaram em mercados pouco explorados mas que dão garantias (Holanda e Espanha) e transferiram jovens sul-americanos com margem de progressão. Gostava de ver mais portugueses e jovens das camadas jovens, porque sem oportunidades esses nunca jogarão no SCP. É de salientar que jogadores como: Jeffrén, Capel, Rodríguez, Schaars, Rinaudo e Wolfswinkel tenham vindo representar o nosso clube, mas igualmente de espantar que: Yannick Djaló, Evaldo e Marcelo Boeck tenham lugar no grupo. Penso que: Vítor Golas, Adrién, Wilson Eduardo, Diogo Salomão, Nuno Reis e Cédric mereciam chance na equipa e que: André Carrillo e Arias não eram precisos, mas as suas aptidões podem fazer deles bons atletas, cujo futuro retorno poderá justificar as suas apostas.
Vamos ver como corre. O início não foi brilhante, longe disso: depois de terem ganho num particular à Juventus, todos “embandeiraram em arco”, paralisando o seu progresso, o seu treino, a sua melhora; de seguida, levaram um “banho de humildade” na apresentação frente ao Valência, tendo-se seguido um torneio amigável em Espanha onde as exibições também não foram fantásticas; nos primeiros jogos a sério, os resultados continuaram a não surgir, e assim vamos.
Colocam-se os fantasmas de outras épocas, que aparecem quando nada começa a correr bem. Junta-se a esses “espíritos”, um outro, igualmente estranho, que se abriga no conservadorismo de Domingos Paciência (DP – o treinador). Domingos fez um trabalho notável na Académica primeiro, no Sp. Braga depois. Mas treinar estes clubes, por muito prestígio que possam ter ganho ultimamente (como no caso do segundo), não é o mesmo que orientar um SCP com a obrigação de se assumir a possível campeão, que tem de jogar futebol que se veja e cujo jogo seja de ataque e não de “retranca”.
Posto isto, é incompreensível como, a jogar contra a Olhanense em casa na 1ª jornada, com o estádio quase cheio, o treinador tenha montado um meio-campo com três médios de combate, defensivos até (Rinaudo, Schaars e André Santos), cujas qualidades são intactas e reconhecidas, mas nunca se evidenciarão a jogarem juntos. É-me igualmente inatingível como, perante tão fraca equipa vinda do Algarve, que defendeu o jogo todo, Paciência coloque apenas um ponta-lança em campo (Hélder Postiga), tendo um outro em grande forma (Diego Rubio) e outro goleador de créditos firmados (Wolfswinkel) no banco. É pois um desperdício ter jogadores de qualidade sem minutos de competição. Não bastando isto, DP parece apreciar muito as qualidades de Djaló, cuja reputação entre nós (adeptos) é de CCC–. Não contente com o resultado “alcançado” frente aos de Olhão (apesar do bom jogo apresentado), o Sporting foi a meio da semana à Dinamarca defrontar o Nordsjaelland, a contar para a Liga Europa, uns quase-amadores da 4ª divisão da Europa do futebol (com nome de aspirador!). O jogo acabou como começou e DP lançou os mesmos onze. Deu-se mal, como se tinha dado no primeiro jogo. Foi mau demais. Domingos não arrisca nada e, pior que isso, não parece aprender com os erros. Estamos mal, começámos mal e, pior cenário, a onda de apoio e de esperança em torno da equipa parece estar a abrandar.
Domingos é de ciclos: quando as coisas começam a correr bem, a coisa endireita-se e segue para o sucesso; quando iniciam mal, é difícil dar a volta. Temo que seja este último a vingar. Se assim for, DP tem o Natal “em risco. Para mal do Sporting, mais uma vez. Nunca houve tão grande oportunidade para a equipa ser bem sucedida: tem um grande conjunto de jogadores, adeptos que a apoiam, uma estrutura dirigente que a serve, infra-estruturas de topo à sua disposição e, tão ou mais importante, rivais enfraquecidos (pela saída de meia equipa e treinador, num caso – FC Porto – e pelo desgaste do treinador e impaciência dos seus adeptos, noutro – SL Benfica). Se as coisas correrem mal, como se está a indiciar, a culpa é exclusiva de Paciência.
Resta-nos então aguardar pelos resultados. É urgente fazer “boa figura”: pelos adeptos, pela competição com os rivais, pelas finanças do clube. Há condições para fazer bem, é também esperar que a “estrelinha” apareça. Venha ela!

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Aumentos a todo o gás


NASA e Passos Coelho: especialistas em subidas

O governo eleito em Junho último não se cansa de “aumentar”. É o governo “dos aumentos”. Depois do brutal sobre os títulos de transporte público, aparece outro de semelhante magnitude no gás e na electricidade. Só há algo que o executivo não consegue aumentar de maneira nenhuma: a auto-estima colectiva deste Povo. Contudo, ao contrário do que seria suposto, esta nova medida tem mais de positivo do que de negativo.
Indo à noticia: Vítor Gaspar anunciou [dia 12/8] o aumento da taxa de IVA sobre o gás natural e a electricidade, da taxa reduzida para a taxa normal já este ano, ou seja dos actuais 6% para 23%. O Governo antecipa assim a aplicação desta medida, que estava previsto ser aplicada apenas em 2012, para o último trimestre deste ano, o que vai permitir uma receita adicional de cerca de 100 milhões de euros ainda em 2011 (in Diário Económico, 12 de Agosto). O ajuste em causa estava contemplado no memorando de entendimento assinado com o trio FMI/CE/BCE. O governo, sedento de receita, apenas antecipou-o em três meses.
É de facto um grande custo adicional. Custa muito para as empresas que vêem a sua factura energética aumentar e custa muito para as famílias conseguirem gerir o seu parco orçamento. Mas tem de ser. Por um lado, o Estado está falido (embora não seja só o Estado), a precisar com urgência de reduzir os “desvios (que exigem trabalhos) colossais”, de aumentar a entrada de dinheiro, de diversificar as fontes de receita. Por outro, as famílias têm de poupar, não no dinheiro (não conseguem), mas nos seus consumos de energia e água. Cortar no desperdício não custa. Se ao Estado exigimos que abata as suas “gorduras”, nós contribuintes devemos saber melhor gerir os recursos naturais que usamos.
Concordo por isso com a medida. Não há melhor mecanismo que altere o comportamento das pessoas do que o que mexe com as suas carteiras: o mecanismo dos preços. Sem querer, o governo está a dar um grande empurrão para uma vida melhor e mais duradoura na Terra. O efeito é secundário, mas está lá.
Apesar de tudo, há interrogações que ainda não encontrei respondidas.
Primeiro, para aquelas famílias cujo dinheiro não estica (mais do que nas outras) e que mal conseguem aguentar a carga de despesas que hoje têm em mãos, que tipo de tarifa terão de pagar? Não seria socialmente justo que estas continuassem a liquidar a luz e o gás à taxa 6% de IVA?
Segundo, numa altura em que o País precisa de ganhar riqueza/produzir mais/crescer como “de pão para a boca”, expandir os gastos das empresas em energia (principalmente das PME’s) não parece política muito acertada e congruente. E as indústrias intensivas nesses recursos (capital-intensivas), cujas margens de lucro são delicadas de manusear e cujo processo produtivo é complicado de adaptar (embora não as haja, infelizmente, em grande número em Portugal) vêm as despesas incrementarem “colossalmente”. Não seria economicamente vantajoso introduzir uma tarifa industrial sobre a energia nos ramos económicos com maior potencial e contributo para a Econmia?
Sendo certo que é difícil agradar simultaneamente a gregos e troianos, estas são questões com pertinência, mas para as quais não achei informação de resposta. Provavelmente, para bem de todos, o governo acautelou estas situações. Provavelmente. Eu não encontrei noticiado.
Os tempos são de dificuldade. Já o são há muitos anos e assim continuarão. Cortes e cortes, impostos sobre impostos, subidas em subidas, dificuldades com dificuldades. Ao governo cabe arranjar a melhor forma de penalizar quem deve e desafogar quem já não pode, sem nunca esquecer o futuro de todos nós. A subida nas tarifas da energia não desafoga certamente quem já não pode, mas convicto estou de que visa o futuro do nosso Estado e do nosso Planeta. Apoio.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Jardins de Portugal

AJJ – Alto que o Jardim não se Jubila!
Em Portugal, há um conjunto de “vacas sagradas” simultaneamente “dinossauros parasitas” do Estado de todos. Alberto João Jardim (AJJ – presidente do Governo Regional da Madeira há mais de 33 anos!) é o melhor dos exemplos. Não é “vaca sagrada” porque ganha consecutiva e eleitoralmente mandatos há três décadas, nem sequer por ter feito, em tempos, trabalho meritório na Região Autónoma (RA) a que preside, mas sim por não aceitar o escrutínio, o debate, a crítica, a dignidade dos outros e por ser despesista à nossa conta.
Na terça-feira passada (dia 9 de Agosto), o Tribunal de Contas (uma das instituições fiscalizadoras com maior crédito entre nós) divulgou um relatório acerca da actividade financeira da RA-Madeira no ano transacto. As conclusões não são bonitas de se apresentar: o passivo financeiro aumentou 99,4 milhões de euros, totalizando já 963,3 milhões. Sabemos bem dos acontecimentos de Fevereiro do ano anterior (o temporal) na região, mas, ao que parece, as ajudas quer do Governo da República quer da Comissão Europeia para reparar os estragos deixados pela Natureza não estão a ser convenientemente usadas. Andam a esbanjar à “tripa forra”.
João Jardim respondeu veementemente ao relatório do Tribunal presidido por Guilherme d’Oliveira Martins. Acha o senhor uma “provocação” em vésperas de eleições regionais, uma "ingerência inadmissível" na autonomia dos madeirenses. AJJ não aceita, por isso, reparos de espécie alguma, muito menos se eles forem baseados em factos incontestáveis e emitidos por entidades com profundo conhecimento na área em questão e trabalho reconhecido por toda a população.
Alberto João vive num Mundo à parte. Numa altura em que o País se aperta para honrar os compromissos assinados externamente, Jardim anda a "despejar" dinheiro em estádios de futebol, túneis, rotundas e urbanizações sobre as falésias do arquipélago. Não há o mínimo sentido de solidariedade nos sacrifícios exigidos às RA’s: quando se fala em aumentar impostos, ou os governantes regionais recusam, ou se aceitam querem ficar com a receita extraordinária (para inaugurarem mais rotundas, pois claro); quando se fala na redução das despesas das autonomias, isso é inaceitável porque afinal a despesa é que lhes põe o pão na mesa; no caso madeirense, quando se fala em mexer nas reformas duplicadas e no regime de incompatibilidades dos executivos e deputados, essas alterações são "assaltos" aos bolsos dos madeirenses; quando se fala em acabar com o jornal da região endividado até à “ponta dos cabelos”, que não mais serve do que propagandear e papaguear a obra de Jardim, esses são assuntos que nada dizem respeito ao “pessoal do contenente”… Excepções atrás de excepções, excepções são a regra de Jardim e companhia.
AJJ está a conduzir a RA-M para um beco sem saída (daqueles que ele constrói nas ilhas!). O endividamento em espiral não acaba, nem muito menos o ímpeto despesista do governante. Desde que os contribuintes da Nação continuem a suportar as manias do senhor da Região, está tudo OK. Enquanto o tempo vai e vem, a Madeira não fica sem ninguém. Há-de lá ter Jardim a semear o seu estilo pouco democrático, enquanto durar, ou até os madeirenses quiserem mudar. Pelo meio, não admite que personalidade de quadrante algum, de instituição alguma (nem PR, nem representante da República na Região, nem TC, nem Tribunal de Contas, nem troika, nem PM, nem ministro das finanças) o aconselhe, o chame à atenção, o critique. É uma questão de gosto.
Tão ou mais grave do que o que faz, AJJ é criticável pelo que diz. Se ele vive num Mundo à parte, neste aspecto deve viver em Neptuno. Não têm sido poucas as gaffes, os desvarios à frente do microfone, os palavrões em público, os insultos a jornalistas, as ordinarices a outras personalidades. As eleições não dão estes direitos.
Jardim deixou de ser só controverso. Não é apenas um desbocado. É um tirano. Tem de ser posto na ordem. Para bem da Democracia.

sábado, 13 de agosto de 2011

Money is Money. Crime is Crime



Londres: nobre, rica e pacífica
Quando ocorrem manifestações, motins ou outros movimentos populares momentâneos em Portugal, nos EUA, no norte de África ou noutro lugar qualquer, logo aparecem sociólogos e politólogos a tentar explicar os acontecimentos. Os comentários aos eventos desta semana em Londres testemunham isso mesmo.

Em Inglaterra, a acção dos insurgentes começou no domingo. Segundo dizem, protestavam pacificamente contra a morte de Mark Duggan, de 29 anos, no sábado, às mãos da polícia, na zona de Tottenham (Londres). As informações acerca do dito homem são contraditórias: uns dizem que era bom “pai de família”; outros que era membro de um gang da zona. Seja qual for a verdade, estou certo: a polícia inglesa não é famosa pela sua erroniedade; se o matou, havia algum motivo. De qualquer forma, o rastilho estava lançado e a pequena manifestação "pacífica" depressa passou a violenta (cinco mortos) e os tumultos não pararam (alastraram-se a outras cidades como Manchester e Birmingham).
Perante o cenário, instados a comentar o sucedido, sociólogos “explicaram” o fenómeno. Invariavelmente, desculparam os jovens manifestantes e traçaram-lhes o perfil: cidadãos pobres, com veia imigrante, desempregados, sem perspectivas de vida. É bom reforçar que estes esquerdistas culpabilizam sempre a sociedade de todos pelo crime de poucos e condenam sem emenda a autoridade quando esta reage ao ilícito.

Disse David Cameron: «este não é um problema de pobreza, mas de cultura, uma cultura de violência e de falta de respeito pela autoridade». E tem toda a razão. De facto, a morte de Mark Duggan (que poucos deviam conhecer), a política de austeridade ou a de apoio aos imigrantes são apenas pretextos. Pretextos de violência infundados (contraditoriamente) nessa morte ou nessas políticas. O que é que um miúdo de 11 anos (sim, foi detido um insurgente de 11 anos!) percebe, sabe ou sente de medidas de contenção orçamental ou de auxílio aos mais necessitados? Nada. Não adianta desculpar estes fenómenos. Crime é crime.

A ordem não se faz por haver polícia nas ruas e a violência não se pratica por ser condenada judicialmente. A ordem forma-se e a violência não começa simplesmente porque isso é o que está certo, esse é o Bem e não o Mal. A acção das forças de Segurança e de Justiça são mecanismos secundários e não primários de intervenção. Esse é o contrato social estabelecido.

Esta é, pois, uma questão de vivência em Comunidade, de respeito pelos limites da força física, de cumprimento de regras. Quem não as cumpre, ou não as quer cumprir, não pode viver no mesmo lugar dos demais, sob pena de danificar o direito individual e inalienável à vida, propriedade e livre vontade. Não vivendo onde cabe quem aceita a autoridade pública, há duas escolhas: ou persiste nesse incumprimento e tem de ser privado da liberdade (preso), ou vai viver para outro lugar (emigra). Este não é um debate pró ou contra-imigrante, porque delinquente é delinquente, seja ele "branco", "preto", "rosado" ou "amarelado". Não se aceitam, por isso, actos de desculpabilização. O que é mal feito tem de ser corrigido. Senão, a Terra passa a Selva...

domingo, 31 de julho de 2011

Velhas Oportunidades para a nossa (re-)Educação

  
A propósito desta “coisa” das “Novas Oportunidades”, do “copianço” no CEJ, dos tão brilhantes, quão repetitivos, resultados dos exames nacionais do ensino primário e secundário e do desemprego de milhares de jovens licenciados e cérebros deste Portugal, apraz-me buscar as causas para estes fenómenos.

Por todos é reconhecido, tal como fiz referência no texto Uma Política cheia de tudo. Uma Assembleia cheia de nada., a mudança de valores verificada na nossa sociedade, decorrida do passar dos tempos e comum a outros países do “mundo desenvolvido”. Essas mudanças tiveram um mais imediato e outro mais distanciado efeito sobre a população jovem (que se está a formar para substituir os pais e avós nos seus próprios destinos e nos do País), contribuindo em boa e má conta para a formação física, intelectual e moral dessa franja etária.
Hoje, as famílias são mais pequenas, têm cada vez menos crianças e os adultos são pais mais e mais tarde, por força da formação superior e da procura de emprego que tarda em satisfazer os critérios da estabilidade. São em cada vez maior número os agregados monoparentais e com um só filho. Os adultos são sujeitos a cargas horárias de trabalho que lhes “comem” quase todo o dia, para lá do pouco dinheiro que ganham. Acrescenta-se ao stress causado pelo chefe no emprego, os afazeres em casa, depois do primeiro. Somando tudo, dá um estado de muita impaciência e difícil de aturar “putos” cheios de energia, e de irreverência às vezes! Em consequência do pouco tempo disponível para os “piquenos”, estes são depositados em frente ao ecrã, a comer bolachas, enquanto a mãe, ou o pai, cozinham o jantar; ou então, alternando, quando a força e a necessidade são maiores, depositados em frente ao caderno, sem grande apoio pedagógico, ou com o possível tendo em conta todas as tarefas anteriores dos progenitores. Amalgamando tudo, não pode dar coisa boa: a veia da intolerância e rabugice passa alegremente para as crianças, a do esforço e trabalho fica pelo caminho.
“O pepino é mal torcido desde pequenino”, quero dizer, a educação que os pais de hoje prestam aos de amanhã não é seguramente, nem podia ser de maneira nenhuma, a que os pais de ontem deram aos de hoje. Não pode, porque a sociedade é “outra”: o regime (português) mudou, as coisas são diferentemente vistas, as pessoas têm menos tempo umas para as outras, a religiosidade entre nós atenuou-se, o culto está hoje na pessoa (na pessoa-criança, especialmente) e no material, no virtual, no fictício.
 
IEFP - Iludimos os Esperançados num Futuro em Portugal

Como se não bastasse uma sociedade pouco “interessada” em educar os seus filhos, a política vem “ajudar à missa”. Prova disso é o sistema de educação que hoje temos. Não renego os avanços verificados no Portugal democrático pela maior amplitude do acesso ao ensino, mas todos concordamos que o sistema montado não capacita os jovens para enfrentar os desafios da vida, e até se configura como elitista: o facto de a escola pública estar carente de meios, disciplina e exigência e organização leva os jovens-ricos à procura das escolas privadas (com notória vantagem comparativa face ao conjunto das primeiras). Aglutina-se a isto as teorias do “eduquês” – «o deixar desenvolver o jovem sem a interferência tiranizante do indivíduo adulto» (ver O «eduquês» em Discurso Directo: Uma crítica da Pedagogia Romântica e Construtivista, Nuno Crato, Gradiva, 2006) –, que imobilizam as capacidades de crítica, de memorização, de auto-disciplina e trabalho, de perseverança e paciência dos jovens portugueses. Acrescenta-se ainda o materialismo na Educação (como são exemplo os “Magalhães”) e a ausência de planos de leitura obrigatórios nos cursos de línguas na formação escolar. Tudo isto “obra e graça” dos sucessivos governos desta democracia que, na vanguarda da “educação progressista”, não se deram ao trabalho de “parar para pensar”, preferindo o conforto do “quanto mais tarde [a reforma do sistema] melhor” ou do “quanto mais dinheiro [no sistema] melhor”. O resultado é o que se vê e segue!

Um dos mais acabados exemplos desta política educativa errónea são as “Novas Oportunidades”. O programa em questão só traz mesmo “novas oportunidades” ao nome que tem, porque aos que ele frequentam oferece pouco mais que ilusão. Constitui, porventura, um crime a acreditação de mais e menos jovens a torto e a direito, valendo para a obtenção do diploma pouco mais que a assiduidade às sessões dos cursos oferecidos. É um crime, não porque as pessoas não tenham "direito e prazer em estudar" e "saber mais" e “regressar à escola”, nem sequer pelo “risco” de termos “literatos a mais” em Portugal; mas antes porque se quer fazer querer aos frequentadores que três semanas nas “Novas Oportunidades” equivalem a três anos no Ensino Secundário, porque os conhecimentos lá "adquiridos" não se revelam nem úteis nem suficientes para desafiar no mercado de trabalho, porque a diplomação feita não corresponde aos efectivos conhecimentos dos alunos do programa.
Sendo assim, não nos admiremos dos problemas de inclusão social, estrutura mental e preparação para a vida activa da geração jovem (que, por sinal, é a minha).
CEJ - Cultivamos a Ética Juvenil

Não constitui por isso surpresa, ou não devia constituir, o episódio do “copianço geral” no Centro de Estudos Judiciários (CEJ). É bom lembrar que não estamos a falar de uma cena numa qualquer EB23 ou mesmo numa Secundária (que, mesmo aí, seria grave); estamos pois a lidar com licenciados em Direito que frequentam um curso de elite de formação de magistrados (juízes e investigadores do Ministério Público), cujas funções a desempenhar são nevrálgicas no Estado de Direito Democrático que formamos – integrarão um dos órgãos de soberania da República – a Justiça e os Tribunais. Seria suposto exigir aos futuros “Sr.s Juízes” e "Sr.s Magistrados" que se pautassem pelos mais cuidados critérios de honestidade e integridade; mas, pela solução que a direcção do CEJ encontrou para “resolver” o caso, só posso mesmo [infelizmente] exclamar “estão bem uns [direcção do CEJ] para os outros [alunos do mesmo]”! Repara-se que os decisores (os de primeira instância – direcção do CEJ – e os de última – deputados e governantes) não se mostram muito incomodados e preocupados com o assunto. Afinal, quem nunca copiou nos exames?!

Os resultados dos exames nacionais são outro dos mais visíveis e mensuráveis efeitos da política educativa. A esse propósito, eles não são famosos! É ainda mais intrigante a diferença estabelecida entre as notas atribuídas pelo professor na avaliação contínua escolar e aquela dada pelo corrector do exame nacional, a cada disciplina. Esta “inflação” torna impossível uma comparação histórica credível: quanto vale um "16" hoje comparado com outro de há três décadas? Ainda para mais, é reconhecidamente diminuído o nível de exigência praticado nessas provas, sendo algo que me conduz à interrogação: quais seriam os resultados dos exames, e a diferença entre estes e as notas da referida avaliação contínua, se as provas nacionais avaliassem realmente os conhecimentos de todos os estudantes necessários à matéria respectiva? A resposta permitiria-nos avaliar o estado do nosso sistema educativo. Mas ela não existe. Há muito que mudar!

A consequência futura das medidas tomadas no sector formativo é o desemprego juvenil. Já hoje, esse problema é dramático. Não só nesse escalão etário, mas muito particularmente nele. Segue-se inevitavelmente a emigração dos jovens desempregados, muitos deles (ou alguns deles) com ideias, sentido empreendedor e experiência ao melhor nível mundial. Um desperdício geracional. Um sinal dos tempos.

A política do “não desagradar o Povo” deu e dá no que se viu e continuará a ver. Como se montar um sistema educativo exigente, que não se foque apenas nos momentâneos resultados dos exames nacionais (mas que os torne efectivos medidores das capacidades dos alunos), mas tão-somente em tendências de longo prazo e em reformas duradouras, fosse “desagradar o Povo”. Essa construção não tem de implicar o retrocesso do que foi conseguido em democracia: liberdade universal do acesso ao ensino. É preciso um acordo político total, sob pena de mais e mais miséria e dependência no futuro, à custa da má preparação da geração de hoje e das ilusões criadas por esta ao frequentarem cursos superiores de pouco valor prático.
A vida é só uma. Não se pode pôr no lixo uma geração, dizendo-lhe que se está a colocá-la num resort de luxo. Se a política educativa for verdadeiramente progressista, a sociedade será mais saudável, autónoma e esforçada, terá menos filhos irreverentes e egoístas e tornará possível o progresso com base na energia dos seus jovens. Cabe tudo nas mãos dos governantes. Portugal agradeceria melhores práticas, o Resto do Mundo também!

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Transporte (público) que vem e vai para o “lixo”

O governo (o novo) decidiu, nestes dias, aumentar as tarifas do transporte público intra-urbano 15% e do inter-urbano 2,7%. É uma medida constante do memorando de entendimento assinado pelo governo (o anterior) com a troika externa, nos últimos meses. Relembra o governo (de novo, o novo) que o dito memorando prevê um aumento ainda maior para o transporte intra-urbano (a rondar os 20%) e que (novamente) o governo tentou minimizar o efeito desta medida sobre as pessoas de rendimentos mais pobres, através do “título especial de transporte para as famílias com menores rendimentos”. Ainda assim, sabemos que a “festa” destes aumentos não fica por aqui!
O País a descarrilar
De facto, o transporte (público) em Portugal está carente. Está carente e os seus défices são crónicos. Logo, a solução para o seu problema não pode ser cosmética. A sua falha é e resulta da visão que os governos têm tido do conceito de cidade e de mobilidade. Não se pode ter uma cidade harmoniosa onde viver, em que existam mais carros que pessoas. Não se pode criar uma rede de mobilidade pública sem “linhas bus“ para autocarros e táxis. Não se pode ter uma cidade limpa, com ar respirável, se tivermos nas metrópoles uma grande quantidade de fontes de emissão de gases poluentes (principalmente, carros) e uma pequena de absorção desses gases (nomeadamente, zonas verdes). Não se pode incentivar o menor uso possível dos transportes rodoviários privados, sem se ter passeios pedonais ao serviço dos transeuntes adequadamente largos e não esburacados. Não se pode melhor controlar o estacionamento ilegal sobre as zonas pedonais se não houver, primeiro, a sensibilização da população (não pedonal) para a problemática e, segundo, a imposição de barreiras físicas que evitem esses fenómenos (colocação de pilaretes, por exemplo). Atacar os défices do sector dos transportes colectivos apenas pela rama económica é um erro. Está-se apenas a caminhar a prazo para o seu desmantelamento (e falência) e não para o seu desenvolvimento.
Apesar das críticas que se apontam e que se devem apontar à actuação dos governos nesta área, há aspectos positivos que hoje não devem ser esquecidos.

Metro: debaixo de Terra, acima do Orçamento
Primeiramente, foi feito em Portugal um investimento significativo no melhoramento da rede de transportes públicos, principalmente intra-urbanos. Note-se, a esse respeito, a abrangência da rede do metropolitano de Lisboa e do metro de superfície do Porto. Acontece que esses melhoramentos viram-se hoje contra as próprias empresas gestoras dos equipamentos (Metro de Lisboa e Metro do Porto). Os custos iniciais elevados dos investimentos, que se associam a derrapagens escandalosas das respectivas obras de construção, fizeram aumentar insustentavelmente o endividamento das companhias, que hoje se vêm em grandes dificuldades para solver os seus compromissos. Análise semelhante pode ser feita em relação à CP e à REFER.

Carris sobre o seu nome, até ver…

Em segundo, algumas empresas, nos últimos tempos, conseguiram dar a volta a prejuízos crónicos, sem deslustrar o serviço prestado. Nesse ponto, note-se o serviço da Carris hoje, comparando-o com o de há 6 anos ou mais. É hoje, e assim continuará até ser desmantelada, a Carris uma empresa “sobre carris”, que presta um verdadeiro serviço público com o melhor da gestão pública (que até parece privada!). A empresa tem registado ultimamente resultados operacionais positivos (que não entram em conta com as operações financeiras e fiscais da empresa); (já) não é mal vista pelos seus clientes, e a tudo isto se deve o trabalho desenvolvido pela sua administração (liderada pelo Dr. José Manuel Silva Rodrigues) na formação dos seus quadros (hoje mais orientados para o cliente do que para o sindicato), na melhoria da rede ao nível dos atrasos dos autocarros, na constituição de “linhas certificadas”, na inovação de serviços (como o Night Bus) e na renovação da frota de autocarros. Teme-se, por isso, que trabalhos (como o desta administração da Carris) realizados nos anos recentes sejam desperdiçados com o novo "modelo" “pensado” para a mobilidade pública.
Calçada Portuguesa

Usar mais o transporte público é urgente. Por uma questão económica. Por uma questão ambiental. É fulcral diminuir o consumo de energias fósseis para reduzirmos a dependência energética. Os gases com efeito de estufa emitidos pelas viaturas põem em risco a vivência do Homem na Terra como hoje a conhecemos. Embora sejam conhecidas estas necessidades, o nosso País continua a ser o 12º do Mundo com mais automóveis per capita, estando à frente de países como a França, o Reino Unido, a Espanha ou a Suíça. Aqui, 54 em cada 100 pessoas têm carro. É este um dos maiores símbolos do nosso consumismo, mas também um dos maiores resultados das políticas pro-automóvel, de que são exemplo: a construção massiva de infra-estruturas rodoviárias de norte a sul de Portugal continental, nas últimas décadas, e os incentivos à compra de carro novo (ao abate de veículos em fim de vida), mais recentemente.
A estes assuntos o (novo) governo responde, por enquanto, com um aumento brutal dos preços nos Sabe-se que o preço dos títulos de transporte dirigido ao cliente está muito abaixo do custo real marginal do uso do mesmo. Talvez 60%. Esse ratio é fruto da circunstância do bem servido ser público (misto, mais rigorosamente) e não privado. Não se pode exigir uma tarifa a pagar pelo consumidor igual ao custo real da “produção” da mobilidade. Se assim for, não será mais possível distinguir a Carris da Barraqueiro. O problema que se coloca ao sistema de transportes tem a ver com as indemnizações compensatórias provindas do Estado Central em benefício das companhias públicas de mobilidade, devido à prática de preços abaixo do custo real. Sabe-se que o seu pagamento se atrasa consecutivamente. O problema não está então no modelo económico de transportes, mas sim na sua aplicação. Falta dinheiro para essas transferências. As empresas são obrigadas a endividarem-se. É uma espiral sem fim. Ou melhor, o fim é onde estamos.
transportes públicos. A medida é socialmente injusta e inaceitável, mas economicamente eficaz e [mais] compreensível, a esse respeito.

As opções políticas tomadas sobre esta temática não têm tido em conta uma visão de futuro, mas apenas acertos de curto prazo. Não se compreende a aposta no sector rodoviário, em detrimento do ferroviário. Não se compreendem muitas outras coisas. Mas esses não são argumentos para reavivar sentimentos regionalistas do tipo “cada cidade deve pagar os prejuízos das suas empresas de transporte”. No estado em que o Estado está, não é momento para separatismos. De sacrifícios ninguém gosta. Contudo, pode e deve ser feito melhor no campo da mobilidade. O País e o Planeta agradecem!